4 de fevereiro de 2016

"Pobres de nós, que já vimos este filme"



Um texto exemplar de José Manuel Fernandes, no Observador, a ser lido na íntegra. 

«É difícil imaginar como poderia ser pior. É aterrorizador pensar que ainda vai ser pior.

Os dias foram passando e, no momento em que escrevo, o nevoeiro ainda é imenso sobre o que será o próximo Orçamento do Estado. Mas sabemos já muito sobre o que não foi.

Começou por não ser o Orçamento previsto pelos economistas do PS, pois as famosas “contas” de que António Costa nos falou meses a fio não resistiram ao embate da geringonça. Se alguma lógica existia nas previsões macroeconómicas da equipa de Mário Centeno, nenhuma lógica restou das negociações do mesmo Mário Centeno com o Bloco, o PCP e os Verdes. Basta recordar um exemplo: o plano do PS previa utilizar reduções na TSU como principal instrumento de estímulo ao crescimento económico; os “protocolos de entendimento” recusaram essa política, substituindo-a por uma simples distribuição de benesses pelas clientelas mais poderosas, com os funcionários públicos à cabeça. Nesse momento todo a lógica interna das “contas” ruiu pela base.

Se já era duvidoso que as estimativas dos economistas do PS batessem certo, as contas da geringonça estavam totalmente desequilibradas, pois só previam aumentos de despesa e cortes nas receitas.

Esperámos por isso, com natural curiosidade, pelo “esboço de orçamento” que teria de ser enviado para Bruxelas, e ele caiu-nos nos braços dois dias antes das eleições presidenciais. Caiu ele e cairam também as criticas unânimes das entidades independentes que se deviam pronunciar, do Conselho de Finanças Públicas à UTAO. Não há memória de documentos tão arrasadores para uma proposta orçamental vindos de entidades tão diferentes e tão respeitadas.

Sem surpresa, depressa percebemos que o problema não estava no eventual erro de miopia de todos quantos em Portugal se pronunciaram sobre o dito “esboço”. Em Bruxelas o choque foi frontal. Tão frontal que, passada apenas uma dúzia de dias sobre a entrega desse esboço, as notícias esparsas que nos vão chegando apontam para que dele já pouco restará. Foi sendo estraçalhado em boa parte das suas metas e indicadores.

Só para se ter uma ideia de como as coisas evoluíram basta recordar que as “contas” dos economistas do PS apontavam para um crescimento de 2,4% da economia em 2016, o Programa do Governo desceu essa previsão para 2,2%, o “esboço” encolheu-a ainda mais para 2,1% e agora estará nos 1,9% e toda a gente continua a dizer que é irrealista. Aconteceu o mesmo com todos os outros grandes números, o que mostra a pouca seriedade e o nenhum rigor das “contas” que nos têm vindo a ser apresentadas.

Ao mesmo tempo que assistíamos a este desnorte, e à consequente descredibilização dos sucessivos exercícios contabilísticos, abrimos a boca de espanto com a estratégia de afrontamento seguida pelo governo português, e pela maioria que o apoia, relativamente às instâncias da União Europeia. Tudo indica que, para a equipa de António Costa, a Comissão é um bando de burocratas que se pode tratar displicentemente e desqualificar politicamente.

Vou dar apenas dois exemplos, que mostram bem um tipo de comportamento que tenho dificuldade em classificar (será arrogância? será incompetência? será apenas ignorância?). O primeiro é a entrevista que Costa deu ao Financial Times. Nela diz, a certa altura, que uma redução do défice estrutural de 0,2% será maior dos últimos anos, uma boutade que só pode ter deixado boquiabertos os técnicos que, na Comissão Europeia, seguem de perto a realidade portuguesa e têm o Financial Times nas suas secretárias logo pela manhã. É que a média da redução do saldo estrutural dos últimos anos é de 1,4 pontos percentuais, um número bem conhecido por esses técnicos, pelo que um erro tão flagrante por parte de um primeiro-ministro só poder ter funcionado como a pior carta de recomendação no início de umas negociações difíceis.

O segundo exemplo também fala por si. É que, ao enviar para Bruxelas o seu “esboço”, o Governo esqueceu-se de informar que, pelo caminho, estava a alterar os critérios para o cálculo do défice estrutural (valha ele o que valer, e até admito que valha pouco). Pior: estava a alterar critérios que tinham sido negociados entre Bruxelas e Lisboa sem dizer nada em Bruxelas e vindo para Lisboa acusar o anterior Governo de ter enganado a Comissão Europeia. Nessa altura, nas reuniões técnicas, só faltaram os insultos para colorir o choque frontal.

Um ano depois de ter assistido ao drama grego custa a crer que, na equipa de Costa e entre os seus acólitos de extrema-esquerda, se acreditasse ainda que a melhor forma de lidar com as instituições comunitárias fosse a afronta e o desafio, a ameaça do “murro na mesa”. Ou mesmo, mais modestamente, que se pensasse que a melhor forma de obter bons resultados fosse trazer para a praça pública o debate, fingir que tudo não se limitava detalhes técnicos ou tentar passar a mensagem de que o processo ia pelo melhor quando, afinal, tudo corria pelo pior.

A cereja em cima deste bolo foi a adopção, para consumo doméstico, de um discurso autoritário, demagógico e desavergonhado. As críticas, mesmo as vindas de entendidades independentes e respeitáveis, começaram a ser descartadas como traições à pátria. Aos pedidos de explicações sobre tanta confusão e tanto número sem justificação, respondeu-se com um seco “deixem o governo trabalhar” e a recusa em sequer encarar as questões dos jornalistas. A própria existência de um debate público e a ocorrência de divergências, próprias de qualquer sociedade aberta, foi enquadrada como representando a acção de uma sombria “quinta coluna” ao serviço dos alemães. Até as instituições europeias não escaparam, com altos responsáveis a compararem a Europa a uma URSS a que só faltaria o KGB e a acrescentarem que os seus técnicos estavam ao serviço da direita europeia.

O registo adoptado pelo primeiro-ministro e pela maioria que o apoia no último debate quinzenal teve mesmo o condão de nos reconduzir aos tempos de José Sócrates, mas em pior: a mistificação foi moeda corrente, a verdade um detalhe sacrificada ao argumento de ocasião, a desvergonha só comparável à ausência de memória, tudo coisas que eram habituais no grande timoneiro da bancarrota, só que agora em versão degradada, género filme série B, poiso antigo PM ainda estudava os dossiers e Costa não se dá a esse trabalho, sendo que Teixeira dos Santos ao lado de Mário Centeno até lembra um Príncipe da Renascença.

De novo apenas um exemplo para se ter ideia da desonestidade dos argumentos utilizados no debate: pretendeu-se dizer que os cortes salariais na administração pública tinham sido apresentados em Bruxelas como “estruturais” e em Lisboa como “temporários” pelo anterior governo, quando esses cortes começaram com José Sócrates no PEC3, eram reforçados no famoso PEC4 (aquele que alguns ainda veneram como se venera uma sagrada escritura) e sempre foram tratados, em Lisboa e em Bruxelas, com Sócrates ou com Passos Coelho, da mesma forma. Agora dá jeito um flick flack contabilístico, pelo que a melhor forma de o camuflar é chamar mentiroso aos outros com a mesma lata do ladrão que grita “agarra que é ladrão”.

Falta-nos ver o resultado final de todos estes malabarismos, assim como os pareceres que as instituições internacionais produzirão. Teme-se o pior. Teme-se sobretudo que os nossos grandes patriotas estejam a criar as condições para que, mesmo fazendo agora passar o seu orçamento, vejam depois degradarem-se as avaliações das agências de rating, o que terá consequências catastróficas para um país que, nos próximos anos, terá de ir ao mercado buscar 43 mil milhões de euros para se financiar.

Há, contudo, alguns adquiridos que a análise mais fina do documento final por certo não desmentirá.

O primeiro adquirido é que estaremos perante um exercício orçamental irrealista, com metas que não são para cumprir. Já houve quem, com mais competência, o explicasse em detalhe, mas não custa compreender como se chega aquilo a que já chamaram o “orçamento Photoshop”: o objectivo desta equipa não é o bom governo de Portugal, é ganhar umas eleições que todos pensam surgirão bem antes do fim da legislatura. Por hoje, aguenta-se a geringonça à custa de concessões ao Bloco e ao PCP, reza-se para que os buracos nas contas só apareçam lá mais para o fim do ano e adiam-se os problemas para o Orçamento de 2017. Pelo caminho espera-se que, satisfazendo as clientelas, estas retribuam com o votinho na urna.

É assim que o “governo do desfazer” se prepara, por exemplo, para gastar mais dinheiro com a devolução dos cortes salariais aos funcionários públicos mais bem pagos do que com o descongelamento das pensões mais baixas. Não está mal para um governo “de esquerda” cheio de “sensibilidade social”, mas é coerente com a percepção de que as clientelas que assim vão ser beneficiadas são as mais influentes e as melhor representadas pela CGTP.

É assim também que os mesmo que enchem a boca com a palavra “igualdade” se preparam para repor a desigualdade entre o regime laboral na administração pública (onde voltaremos às 35 horas) e no sector privado (onde a regra é a das 40 horas).

É ainda assim que o Governo que jura que não vai tocar no rendimento das famílias se prepara para aumentar a carga fiscal em bens, como os combustíveis, que afectarão as despesas das famílias, tirando com uma mão o que dá com a outra e fazendo cara de pau. Tal como é assim que o Governo que diz tudo querer fazer pelo crescimento opta por virar as baterias do Fisco contra a banca sem reparar que, ao mesmo tempo, lamenta a falta de capacidade dessa mesma banca para financiar a economia.

Quando aqui chegamos já estamos muito para lá de discutirmos a austeridade, ou esse slogan cada vez mais vazio do “virar de página da austeridade” – o que começamos a discutir é mesmo quanto tempo de repetição de erros do passado será necessário para que acabemos da mesma forma como acabámos no passado. É isso mesmo que todos nos estão a dizer, sejam eles os respeitáveis académicos do Conselho de Finanças Públicas, os técnicos das instituições internacionais ou osanalistas dos mercados. Por uma vez, parecem estar todos de acordo – mas para o comandante e para os adjuntos deste nosso Titanic, estão todos errados, pois só eles é que têm razão.

Pobres de nós, que já vimos este filme.»

30 de janeiro de 2016

"Não há paciência"



É o que diz aqui Helena Matos, e eu estou totalmente de acordo. 

«Eu sei que devia escrever sobre o orçamento ou, mais pertinente ainda, sobre a queda em desgraça do Tribunal Constitucional que se limitou a decidir como sempre fez ao longo destes últimos anos – protegendo os membros da corporação Estado – mas que desta vez, e ao contrário do que tem acontecido, acabou criticado por quase todos. Mas o que tenho para escrever sobre o assunto ainda acaba a colidir com a assepsia do dia de reflexão e longe de mim perturbar voluntaria ou involuntariamente a reflexão de quem quer que seja. Presumo até que por estas horas, sentadinhos em tapetes, no cimo de serras e nas profundezas das grutas milhares de portugueses em posição de lótus procuram avaliar as diferentes propostas eleitorais. Que não acabem com o cérebro e as costas feitos num oito é o que lhes desejo. E foi assim que, de assunto em assunto, acabei noutra eleição ou mais propriamente nos óscares, cerimónia regra geral aborrecida para todos os mortais à excepção dos candidatos mas que acabou transformada em acontecimento mundial.

Os óscares ganharam agora outro foco além do cinematográfico propriamente dito. Trata-se da cor da pele e do sexo dos nomeados. Enfim o cinema é uma indústria e a indignação também e cada um faz nessas indústrias o que quer ou pode para ganhar a vida. Mas à liberdade dos senhores Will Smith e Spike Lee de dizerem e fazerem o que lhes apetece – nomeadamente o anúncio de que não participarão na cerimónia dos óscares por só terem sido nomeados actores no dizer deles caucasianos (confesso que no caso do Stallone após tantas operações e tanto botox nem consigo garantir que ele seja humano, quanto mais caucasiano ou asiático!) – corresponde o direito dos outros lhes responderem que boa parte do que dizem não passam de rotundas parvoíces.

Mas vamos ao assunto propriamente dito: este ano não há negros entre os actores candidatos aos óscares. Por acaso também não vislumbrei por lá nenhum chinês, ou melhor dizendo asiático. Claro que também não há mulheres gordas nem feias. E quanto a idades seríamos levados a acreditar que o sexo feminino desaparece da face da Terra passados os 35 não fossem estar candidatas as anciãs Cate Blanchet (nasceu em 1969) e Charlotte Rampling, que veio ao mundo em 1946 e a quem as declarações que fez sobre este assunto – “racismo contra brancos” – devem ter feito perder qualquer possibilidade de ganhar a estatueta (isto apesar de Charlotte Rampling se ter apressado a pedir desculpa e dizer que foi mal interpretada).

A questão racial tornou-se o mais patético exercício de promoção do coitadismo, sobretudo entre os negros norte-americanos. que é o mesmo que dizer que em todo o mundo a que chegue a televisão. O que não fazem ou não conseguem é invariavelmente o resultado do racismo e nunca do seu não esforço ou desinteresse. Em Portugal, temos nesta matéria o incontornável paradoxo de se explicar com o racismo e os problemas associados à imigração os fracos resultados escolares dos alunos ditos africanos. Note-se que a não ser que a Amadora ou Moscavide fiquem em África não há razão alguma, a não ser a cor da pele, para que se chamem africanos a estes jovens nascidos em Portugal, frequentemente filhos de pais nascidos também em Portugal. Curiosamente ninguém se interroga sobre os brilhantes resultados escolares dos filhos dos ucranianos, que pouco tempo depois de chegarem a Portugal se tornam nos melhores alunos das suas turmas.

Sob o silêncio em torno deste assunto, nomeadamente o silêncio de muitas daquelas associações que vivem de denunciar o racismo e que na minha opinião em vez de o combater o promovem, guetizando ainda mais aqueles que deviam integrar, esconde-se um arreigado paternalismo, esse sim racista, que na prática se traduz por isto: os ucranianos são brancos, têm olhos azuis e para mais vieram daquele caldeirão do ex-mundo comunista, logo politicamente não interessam a ninguém. Pelo contrário os negros (e agora também os muçulmanos) vivem mediaticamente falando sob a tutela da esquerda. Esta primeiro quis libertar África. Transformadas essas libertações em embaraçosíssimas ditaduras, entende agora a esquerda que há-de transformar no seu novo eleitorado essa multidão, que em boa parte teve de deixar África porque as tais libertações só produziram miséria. Com as classes trabalhadoras a descrerem cada vez mais das virtudes do socialismo, promover o ressentimento e o assistencialismo numa população para mais jovem é uma boa forma de garantir os votos por largos anos.

Nos EUA temos a juntar a tudo isto Hollywood e o puritanismo. Assim, com aquele frenesi que os levou à Lei Seca e destrambelhos quejandos, atiram-se agora às questões que se dizem de género e a tudo o que vagamente possa ser relacionado com o racismo. Há de tudo e para todos os gostos. Como não é humanamente possível seguir todos os racismos por ali denunciados resolvi focar-me na problemática dos homens asiáticos que denunciam que o cinema os discrimina. Porquê? Entre outras coisas porque nunca são vistos como desejáveis pelas mulheres brancas! A esta assexualização dos homens corresponde, segundo os promotores desta causa, uma sexualização das mulheres asiáticas. Enfim acabaremos literalmente a discutir a cor dos anjos mas não quero sair deste assunto sem lançar eu mesma uma outra causa: a das mulheres brancas que nos filmes ficam sempre a perder para as asiáticas que, para lá doutras vantagens estéticas, são sempre enaltecidas pelos guionistas, homens obviamente, porque não falam: nos filmes ocidentais as mulheres asiáticas aparecem invariavelmente como seres de poucas ou nenhumas palavras. Ora uma mulher silenciosa, ou mais propriamente uma mulher que não lhes diga a verdade, é o sonho de qualquer criatura do sexo masculino nascida no Ocidente. E assim esta minha causa junta não só o combate ao racismo face às mulheres asiáticas, mais o racismo perante as mulheres brancas como ainda combate o machismo dos homens ocidentais. Fantástico não é? Ainda acabo nos óscares!

Quero acreditar que a histeria terminará. Que um dia seremos capazes de reflectir sobre o proselitismo que levou a situações tão aberrantes quanto a vivida em Rotherham, Inglaterra: em pleno século XXI, 1400 crianças que estavam sob a tutela dos serviços sociais foram abusadas sexualmente. Os abusos duraram anos. O facto de os abusadores serem de origem paquistanesa levou a que durante anos e anos não só não se fizesse nada para acabar com aquele pesadelo como os poucos que o tentaram denunciar acabaram a ser confrontados com acusações de racismo e desadequação aos valores multiculturais.

A falta de destaque noticioso sobre o caso de Rotherham, que contrasta por exemplo com a indignação com os abusos sexuais levados a cabo sobretudo no século passado por sacerdotes católicos, é sintomática da hipocrisia que reina nesta matéria, hipocrisia que ela sim é uma forma de racismo. Porque uma violação é uma violação independentemente de quem a pratica e de quem a sofre.

E agora ou escrevo sobre o sucedido em Colónia ou, opção bem mais interessante, sugiro que nas intermitências da empastelada noite dos óscares vejam um filme. Chama-se Cowboys. É de 1972 e tem como principal protagonista um John Wayne já velho o que não lhe tira nada daquele sugestivo andar que ninguém explicou tão bem enquanto símbolo da  masculinidade quanto o actor Nathan Lane na Gaiola das Malucas.

Mas voltando a Cowboys a história nem é muito original: Wil Andersen(Wayne) um rancheiro para quem a vida não deve ter sido meiga vê-se por circunstâncias várias à frente de um grupo de rapazes, os cowboys possíveis já que os homens adultos tinham desaparecido em mais uma corrida ao ouro. Wil Andersen (Wayne) tem de levar a sua manada para um local que fica a 650 quilómetros. É fácil perceber que a viagem se transforma num ritual de passagem dos rapazes para o mundo dos adultos.

Contudo o filme não é hoje propriamente considerado uma fita familiar. Antes pelo contrário. Ora porque Wil Andersen (Wayne) tem um entendimento da educação dos rapazes nada consentâneo com as pedagogias de hoje, ora porque reproduz todos os estereótipos da masculinidade e, cereja no topo do bolo, porque a palavra nigger é pronunciada no filme a propósito do cozinheiro Jebediah Nightlinger interpretado por Roscoe Lee Browne. Perante o primeiro negro que viam na sua vida os miúdos não só proferem nigger várias vezes como pretendem saber se aquela negritude abrange todas as partes do seu corpo.

E assim os jovens de hoje podem ver filmes com sexo, violência e consumo de drogas à vontade mas claro nenhum adulto responsável pode gritar com eles como faz Wil Andersen (Wayne) no filme e claro que os negros passaram a afro-americanos, os chineses a asiáticos e por aí fora.

Perante o desconchavo de tudo isto só apetece recuperar a resposta de Roscoe Lee Browne, sim o mesmo que faz de cozinheiro em Cowboys e que era um notável intérprete de poesia e textos clássicos e dono de uma dicção fabulosa, àqueles que o acusavam de ter uma voz demasiado branca: “Peço desculpa tivemos uma mulher a dias branca.»

7 de janeiro de 2016

MORRA!



A "europa" vive tempos de absoluto desnorte. É uma espécie de época de juízo final em que a factura de todo o marxismo centralista asfixiante se apresenta a pagamento.

Tudo o que foi parido de Maaschtrich para cá deu bota.

O multiculturalismo estoira-lhes no focinho a toda a hora.

Já todos os países estão contra todos.

Já em todos os países forças políticas de separação emergem em velocidade vertiginosa.

Dois importantes países estão ou de saída ou a tentar aplicar as regras deles: Inglaterra (com o UKIP) e França com Marine Le Pen. Num caso e noutro obrigando sob pressão eleitoral os governos no poder a vergar aos anti europa.

Nos EUA Trump faz perceber que recolocará os EUA naquilo de onde nunca deveriam ter saído mas, desta vez, apresentando facturas. Obama, entre partidas de golf, rasteja tentando fazer crer que ainda tem autoridade política. A "europa" pressente que se os EUA voltarem ao que eram o moribundo "projecto europeu" estoirará que nem um sapo.

Uns quantos outros países tentam ainda juntar-se ao ouruborus na expectativa de ainda poderem abocanhar qualquer coisa. A Turquia é um deles.

Entretanto, em jeito de desespero final e contra todas as evidências em que cada novo regulamento lhe aplica mais um prego no caixão da insipiência económica, continuam regulamentando furiosamente, agora tentando obrigar cada detentor de cada pequena horta a frequentar um curso sobre substâncias químicas.

Parece que só não há fungicidas para os cogumelos venenosos de Bruxelas.

Que a "europa" morra ... no papel, porque na realidade nunca passou de zombie. Pena é que os largos milhares de seus adoradores não possam passar uns anos atrás das grades.

MORRA O DANTAS, MORRA!

4 de janeiro de 2016

"Coisas que nunca mudam: as não notícias"




Tal como afirma Helena Matos, no Observador:

«As não notícias são tão importantes quanto as notícias. Às vezes ainda mais que as notícias. Porque as não notícias mostram como os jornalistas resistem a desfazer as suas ilusões.

As não notícias sobre a França. Em França, país bem perto de nós, foram incendiados na passagem de ano 804 veículos. Note-se que estes números estão a ser apresentados como positivos pelas autoridades francesas porque na passagem de 2014 para 2015 arderam mais 136 carros. Ou seja 940. Claro que nessa data a França não estava sob medidas de segurança tão severas quanto as actuais (os atentados aoCharlie Hebdo aconteceram dias depois, a 7 de Janeiro de 2015 e só em Novembro tiveram lugar os atentados de Paris) e de modo algum nas ruas daquele país estavam então destacados os mais de 100 mil agentes que integraram o dispositivo de segurança neste final de 2015. Como é possível que se pegue fogo a oito centenas de veículos com mais de 100 mil agentes policiais e militares nas ruas? É um mistério.

Mas convenhamos que é um mistério bem menor que o silêncio que impera nos jornais e televisões da restante Europa sobre o que acontece naquele país. Ou seja como é possível que não tenhamos informação sobre estes incidentes? Ou, para não sairmos ainda da temática dos carros incendiados, como não soubemos das 700 viaturas que arderam no 13 de Julho deste ano? Nem sequer o facto de no dia em que a França comemora a sua festa nacional ter havido também escolas incendiadas fez com que o destaque noticioso fosse maior.

Há momentos em que quero acreditar que tudo se explica pelo facto de hoje não se falar francês e por consequência a França só ser notícia quando sai nos jornais ingleses, de preferência no Guardian. Mas digamos que essa explicação se pode aplicar ao reino do Butão e respectivo lugar no índice de felicidade mas não à França onde a não notícia se tornou uma opção consciente: da França vieram primeiro revoluções e ilusões. Agora, para não comprometer a memória das primeiras e o poder das segundas, não se noticia.

Assim, ao mesmo tempo que assistimos à pilhagem de uma qualquer loja no mais recôndito canto do Ohio, nunca vemos as carcaças queimadas dos automóveis em França. Nem sequer casos como os recentemente ocorridos no final de Dezembro em Ajaccio, capital da Córsega, conseguiram romper este muro de silêncio. Digamos que em Ajaccio tudo começou como de costume: os bombeiros foram chamados ao que se designa como bairro sensível. No caso os Jardins do Imperador. Uma vez lá chegados os bombeiros foram emboscados e agredidos. Nos dias seguintes sucedem-se as manifestações de corsos indignados com o que acontecera nos Jardins do Imperador. Gritam que não querem acabar fechados em casa com medo como acontece nos banlieu do continente. Mas não só. Gritam também palavras de ordem contra os árabes e numa das manifestações rompem a barreira policial e saqueiam um local de culto muçulmano.

Qual foi o destaque noticioso destes gravíssimos incidentes? Digamos que ele passou quase tão discretamente quanto a indicação de que desde Feveiro de 2015 já se registaram em França 200 incidentes contra militares, sendo que sete desses incidentes foram classificados como muito graves. Aliás, logo no início deste 2016, em Valence, registou-se um desses incidentes: um homem tentou atropelar quatro militares que faziam segurança junto a uma mesquita.

As autoridades, mimetizado a reacção que mantiveram até aos ataques de Novembro em Paris, logo declararam ser o homem em questão um lobo solitário para mais desequilibrado. Apesar de na sua casa ter sido encontrada propaganda jihadista, a pista terrorista não está ser seguida e admite-se que talvez exista “un lien entre son acte et une certaine religiosité”… que é como quem diz uma ligação entre o seu acto e uma certa religiosidade. Qual será a religiosidade em questão?… Como se vê, não é por falta de notícias que a França não está nas notícias. É sim porque se ficou sem narrativa. Quando o próximo sobressalto chegar, lá aparecem as carinhas a chorar mais o facebook às risquinhas e a Torre Eiffel muito fofinha. Sinais exteriores de quem não quis ver, nem ouvir nem saber.

As não notícias sobre a Grécia. Este Inverno deve estar a ser bem cálido em Atenas. Porque neste Inverno já ninguém tem frio na Grécia. Nem fome. Nem sonhos desfeitos. Nem medicamentos inacessíveis… A Grécia morreu para as notícias no dia em que os jornalistas ocidentais deixaram de ver em Tsipras o Che sem espingarda. Já não sabemos se Tsipras vai a Bruxelas, se leva gravata, se a mulher se zangou ou não com ele… Tsipras desapareceu noticiosamente falando em Julho deste ano. No momento em que deixou de ser o rosto da alternativa, do bater do pé, do virar da página da austeridade e de todas as outras categorias do pensamento mágico a que o socialismo se reduziu, Tsipras saiu dos ecrans. Por estes dias teve um regresso fugaz porque voltou a vestir a pele do Tsipras que ia mudar a Europa. Ou seja fez mais do mesmo: disse que não ia ceder aos credores. E como é disso que os jornalistas gostam lá lhe deram uns segundos da velha fama.

Curiosamente pasmamos com as fotografias em que Estaline mandava apagar os opositores mas este processo de apagamento dos heróis mediáticos que acontece em plena democracia não parece suscitar qualquer perturbação. E contudo ele é revelador do fogo fátuo que enche boa parte daquilo a que chamamos notícias, reportagens e investigações. Um desejo para 2016? Quero o Tsipras de volta. Quero saber o que faz, o que decide, o que legisla. E de caminho quero saber onde param os postais autografados por Tsipras, que se vendiam a três euros cada, com que umas almas militantes se propunham juntar dinheiro para libertar a Grécia dos credores. Como não podia deixar de ser a iniciativa foi noticiada com alarido aqui, mais aqui, e aqui, também aqui e aqui… (é melhor ficar por aqui porque com tanto aqui o texto está a ficar cacofónico) e agora nada de nada.

As não notícias sobre Guantanamo. Quantas notícias tivemos sobre Guantanamo desde que Barak Obama foi eleito? E desde que foi reeleito? Dado o silêncio que impera sobre o assunto quase se é levado a pensar que Guantanamo fechou. O quase embargo sobre o assunto é quebrado de vez em quando por uns anúncios de que o presidente dos EUA está a ultimar um plano para fechar Guantanamo. Depois temos as inevitáveis conclusões de que Obama gostaria de fechar Guantanamo mas não pode. Porquê? Não se diz. Mas note-se que as mesmas fontes asseguram e asseguraram que o anterior presidente podia fechar Guantanamo mas não queria.

As notícias sobre os EUA e seus presidentes tornaram-se na versão mediática dos gatinhos no facebook: milhões de likes para os democratas, partilhas virais e ódios profundos para os republicanos. Informação quase nenhuma.

Opções que com um presidente não democrata e sobretudo não tão querido dos estúdios de cinema e de televisão quanto o é Barack Obama teriam gerado enorme controvérsia – a aposta cada vez mais forte na exploração dos gás de rocha – têm passado quase inadvertidas apesar de ambientalmente terem muito para questionar. E como entender essa espécie de regressão nas questões raciais em que de repente os EUA parecem ter caído? Reduzidos como estamos às notícias do tipo “EUA: polícia mata condutor negro” – se o condutor fosse branco ou asiático escrever-se-ia “EUA: polícia mata condutor branco”? – deixámos de questionar os efeitos reais daquilo a que se chamam medidas de combate à discriminação racial.

Divididos entre uma élite da qual Obama e a sua mulher fazem parte e uma maioria presa nos meandros do coitadismo, os negros norte-americanos são cada vez mais objectos de uma simplificação para não dizer infantilização nas notícias.

Mas tal como acontece com Guantanamo que era para fechar e não fechou custa muito escrever sobre as bolinhas de sabão que fizeram capa e abriram noticiários e depois se viram desfazer.»

30 de dezembro de 2015

Ainda sobre a aritmética ideológico-doutrinária contada às crianças e lembrada ao povo



Há exactamente três semanas, escrevi isto aqui, no blog.

Fiz um cálculo por alto, uma vez que não me dei ao trabalho de verificar os números relativos à população activa em Portugal, limitando-me aos que tinha lido algures.

Face, porém, ao que afirmou o sr. ministro Vieira da Silva, procurei ser rigoroso. E dou a mão à palmatória: enganei-me.

Porque a população activa no país é de (números oficiais relativos a 2014) 5225600 trabalhadores, a percentagem que indiquei, de 12,5%, está errada. Ela rondará, sim, os 12,44%.

As minhas desculpas e poupem-me o resto.

Numa newsletter do Observador...


René Magritte, A ligação perigosa


... escreveu José Manuel Fernandes:

Foram dias tranquilos – ou quase. Quem vive há muito tempo a lufa-a-lufa das redações sabe que é frequente a actualidade pregar partidas por alturas do Natal. Assim, de repente, recordo-me do tsunami de 2004, da tempestade que deixou sem electricidade no dia de Natal milhares de lares na zona de Torres Vedras em 2009, da demissão de Guterres em 2001 (esta poucos dias antes do Natal), da renúncia de Gorbatchov em 1991 (precisamente no dia de Natal), da execução dos Ceausescu em 1989, da invasão do Afeganistão em 1979 e por aí adiante. Este ano não houve assim “grandes notícias”, apesar do Banif, apenas alguns temas que, muito justamente, mobilizaram as nossas atenções. Entre todos eles, destaque para a discussão sobre as circunstâncias da morte de David Duarte no Hospital de São José.

É sabido como temas como este – a ocorrência de uma morte que, teoricamente, poderia ter sido evitada se uma equipa médica tivesse realizado uma operação de urgência – são capazes de acender paixões. Não vamos por aí, até porque há ainda demasiadas questões por esclarecer para que se possam tirar conclusões. Algumas delas suscitadas nos textos que cito a seguir.

A primeira reflexão para que chamo a atenção é a de Paulo Baldaia, no Diário de Notícias: 
Hipócrates. É um texto que deixa três perguntas que me pareceram especialmente pertinentes:
1 - Fontes hospitalares garantem que a morte de David Duarte foi a quinta, desde que deixou de haver equipa ao fim-de-semana. O que levou médicos e enfermeiros a não denunciarem cada uma destas mortes, procurando assim evitar as que se seguiram?
2 - Tendo já havido quatro mortes por não resistirem à espera do fim-de-semana e sabendo a gravidade do estado de saúde de David Duarte, por que razão não foi chamada de urgência uma equipa para o operar?
3 - Já depois dos cortes correspondentes a cerca de 50%, por cada dia de piquete, um enfermeiro recebia 130 euros e um médico 250, mesmo que não tivessem de ir ao hospital se não houvesse cirurgias para fazer. Morreram cinco pessoas "em consequência dos cortes cegos, insensatos e absurdos" como acusa o bastonário dos médicos, José Manuel Silva?

Na verdade, como referiu o novo ministro da Saúde (e bem podia ter ido por outro caminho), o que se passou com David Duarte não pode ser resumido a uma questão económico-financeira ou à habitual conversa sobre “cortes”. Por isso vale a pena dar a palavra a dois médicos, por coincidência ambos médicos patologistas, que produziram reflexões interessantes aqui no Observador e no blogue Defender o Quadrado:
  • S. José ou a irresponsabilidade, de Luís Carvalho Rodrigues: “O ministro, o presidente da ARS e as administrações hospitalares não podem furtar-se a responsabilidades. Mas acho estranho que os responsáveis pelos serviços e pelas equipas presentes naquele fim de semana se mantenham agora calados e invisíveis. Claro que haverá inquérito, apuramento de factos e contraditório. Todos terão argumentos e justificações. E é assim que deve ser. Mas é difícil fugir a uma ideia essencial: quem se refugia atrás de “ordens superiores” em casos como este não merece ocupar o lugar que ocupa.”
  • Da responsabilidade colectiva, de Sofia Loureiro dos Santos: “A forma como se actuou na saúde, aliás como em muitos outros sectores, foi criminosa. Mas os cortes existiram em todo o País, pelo que não pode ser apenas essa a justificação de tanta incúria e desleixo. O sistema falhou não uma mas, pelo menos, 4 vezes e ninguém atuou nem ao fim da primeira, nem da segunda, nem da terceira, nem da quarta. E a única razão de ter sido divulgada agora é a existência de uma queixa dos familiares da última vítima, um homem de 29 anos. É demasiado mau, demasiado grave, demasiado triste, demasiado assustador.”
  • SNS eficaz e sustentável - concentração das equipas, da mesma Sofia Loureiro dos Santos: “Se calhar não haveria necessidade de ter 3 ou 4 centros hospitalares na Grande Lisboa (…) com equipas de urgência a funcionar em prevenção. Porque não haver uma ou 2 equipas formadas por médicos, enfermeiros e técnicos que pudessem usar um ou os vários centros hospitalares, conforme fosse mais exequível? Estou apenas a dar um exemplo, não faço ideia se seria uma boa solução, mas a verdade é que provavelmente não se justifica ter equipas de cirurgia neurovascular (ou de outras especialidades) em todas as unidades hospitalares.”


Por fim, duas reflexões mais políticas, a primeira das quais de crítica ao aproveitamento político deste caso na campanha das presidenciais: 
Os saudáveis populistas, de Helena Matos, aqui no Observador:
Pensam estes candidatos à Presidência da República recorrer ao SNS quando tiverem problemas de saúde? Caso respondam afirmativamente, estimam viver quantos anos mais? É que para falar deste modo, como se não houvesse amanhã, tem de se estar dotado da forte convicção (eu diria antes fé) de que se vai gozar de uma saúde de ferro até àquele derradeiro momento em que a bondade de uma morte súbita porá fim a vida tão saudável. (De caminho também é indispensável estar disposto a descer moralmente muito para subir um pouco mais nas sondagens, mas esse é outro assunto.) Afinal a quem não sabe que morte o espera e de que doenças vai sofrer restas apenas uma pragmática certeza: todos podemos acabar num hospital. Que este se organize em função dos doentes ou das questões contratuais do seu pessoal não é a mesma coisa.

A outra remete apenas para o bom senso: é a de Francisco Sarsfield Cabral, na Rádio Renascença, 
Conhecer a verdade: “É fácil, mas demagógico e desonesto, concluir que a culpa da morte no S. José é dos cortes no financiamento da saúde. O ministro da Saúde do governo de Costa foi mais sério e referiu problemas de organização e gestão, que não acontecem no Norte e no Centro do país.”

28 de dezembro de 2015

História islâmica do Pai Natal e O Comboio das Prendas





De um novo texto de António Justo, destaco o que se segue:

«O Governo da Somália proibiu que se festeje o Natal. O ministro Sheikh Mohamed Kheyroow deu ordem às forças de segurança para impedirem festas de Natal em todo o país. O ministro anunciou o decreto no dia anterior ao Natal na rádio Mogadishu.

Enquanto a cristandade, na Europa, procura pôr em prática a solidariedade cristã com os muçulmanos abrindo-lhes as portas, os cristãos são descriminados e até perseguidos nos países de religião muçulmana maioritária; Também no BURNEI foi proibido festejar o Natal com o argumento de pôr em risco a “fé dos muçulmanos”!

Nos centros do poder não há coisa mais incómoda e atemorizadora, para os seus detentores, do que um bebé na gruta que inverte a perspectiva de consideração do poder.

POLÍTICA DE CLIENTELA – FAMILIARES DE TRABALHADORES DA CP COM TRANSPORTE GRATUITO

No sentido do novo governo, a Comboios de Portugal (CP) concede, a partir de 1.01.2016, o acesso gratuito às viagens de comboio dos trabalhadores no activo, cônjuges e filhos (até 25 anos) e aos trabalhadores reformados. Atendendo aos bons ordenados dos trabalhadores da CP em relação a outros trabalhadores portugueses, torna-se questionável tal medida (natural para eles mas não para a família), dado quem paga a gratuitidade das viagens dos familiares dos trabalhadores da CP serem os contribuintes e os outros clientes da CP que têm de comprar os bilhetes mais caros.

Seguindo a mesma lógica, os empregados bancários e familiares não precisariam de pagar juros, os professores e empregados do Estado deveriam ser isentos de impostos, etc. O mesmo desperdício e irresponsabilidade se encontra no que toca à utilização das viaturas do estado muitas vezes utilizadas privadamente.

Menos partidária seria uma medida em que as viagens de alunos e estudantes fossem gratuitas. Isto fomenta a realidade de que para muitos o Estado se torna para muitos numa vaca leiteira. (...)»

A BANDA, de Chico Buarque... alter




O BANDO

Estava à toa na classe o professor me chamou
Pra me lobotomizar, me transformar num robô
Me encheu de frase de efeito destilando rancor
Pra me lobotomizar, me transformar num robô

O mensaleiro que contava dinheiro parou
E o blogueiro que levava vantagens pirou
A Namorada que gostava de Beagle
Parou para retocar a maquiagem

O Sakamoto que odiava o sistema curtiu
A Marilena que andava sumida Chauiu
A esquerdalha toda se assanhou
Pra me lobotomizar, me transformar num robô

Estava à toa na classe o professor me chamou
Pra me lobotomizar, me transformar num robô
Me encheu de frase de efeito destilando rancor
Pra me lobotomizar, me transformar num robô

Não tive saco pra encarar Bakunin nem Foucault
Gosto do Chico e acho que ele é um grande cantor
O Professor falou que a coisa mais bela
Era explodir bomba feito o Marighella

A Marcha rubra se espalhou e a direita não viu
O Paulo Freire virou santo e fodeu com o Brasil
A Faculdade toda se enfeitou
Pra me lobotomizar, me transformar num robô

Eu vi que o capitalismo era feio e cruel
Eu vi que em Cuba era bom e que eu amava o Fidel
Anotei tudo no iPad e pus no computador
Depois eu vou te ensinar porque eu virei professor