22 de novembro de 2015

Pode Obama evitar que este jovem seja decapitado?



(Ali Mohamed al-Nimr tinha 17 anos quando foi preso. A pena de morte pode ser- lhe aplicada a qualquer momento) - recolhido no Observador

Ali Mohamed al-Nimr, um jovem de 21 anos da Arábia Saudita, foi condenado a ser decapitado e crucificado em público. A sentença deveu-se à sua participação numa manifestação que ocorreu na cidade de Qatif. Os manifestantes defendiam a igualdade de direitos entre a população xiita, a que al-Nimr pertence, e a população sunita, que constitui a maioria no país.

Na primeira entrevista da sua mãe aos media estrangeiros, relatada pelo jornal inglês The Guardian, Nusra al-Ahmed qualifica a pena imposta ao seu filho como “selvagem” e vinda “da idade das trevas”. Nusra al-Ahmed acusou ainda as autoridades sauditas de terem torturado o seu filho na prisão:

Quando visitei o meu filho pela primeira vez não o reconheci. Não sabia se [a pessoa que visitei] era realmente o meu filho ou não. Via claramente que tinha uma ferida na testa, outra no nariz. Desfiguraram-no. Até o corpo, [que] estava excessivamente magro. [Quando] comecei a falar com ele [disse-me que] durante o interrogatório [foi] pontapeado, deram-lhe estaladas, os seus dentes caíram, claro… [e] urinou sangue durante um mês.

Agora, a mãe do condenado implora ao presidente norte-americano Barack Obama que o salve, fazendo uso da sua popularidade e das estreitas relações entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita. “[Obama] é o líder deste mundo (…) pode interferir e salvar o meu filho (…) Eu e o meu filho não temos nenhuma importância neste mundo mas apesar disso, se ele assumisse este ato (…) estaria a salvar-nos de uma grande tragédia”.

Nusra al-Ahmed, que segundo relata o Guardian acredita que a pena foi imposta ao filho para o punir pela sua fé xiita, mostrou-se ainda indignada com a pena:

Nenhum ser humano são e normal daria esta sentença a uma criança de 17 anos [Ali Mohamed al-Nimr tinha 17 anos quando foi preso pelas autoridades do país]. Não derramou qualquer sangue, não roubou propriedade nenhuma. Onde foram buscar isto? À Idade das Trevas?

A decisão do Supremo Tribunal da Arábia Saudita tem motivado críticas, vindas de vários pontos do globo. Entre os grupos de direitos humanos mais críticos da situação encontram-se a Amnistia Internacional e a Reprieve, uma organização britânica cuja missão diz ser “ajudar as pessoas que sofrem abusos extremos de direitos humanos às mãos dos governos mais poderosos do mundo”.

No Reino Unido, o primeiro-ministro David Cameron apelou na passada semana ao rei da Arábia Saudita para não aplicar a pena de decapitação e crucificação a Ali Mohamed al-Nimr. E, esta terça-feira, anunciou ter retirado uma proposta de quase 8 milhões de euros que havia feito à Arábia Saudita para um programa de treino aos guardas prisionais do país. A decisão também se deveu à retenção do pensionista britânico Karl Andree numa prisão da Arábia Saudita por posse de álcool: um caso que tem preocupado o governo britânico.

A embaixada da Arábia Saudita no Reino Unido já reagiu ao que classifica como “interferências em assuntos internos” do país, lançando um comunicado onde repudia a interferência do Reino Unido no sistema judicial “independente e imparcial” do “estado soberano” da Arábia Saudita.

E para este condenado, vejamos o poema de Mário Cesariny:


O HERÓI

Herói é o meu nome.
Meu olhar frio, arguto
Não vê coisa que o dome.
Meu esforço rude e sano
Não desmaia um minuto.
Sou herói todo o ano.
Quando passar por vós, naturalmente,
com este meu ar simples e no entanto diferente
e no entanto diferente do ar do resto da gente
não digais: é fulano.
Dizei: é o Herói.

O herói, simplesmente.

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