... os idiotas úteis extasiam-se com a personagem dos contos socialistas de encantar (via Fiel Inimigo).
25 de janeiro de 2016
20 de janeiro de 2016
16 de janeiro de 2016
Que extraordinário é o progressista, avançado e multiculturalista mundo da Suécia
Pode ser-se mais palerma do que os suecos foram?
14 de janeiro de 2016
10 de janeiro de 2016
9 de janeiro de 2016
7 de janeiro de 2016
MORRA!
A "europa" vive tempos de absoluto desnorte. É uma espécie de época de juízo final em que a factura de todo o marxismo centralista asfixiante se apresenta a pagamento.
Tudo o que foi parido de Maaschtrich para cá deu bota.
O multiculturalismo estoira-lhes no focinho a toda a hora.
Já todos os países estão contra todos.
Já em todos os países forças políticas de separação emergem em velocidade vertiginosa.
Dois importantes países estão ou de saída ou a tentar aplicar as regras deles: Inglaterra (com o UKIP) e França com Marine Le Pen. Num caso e noutro obrigando sob pressão eleitoral os governos no poder a vergar aos anti europa.
Nos EUA Trump faz perceber que recolocará os EUA naquilo de onde nunca deveriam ter saído mas, desta vez, apresentando facturas. Obama, entre partidas de golf, rasteja tentando fazer crer que ainda tem autoridade política. A "europa" pressente que se os EUA voltarem ao que eram o moribundo "projecto europeu" estoirará que nem um sapo.
Uns quantos outros países tentam ainda juntar-se ao ouruborus na expectativa de ainda poderem abocanhar qualquer coisa. A Turquia é um deles.
Entretanto, em jeito de desespero final e contra todas as evidências em que cada novo regulamento lhe aplica mais um prego no caixão da insipiência económica, continuam regulamentando furiosamente, agora tentando obrigar cada detentor de cada pequena horta a frequentar um curso sobre substâncias químicas.
Parece que só não há fungicidas para os cogumelos venenosos de Bruxelas.
Que a "europa" morra ... no papel, porque na realidade nunca passou de zombie. Pena é que os largos milhares de seus adoradores não possam passar uns anos atrás das grades.
MORRA O DANTAS, MORRA!
4 de janeiro de 2016
"Coisas que nunca mudam: as não notícias"
Tal como afirma Helena Matos, no Observador:
«As não notícias são tão importantes quanto as notícias. Às vezes ainda mais
que as notícias. Porque as não notícias mostram como os jornalistas resistem a
desfazer as suas ilusões.
As não notícias sobre a França. Em França, país bem perto de nós, foram
incendiados na passagem de ano 804 veículos. Note-se que estes números estão a
ser apresentados como positivos pelas autoridades francesas porque na passagem
de 2014 para 2015 arderam mais 136 carros. Ou seja 940. Claro que nessa data a
França não estava sob medidas de segurança tão severas quanto as actuais (os
atentados aoCharlie Hebdo aconteceram dias depois, a 7 de Janeiro
de 2015 e só em Novembro tiveram lugar os atentados de Paris) e de modo algum
nas ruas daquele país estavam então destacados os mais de 100 mil agentes que
integraram o dispositivo de segurança neste final de 2015. Como é possível que
se pegue fogo a oito centenas de veículos com mais de 100 mil agentes policiais
e militares nas ruas? É um mistério.
Mas convenhamos que é um mistério bem menor que o silêncio que impera nos
jornais e televisões da restante Europa sobre o que acontece naquele país. Ou
seja como é possível que não tenhamos informação sobre estes incidentes? Ou,
para não sairmos ainda da temática dos carros incendiados, como não soubemos
das 700 viaturas que arderam no 13 de Julho deste ano? Nem sequer o facto de no
dia em que a França comemora a sua festa nacional ter havido também escolas
incendiadas fez com que o destaque noticioso fosse maior.
Há momentos em que quero acreditar que tudo se explica pelo facto de hoje
não se falar francês e por consequência a França só ser notícia quando sai nos
jornais ingleses, de preferência no Guardian. Mas digamos que essa
explicação se pode aplicar ao reino do Butão e respectivo lugar no índice de
felicidade mas não à França onde a não notícia se tornou uma opção consciente:
da França vieram primeiro revoluções e ilusões. Agora, para não comprometer a
memória das primeiras e o poder das segundas, não se noticia.
Assim, ao mesmo tempo que assistimos à pilhagem de uma qualquer loja no
mais recôndito canto do Ohio, nunca vemos as carcaças queimadas dos automóveis
em França. Nem sequer casos como os recentemente ocorridos no final de Dezembro
em Ajaccio, capital da Córsega, conseguiram romper este muro de silêncio.
Digamos que em Ajaccio tudo começou como de costume: os bombeiros foram
chamados ao que se designa como bairro sensível. No caso os Jardins do
Imperador. Uma vez lá chegados os bombeiros foram emboscados e agredidos. Nos
dias seguintes sucedem-se as manifestações de corsos indignados com o que
acontecera nos Jardins do Imperador. Gritam que não querem acabar fechados em
casa com medo como acontece nos banlieu do continente. Mas não
só. Gritam também palavras de ordem contra os árabes e numa das manifestações
rompem a barreira policial e saqueiam um local de culto muçulmano.
Qual foi o destaque noticioso destes gravíssimos incidentes? Digamos que
ele passou quase tão discretamente quanto a indicação de que desde Feveiro de
2015 já se registaram em França 200 incidentes contra militares, sendo que sete
desses incidentes foram classificados como muito graves. Aliás, logo no início
deste 2016, em Valence, registou-se um desses incidentes: um homem tentou
atropelar quatro militares que faziam segurança junto a uma mesquita.
As autoridades, mimetizado a reacção que mantiveram até aos ataques de
Novembro em Paris, logo declararam ser o homem em questão um lobo solitário
para mais desequilibrado. Apesar de na sua casa ter sido encontrada propaganda
jihadista, a pista terrorista não está ser seguida e admite-se que talvez
exista “un lien entre son acte et une certaine religiosité”… que é como quem
diz uma ligação entre o seu acto e uma certa religiosidade. Qual será a
religiosidade em questão?… Como se vê, não é por falta de notícias que a França
não está nas notícias. É sim porque se ficou sem narrativa. Quando o próximo
sobressalto chegar, lá aparecem as carinhas a chorar mais o facebook às
risquinhas e a Torre Eiffel muito fofinha. Sinais exteriores de quem não quis
ver, nem ouvir nem saber.
As não notícias sobre a Grécia. Este Inverno deve estar a ser bem
cálido em Atenas. Porque neste Inverno já ninguém tem frio na Grécia. Nem fome.
Nem sonhos desfeitos. Nem medicamentos inacessíveis… A Grécia morreu para as
notícias no dia em que os jornalistas ocidentais deixaram de ver em Tsipras o
Che sem espingarda. Já não sabemos se Tsipras vai a Bruxelas, se leva gravata,
se a mulher se zangou ou não com ele… Tsipras desapareceu noticiosamente
falando em Julho deste ano. No momento em que deixou de ser o rosto da
alternativa, do bater do pé, do virar da página da austeridade e de todas as
outras categorias do pensamento mágico a que o socialismo se reduziu, Tsipras
saiu dos ecrans. Por estes dias teve um regresso fugaz porque voltou a vestir a
pele do Tsipras que ia mudar a Europa. Ou seja fez mais do mesmo: disse que não
ia ceder aos credores. E como é disso que os jornalistas gostam lá lhe deram
uns segundos da velha fama.
Curiosamente pasmamos com as fotografias em que Estaline mandava apagar os
opositores mas este processo de apagamento dos heróis mediáticos que acontece
em plena democracia não parece suscitar qualquer perturbação. E contudo ele é
revelador do fogo fátuo que enche boa parte daquilo a que chamamos notícias,
reportagens e investigações. Um desejo para 2016? Quero o Tsipras de volta.
Quero saber o que faz, o que decide, o que legisla. E de caminho quero saber
onde param os postais autografados por Tsipras, que se vendiam a três euros
cada, com que umas almas militantes se propunham juntar dinheiro para libertar
a Grécia dos credores. Como não podia deixar de ser a iniciativa foi noticiada
com alarido aqui, mais aqui, e aqui, também aqui e aqui… (é melhor ficar por aqui porque
com tanto aqui o texto está a ficar
cacofónico) e agora nada de nada.
As não notícias sobre Guantanamo. Quantas notícias tivemos sobre
Guantanamo desde que Barak Obama foi eleito? E desde que foi reeleito? Dado o
silêncio que impera sobre o assunto quase se é levado a pensar que Guantanamo
fechou. O quase embargo sobre o assunto é quebrado de vez em quando por uns
anúncios de que o presidente dos EUA está a ultimar um plano para fechar
Guantanamo. Depois temos as inevitáveis conclusões de que Obama gostaria de
fechar Guantanamo mas não pode. Porquê? Não se diz. Mas note-se que as mesmas
fontes asseguram e asseguraram que o anterior presidente podia fechar
Guantanamo mas não queria.
As notícias sobre os EUA e seus presidentes tornaram-se na versão mediática
dos gatinhos no facebook: milhões de likes para os democratas, partilhas virais
e ódios profundos para os republicanos. Informação quase nenhuma.
Opções que com um presidente não democrata e sobretudo não tão querido dos
estúdios de cinema e de televisão quanto o é Barack Obama teriam gerado enorme
controvérsia – a aposta cada vez mais forte na exploração dos gás de rocha – têm
passado quase inadvertidas apesar de ambientalmente terem muito para
questionar. E como entender essa espécie de regressão nas questões raciais em
que de repente os EUA parecem ter caído? Reduzidos como estamos às notícias do
tipo “EUA: polícia mata condutor negro” – se o condutor fosse branco ou
asiático escrever-se-ia “EUA: polícia mata condutor branco”? – deixámos de
questionar os efeitos reais daquilo a que se chamam medidas de combate à
discriminação racial.
Divididos entre uma élite da qual Obama e a sua mulher fazem parte e uma
maioria presa nos meandros do coitadismo, os negros norte-americanos são cada
vez mais objectos de uma simplificação para não dizer infantilização nas
notícias.
Mas tal como acontece com Guantanamo que era para fechar e não fechou custa
muito escrever sobre as bolinhas de sabão que fizeram capa e abriram
noticiários e depois se viram desfazer.»
30 de dezembro de 2015
Ainda sobre a aritmética ideológico-doutrinária contada às crianças e lembrada ao povo
Há exactamente três semanas, escrevi isto aqui, no blog.
Fiz um cálculo por alto, uma vez que não me dei ao trabalho de verificar os números relativos à população activa em Portugal, limitando-me aos que tinha lido algures.
Face, porém, ao que afirmou o sr. ministro Vieira da Silva, procurei ser rigoroso. E dou a mão à palmatória: enganei-me.
Porque a população activa no país é de (números oficiais relativos a 2014) 5225600 trabalhadores, a percentagem que indiquei, de 12,5%, está errada. Ela rondará, sim, os 12,44%.
As minhas desculpas e poupem-me o resto.
Numa newsletter do Observador...
René Magritte, A ligação perigosa
... escreveu José Manuel Fernandes:
Foram
dias tranquilos – ou quase. Quem vive há muito tempo a lufa-a-lufa das redações
sabe que é frequente a actualidade pregar partidas por alturas do Natal. Assim,
de repente, recordo-me do tsunami de 2004, da tempestade que deixou sem
electricidade no dia de Natal milhares de lares na zona de Torres Vedras em
2009, da demissão de Guterres em 2001 (esta poucos dias antes do Natal), da
renúncia de Gorbatchov em 1991 (precisamente no dia de Natal), da execução dos
Ceausescu em 1989, da invasão do Afeganistão em 1979 e por aí adiante. Este ano
não houve assim “grandes notícias”, apesar do Banif, apenas alguns temas que,
muito justamente, mobilizaram as nossas atenções. Entre todos eles, destaque
para a discussão sobre as circunstâncias da morte de David Duarte no Hospital
de São José.
É sabido como temas como este – a ocorrência de uma morte que, teoricamente, poderia ter sido evitada se uma equipa médica tivesse realizado uma operação de urgência – são capazes de acender paixões. Não vamos por aí, até porque há ainda demasiadas questões por esclarecer para que se possam tirar conclusões. Algumas delas suscitadas nos textos que cito a seguir.
A primeira reflexão para que chamo a atenção é a de Paulo Baldaia, no Diário de Notícias: Hipócrates. É um texto que deixa três perguntas que me pareceram especialmente pertinentes:
1 - Fontes hospitalares garantem que a morte de David Duarte foi a quinta, desde que deixou de haver equipa ao fim-de-semana. O que levou médicos e enfermeiros a não denunciarem cada uma destas mortes, procurando assim evitar as que se seguiram?
2 - Tendo já havido quatro mortes por não resistirem à espera do fim-de-semana e sabendo a gravidade do estado de saúde de David Duarte, por que razão não foi chamada de urgência uma equipa para o operar?
3 - Já depois dos cortes correspondentes a cerca de 50%, por cada dia de piquete, um enfermeiro recebia 130 euros e um médico 250, mesmo que não tivessem de ir ao hospital se não houvesse cirurgias para fazer. Morreram cinco pessoas "em consequência dos cortes cegos, insensatos e absurdos" como acusa o bastonário dos médicos, José Manuel Silva?
Na verdade, como referiu o novo ministro da Saúde (e bem podia ter ido por outro caminho), o que se passou com David Duarte não pode ser resumido a uma questão económico-financeira ou à habitual conversa sobre “cortes”. Por isso vale a pena dar a palavra a dois médicos, por coincidência ambos médicos patologistas, que produziram reflexões interessantes aqui no Observador e no blogue Defender o Quadrado:
É sabido como temas como este – a ocorrência de uma morte que, teoricamente, poderia ter sido evitada se uma equipa médica tivesse realizado uma operação de urgência – são capazes de acender paixões. Não vamos por aí, até porque há ainda demasiadas questões por esclarecer para que se possam tirar conclusões. Algumas delas suscitadas nos textos que cito a seguir.
A primeira reflexão para que chamo a atenção é a de Paulo Baldaia, no Diário de Notícias: Hipócrates. É um texto que deixa três perguntas que me pareceram especialmente pertinentes:
1 - Fontes hospitalares garantem que a morte de David Duarte foi a quinta, desde que deixou de haver equipa ao fim-de-semana. O que levou médicos e enfermeiros a não denunciarem cada uma destas mortes, procurando assim evitar as que se seguiram?
2 - Tendo já havido quatro mortes por não resistirem à espera do fim-de-semana e sabendo a gravidade do estado de saúde de David Duarte, por que razão não foi chamada de urgência uma equipa para o operar?
3 - Já depois dos cortes correspondentes a cerca de 50%, por cada dia de piquete, um enfermeiro recebia 130 euros e um médico 250, mesmo que não tivessem de ir ao hospital se não houvesse cirurgias para fazer. Morreram cinco pessoas "em consequência dos cortes cegos, insensatos e absurdos" como acusa o bastonário dos médicos, José Manuel Silva?
Na verdade, como referiu o novo ministro da Saúde (e bem podia ter ido por outro caminho), o que se passou com David Duarte não pode ser resumido a uma questão económico-financeira ou à habitual conversa sobre “cortes”. Por isso vale a pena dar a palavra a dois médicos, por coincidência ambos médicos patologistas, que produziram reflexões interessantes aqui no Observador e no blogue Defender o Quadrado:
- S. José ou a irresponsabilidade, de Luís Carvalho Rodrigues: “O ministro, o
presidente da ARS e as administrações hospitalares não podem furtar-se a
responsabilidades. Mas acho estranho que os responsáveis pelos serviços e
pelas equipas presentes naquele fim de semana se mantenham agora calados e
invisíveis. Claro que haverá inquérito, apuramento de factos e
contraditório. Todos terão argumentos e justificações. E é assim que deve
ser. Mas é difícil fugir a uma ideia essencial: quem se refugia atrás de
“ordens superiores” em casos como este não merece ocupar o lugar que ocupa.”
- Da responsabilidade colectiva, de Sofia Loureiro dos Santos: “A forma como se actuou na
saúde, aliás como em muitos outros sectores, foi criminosa. Mas os cortes
existiram em todo o País, pelo que não pode ser apenas essa a
justificação de tanta incúria e desleixo. O sistema falhou não
uma mas, pelo menos, 4 vezes e ninguém atuou nem ao fim da
primeira, nem da segunda, nem da terceira, nem da quarta. E a única
razão de ter sido divulgada agora é a existência de uma queixa dos
familiares da última vítima, um homem de 29 anos. É demasiado mau,
demasiado grave, demasiado triste, demasiado assustador.”
- SNS eficaz e sustentável - concentração das equipas, da mesma Sofia Loureiro dos Santos: “Se
calhar não haveria necessidade de ter 3 ou 4 centros
hospitalares na Grande Lisboa (…) com equipas de urgência a funcionar em
prevenção. Porque não haver uma ou 2 equipas formadas por médicos,
enfermeiros e técnicos que pudessem usar um ou os vários centros
hospitalares, conforme fosse mais exequível? Estou apenas a dar um
exemplo, não faço ideia se seria uma boa solução, mas a verdade é que
provavelmente não se justifica ter equipas de cirurgia neurovascular (ou
de outras especialidades) em todas as unidades hospitalares.”
Por fim, duas reflexões mais políticas, a primeira das quais de crítica ao aproveitamento político deste caso na campanha das presidenciais: Os saudáveis populistas, de Helena Matos, aqui no Observador:
Pensam estes candidatos à Presidência da República recorrer ao SNS quando tiverem problemas de saúde? Caso respondam afirmativamente, estimam viver quantos anos mais? É que para falar deste modo, como se não houvesse amanhã, tem de se estar dotado da forte convicção (eu diria antes fé) de que se vai gozar de uma saúde de ferro até àquele derradeiro momento em que a bondade de uma morte súbita porá fim a vida tão saudável. (De caminho também é indispensável estar disposto a descer moralmente muito para subir um pouco mais nas sondagens, mas esse é outro assunto.) Afinal a quem não sabe que morte o espera e de que doenças vai sofrer restas apenas uma pragmática certeza: todos podemos acabar num hospital. Que este se organize em função dos doentes ou das questões contratuais do seu pessoal não é a mesma coisa.
A outra remete apenas para o bom senso: é a de Francisco Sarsfield Cabral, na Rádio Renascença, Conhecer a verdade: “É fácil, mas demagógico e desonesto, concluir que a culpa da morte no S. José é dos cortes no financiamento da saúde. O ministro da Saúde do governo de Costa foi mais sério e referiu problemas de organização e gestão, que não acontecem no Norte e no Centro do país.”
28 de dezembro de 2015
História islâmica do Pai Natal e O Comboio das Prendas
De um novo texto de António Justo, destaco o que se segue:
«O Governo da Somália proibiu
que se festeje o Natal. O ministro Sheikh Mohamed Kheyroow deu ordem às forças
de segurança para impedirem festas de Natal em todo o país. O ministro anunciou
o decreto no dia anterior ao Natal na rádio Mogadishu.
Enquanto a cristandade, na
Europa, procura pôr em prática a solidariedade cristã com os muçulmanos
abrindo-lhes as portas, os cristãos são descriminados e até perseguidos nos países
de religião muçulmana maioritária; Também no BURNEI foi proibido festejar o
Natal com o argumento de pôr em risco a “fé dos muçulmanos”!
Nos centros do poder não há
coisa mais incómoda e atemorizadora, para os seus detentores, do que um bebé na
gruta que inverte a perspectiva de consideração do poder.
POLÍTICA
DE CLIENTELA – FAMILIARES DE TRABALHADORES DA CP COM TRANSPORTE GRATUITO
No sentido do novo governo, a Comboios de Portugal (CP) concede,
a partir de 1.01.2016, o acesso gratuito às viagens de comboio dos
trabalhadores no activo, cônjuges e filhos (até 25 anos) e aos trabalhadores
reformados. Atendendo aos bons ordenados dos trabalhadores da CP em relação a
outros trabalhadores portugueses, torna-se questionável tal medida (natural
para eles mas não para a família), dado quem paga a gratuitidade das viagens
dos familiares dos trabalhadores da CP serem os contribuintes e os outros
clientes da CP que têm de comprar os bilhetes mais caros.
Seguindo a mesma
lógica, os empregados bancários e familiares não precisariam de pagar juros, os
professores e empregados do Estado deveriam ser isentos de impostos, etc. O
mesmo desperdício e irresponsabilidade se encontra no que toca à utilização das
viaturas do estado muitas vezes utilizadas privadamente.
Menos partidária seria
uma medida em que as viagens de alunos e estudantes fossem gratuitas. Isto
fomenta a realidade de que para muitos o Estado se torna para muitos numa vaca
leiteira. (...)»
A BANDA, de Chico Buarque... alter
O BANDO
Estava à toa na classe o professor me chamou
Pra me lobotomizar, me transformar num robô
Me encheu de frase de efeito destilando rancor
Pra me lobotomizar, me transformar num robô
O mensaleiro que contava dinheiro parou
E o blogueiro que levava vantagens pirou
A Namorada que gostava de Beagle
Parou para retocar a maquiagem
O Sakamoto que odiava o sistema curtiu
A Marilena que andava sumida Chauiu
A esquerdalha toda se assanhou
Pra me lobotomizar, me transformar num robô
Estava à toa na classe o professor me chamou
Pra me lobotomizar, me transformar num robô
Me encheu de frase de efeito destilando rancor
Pra me lobotomizar, me transformar num robô
Não tive saco pra encarar Bakunin nem Foucault
Gosto do Chico e acho que ele é um grande cantor
O Professor falou que a coisa mais bela
Era explodir bomba feito o Marighella
A Marcha rubra se espalhou e a direita não viu
O Paulo Freire virou santo e fodeu com o Brasil
A Faculdade toda se enfeitou
Pra me lobotomizar, me transformar num robô
Eu vi que o capitalismo era feio e cruel
Eu vi que em Cuba era bom e que eu amava o Fidel
Anotei tudo no iPad e pus no computador
Depois eu vou te ensinar porque eu virei professor
21 de dezembro de 2015
19 de dezembro de 2015
O "Mein Kampf" e o Alcorão
Publicou António Justo, no seu Pegadas do Tempo, este texto, que julgo merecer ser lido com toda a atenção.
EDIÇÃO
COMENTADA DO LIVRO DE HITLER “MINHA LUTA” (MEIN KAMPF)
Dois
Pesos e duas Medidas – Anotações preventivas contra o Fascismo
70
anos depois do fascismo nazista, é permitida, a partir de 31.12.2015, a
reedição da sua cartilha, na Alemanha. Até à morte de Hitler tinham sido
publicados 12 milhões de exemplares.Desde então a publicação de Mein Kampf
ficou interdita.
Entre
o dia 1 e 8 de Janeiro de 2016, vai ser publicado o livro de Hitler "Mein
Kampf" (Minha Luta), com 3.500 anotações; os comentários destinam-se a
precaver os jovens contra a ideologia nazista (ideias antissemitas, racistas e
nacional-socialistas).
Por
outro lado, continua a não se exigir anotações
nem comentários ao Corão, embora este apele 27 vezes ao
assassinato/perseguição de não-muçulmanos, contenha instruções para a
subjugação das mulheres (1), afirme a discriminação e inferioridade dos não
crentes muçulmanos, pregue a hostilidade para com os judeus e defenda a
hegemonia muçulmana.
O
historiador Christian Hartmann, do Instituto de História Contemporânea de
Munique, espera que, com os 3500 comentários/anotações ao
texto, poderá dizer que “‘Mein Kampf’ é uma granada velha e ferrugenta da qual
tirámos
o explosivo”. A edição sai com o título “Hitler, Meu Combate – Uma Edição
Crítica„, em
dois volumes e com o preço de 59€.
É oportuno lembrar que os nossos jovens não só devem ser protegidos contra a ideologia nazista, como também contra o fascismo religioso, tal como se expressa num Corão não comentado. O facto de o fascismo ocorrer neste em traje religioso não pode ser considerado carta-branca nem tabu.
Qualquer
pessoa familiarizada com a história islâmica sabe como Mohammed se comportava e
que é tomado como exemplo a ser imitado, e como os terroristas muçulmanos se
apresentam como os verdadeiros seguidores das prescrições do Corão; apesar de
tudo isto, também os média continuam a considerá-lo inviolável. O Corão deveria
possuir comentários tal como agora acontece com o livro de Hitler, a fim de
reduzir o seu efeito de sedução sobre os jovens. A credibilidade da política
deixa tudo a desejar neste ponto, onde não é permitida qualquer objectividade.
A classe política e intelectual (que deveria conhecer bem “O Meu
Combate” e o Corão, apresenta-se contraditória proibindo num lugar o que no
outro se afirma. Com a sua indiferença torna-se cúmplice com os mais
conservadores islâmicos, motivando os radicais em prejuízo
dos reformistas.
A
Política e a Sociedade cada vez se distanciam mais uma da outra, dado os
políticos darem a impressão de terem menos conhecimento objectivo sobre o
Corão, e do que ele não comentado causa, do que parte da população. É preciso
motivar os muçulmanos de boa vontade a reformar o Islão, começando por exigir
anotações às suras do Corão e motivar a abordagem teológica histórico-crítica
sobre Maomé, sobre o Corão, sobre os ensinamentos do profeta e sobre a Sharia.
A
História parece demonstrar que a consciência de povos e estados, mais que por
princípios éticos, é determinada pelas realidades económicas e por interesses
de poder, não sendo considerado como adulterada uma prática (moral) que os
justifica, a não ser por pessoas mais sensíveis!
(1) Na Arábia
Saudita, atenta ao cumprimento do Islão, a posse de uma Bíblia é considerada
crime; não é permitido às mulheres conduzir um carro nem navegar na Internet,
nem lhes é permitido trabalhar, estudar ou viajar sem o consentimento de um
protector masculino.
18 de dezembro de 2015
"Filhos do 25 de Abril"
Fizeram-me chegar por e-mail este texto de Pedro Bidarra, publicado em 26/04/2013, no Dinheiro Vivo. Não estando em total acordo com o que nele é dito, julgo que tem, no entanto, algumas considerações bastante pertinentes, pelo que o deixo aqui.
«A geração que fez o 25 de Abril era
filha do outro regime. Era filha da ditadura, da falta de liberdade, da pobre e
permanente austeridade e da 4.ª classe antiga.
Tinha crescido na contenção, na
disciplina, na poupança e a saber (os que à escola tinham acesso) Português e
Matemática.
A minha geração era adolescente no 25
de Abril, o que sendo bom para a adolescência foi mau para a geração.
Enquanto os mais velhos conheceram dois
mundos – os que hoje são avós e saem à rua para comemorar ou ficam em casa a
maldizer o dia em que lhes aconteceu uma revolução – nós nascemos logo num
mundo de farra e de festa, num mundo de sexo, drogas e rock & roll, num
mundo de aulas sem faltas e de hooliganismo juvenil em tudo semelhante ao das
claques futebolísticas mas sob cores ideológicas e partidárias. O hedonismo
foi-nos decretado como filosofia ainda não tínhamos nem barba nem mamas.
A grande descoberta da minha geração
foi a opinião: a opinião como princípio e fim de tudo. Não a informação, o
saber, os factos, os números. Não o fazer, o construir, o trabalhar, o ajudar.
A opinião foi o deus da minha geração. Veio com a liberdade, e ainda bem, mas
foi entregue por decreto a adolescentes e logo misturada com laxismo, falta de
disciplina, irresponsabilidade e passagens administrativas.
Eu acho que minha geração é a geração
do “eu acho”. É a que tem controlado o poder desde Durão Barroso. É a geração
deste primeiro-ministro, deste ministro das Finanças e do anterior
primeiro-ministro. E dos principais directores dos media. E do Bloco de
Esquerda e do CDS. E dos empresários do parecer – que não do fazer.
É uma geração que apenas teve sonhos de
desfrute ao contrário da outra que sonhou com a liberdade, o desenvolvimento e
a cidadania. É uma geração sem biblioteca, nem sala de aula mas com muita RGA e
café. É uma geração de amigos e conhecidos e compinchas e companheiros de copos
e de praia. É a geração da adolescência sem fim. Eu sei do que falo porque faço
parte desta geração.
Uma geração feita para as artes, para a
escrita, para a conversa, para a música e para a viagem. É uma geração de
diletantes, de amadores e amantes. Foi feita para ser nova para sempre e por
isso esgotou-se quando a juventude acabou. Deu bons músicos, bons actores, bons
desportistas, bons artistas. E drogaditos. Mas não deu nenhum bom político, nem
nenhum grande empresário. Talvez porque o hedonismo e a diletância, coisas boas
para a escrita e para as artes, não sejam os melhores valores para actividades
que necessitam disciplina, trabalho, cultura e honestidade; valores, de algum
modo, pouco pertinentes durante aqueles anos de festa.
Eu não confio na minha geração nem para
se governar a ela própria quanto mais para governar o país. O pior é que temo
pela que se segue. Uma geração que tem mais gente formada, mais gente educada
mas que tem como exemplos paternos Durão Barroso, Santana Lopes, José Sócrates,
Passos Coelho, António J. Seguro, João Semedo e companhia. A geração que aí vem
teve-nos como professores. Vai ser preciso um milagre. Ou então teremos que
ressuscitar os velhos. Um milagre, lá está.»
15 de dezembro de 2015
Grande Arnaldo Kim Il-sung Matos
«Não são fanáticos: são franceses patriotas em luta contra o imperialismo francês», acrescenta o líder do MRPP.
Mas o MRPP vai mais longe e diz-nos como entende a morte de uma centena de pessoas «que julgam ter o direito de se poderem divertir impunemente no Bataclan»: «atenção: não só não foi um massacre, como foi um acto legítimo de guerra». Aqui.
14 de dezembro de 2015
"Metro de Lisboa - A notícia que interessava: a que não foi feita"
A que, segundo o que Helena Matos diz, no Observador, seria esta (e eu estou de acordo com ela):
«Alguém sabe por que não houve
greve do Metro em Lisboa? Durante dias andámos às voltas com a contestação dos
maquinistas do Metro de Lisboa “a um conjunto de alterações
que representam um ataque aos direitos dos trabalhadores e a degradação da
qualidade do serviço prestado aos utentes“.
Mas quais eram essas alterações?
E em que consistia essa degradação? Nunca soubemos. A sindicalista Anabela
Carvalheira da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações
(Fectrans) e funcionária do Metro de Lisboa, nada disse e também ninguém lhe
perguntou. Depois a greve foi desconvocada. Novamente Anabela Carvalheira nos
deu os respectivos esclarecimentos em cifra, agora poética: “Chegámos a um entendimento. Somos todos pessoas sérias. Da
mesma forma que secretaria [de Estado] chegou a acordo [em relação] àquilo que
nós propusemos – e não trouxemos nenhum documento escrito –, da mesma forma
acreditamos nos interlocutores. Para nós vale a palavra, que foi coisa que não
tivemos nos últimos cinco anos”. É sem dúvida tocante que sejam
“todos pessoas sérias”.
Confesso que não percebo bem
a parte do “não trouxemos nenhum documento escrito” mas esta aversão a
documentos escritos parece agora fazer parte da linha oficial do PCP de cuja
Organização Regional de Lisboa (sector de Transportes) Anabela Carvalheira faz
parte há largos anos.
Já o secretário de Estado
Adjunto e do Ambiente, José Mendes, deu uma explicação que tanto serve para a
greve do Metro como para uma sessão de alinhamento dos chakras de um casal
desavindo: “Havia uma
espécie de um muro de silêncio. Os trabalhadores tinham alguma dificuldade em
fazer passar a sua mensagem, as suas reivindicações, e foi possível desde logo
abrir uma janela de diálogo e acordar com os sindicatos que vamos começar um
processo estruturado de negociações e de conversas que possa ajudar a que os
diferentes pontos de vista possam convergir para resolvermos os problemas”.
O ministro Vieira da Silva
alinhou pelo mesmo parâmetro do esotérico-afectivo: “O ministro do
Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, comentou esta segunda-feira,
a propósito da desconvocação da greve parcial pelos trabalhadores do
Metropolitano de Lisboa, que provavelmente os sindicatos têm mais abertura
perante este Governo.”
Sem querer desmerecer na
auto-estima de Vieira da Silva, nomeadamente na convicção que ele mostra nos
poderes da simpatia emanada pela sua pessoa e até percebendo eu a dificuldade
experimentada pelos sindicalistas em darem desgostos a um ministro que tem como
colega de executivo um membro do seu agregado familiar – quem sabe não se instala
um muro de silêncio à mesa do jantar? – o senhor ministro ou está a gozar
connosco ou está amnésico. Como eu quero acreditar na segunda hipótese, a
amnésia, recomendo ao senhor ministro Vieira da Silva e já agora também ao
senhor secretário de Estado do Ambiente, que tanta fé manifesta nas virtudes do
pensamento positivo aplicado às negociações com os sindicatos do sector dos
transportes, que releiam o Avante nº 1731 publicado a 1 de Fevereiro, de
2007 em que a sindicalista Anabela Carvalheira (what else?) explica porque
“desde Junho de 2006, ocorreram no Metropolitano de Lisboa dez greves”. Como o
agora ministro Vieira da Silva também era ministro nesse tempo não deve estar
esquecido dessa sucessão de greves, pois não?
Na verdade seja em 2006, 2007
ou 2015 nunca percebemos porque se fazem greves nas empresas públicas. Muito
menos porque são elas desconvocadas e convocadas outra vez. No meio da língua
de pau que rodeia as negociações sindicais em Portugal já nos aconteceu sermos
informados que um governo se comprometera a ceder a um grupo de trabalhadores
20% de uma empresa quando ela fosse privatizada – caso dos pilotos da TAP
versus ministro Cravinho em 1999 – ou que uma classe profissional extinta
continua a marcar as negociações laborais. É esse o caso fantástico dos
factores do Metro de Lisboa.
Lembram-se certamente do
tempo em que no Metro, em Lisboa – e nessa época só existia Metro em Lisboa –
um funcionário viajava dentro das carruagens? O dito funcionário, em cada
estação confirmava se já tinham saído e entrado todos os passageiros e, em
seguida, accionava o fecho da porta. Dir-me-ão que isso acontecia no tempo em
que a dona Gertrudes Tomaz inaugurava a árvore de Natal do São Jorge. Mais ou
menos. Um bocadinho para menos do que para mais: esses funcionários designados
factores sobreviveram até 1995. Ou seja os factores deixaram oficialmente de
existir no ano em que Ieltsin e Clinton negociavam em Moscovo, se criava o
Espaço Schengen, era lançado o Internet Explorer 1, Bobby Robson era o treinador
do Futebol Club do Porto.
Como se vê o mundo mudou
muito nestes vinte anos, nem sempre para melhor mas mudou. Excepção feita aos
factores do Metropolitano de Lisboa, que se tornaram num caso de espiritismo no
mundo dito do trabalho pois se algum ingénuo pensou que extinta a função se
acabavam os encargos com novos factores desiluda-se: os maquinistas do Metro
passaram a receber uma remuneração extra (entre 317 euros e 475,50 euros
mensais) pela abertura e fecho das portas das composições.
Mas não só. Os desaparecidos
factores são sempre invocados nos acordos de empresa para explicar porque
hão-de trabalhar ainda menos tempo os maquinistas. É preciso ter em conta que o
horário de trabalho dos maquinistas do Metro de Lisboa está dividido em dois
turnos. Mas só num deles os maquinistas dirigem as composições. Na outra metade
o maquinista fica na situação de reserva, e pode, quando muito, assegurar
manobras das composições nos cais terminais. O que nos leva à pergunta: porque
afecta então o Metro de Lisboa tanto maquinista exclusivamente a manobras
quando tem todos os dias dezenas de maquinistas parados no cumprimento do seu
segundo turno? Não se sabe e também ninguém pergunta.
Mas voltemos aos factores
oficialmente desaparecidos em 1995 pois, para lá de terem valido um subsídio
para abrir e fechar porta, também caucionam uma redução dos já reduzidos turnos
dos maquinistas do Metro de Lisboa. Como bem explicava a “camarada Anabela
Carvalheira” no Avante em
2007: “Antes de 1995, quando ainda circulava um
maquinista com um factor, já havia, por motivos de segurança, um limite de
quatro horas, para a duração máxima de um período de trabalho, numa jornada de
7,5 horas. Ao passar ao regime de agente único, foi acordada com a empresa a
redução desse limite para três horas, pois o maquinista passava a circular
sozinho, numa tarefa no subsolo, desgastante, muito rotineira e que exige
extrema concentração.” Camarada Anabela Carvalheira, face a este
argumentário só podemos dar graças por nunca termos tido composições puxadas a
mulas porque ainda hoje tínhamos o subsídio dos arreios e a compensação horária
devida aos maquinistas pela angústia gerada pela substituição do animal pela
máquina!
Feitas as contas não se sabe
se não teria sido melhor manter os factores e sempre se ganhava em factor
humano. Hoje é motivo de festa encontrar um funcionário do Metro, seja qual for
a sua categoria, em muitas das estações (recomendo as de Chelas e do Alto dos
Moinhos!) e, mais raro ainda, que uma vez avistado, o funcionário em causa
considere caber nas suas funções atender os passageiros. Mas o espiritismo
laboral dos factores é apenas uma das muitas coisas que devíamos perceber
melhor no fabuloso mundo das empresas públicas de transportes.
No caso dos maquinistas do Metro de Lisboa estes além do que recebem extra para
verificarem o fecho e a abertura das portas das carruagens também têm subsídio
de quilometragem. Não, não é um prémio por trabalharem muito é simplesmente um
subsídio por fazerem aquilo que se propuseram quando se tornaram maquinistas:
fazer andar as carruagens. Note-se que caso não façam quilómetros também têm
direito a um subsídio de quilometragem. Este naturalmente fixo.
Os trabalhadores do Metro têm
prémio por assiduidade e também prémio por receberem prémio de assiduidade.
Tantas são as hipóteses de faltar que não comprometem o usufruto do prémio de
assiduidade mais o prémio por receber o prémio de assiduidade que se é levado a
concluir que só não recebem esses prémios os trabalhadores do Metro que
enviarem uma carta com assinatura reconhecida notarialmente dizendo “hoje não
vou trabalhar porque não me apetece.”
Apesar de uma das horas de
maior fluxo de passageiros ser a que decorre das sete às oito da manhã os
maquinistas e demais trabalhadores do Metro de Lisboa apenas iniciam
remuneratoriamente falando o seu dia normal de trabalho às 8h o que se traduz
por até essa hora receberem o respectivo vencimento mais um acréscimo de 25% da
retribuição…
O levantamento dos subsídios
e prémios atribuídos pelo Metro de Lisboa nos acordos de trabalho é uma tarefa
morosa a que me dedicarei numa qualquer noite de insónia. Mas a leitura desses
acordos e da maioria dos textos que povoam o Boletim do Trabalho e Emprego é um dos exercícios mais
esclarecedores a que qualquer mortal deste país pode meter mãos. Sobretudo se o
mortal em causa acalentar qualquer ilusão sobre ver diminuir a carga fiscal e o
Estado particularmente o seu sector empresarial reformar-se.
E sobretudo percebemos melhor
o que nos está a acontecer. O que está a acontecer em Portugal é simplesmente a
tomada do poder pelas corporações que vivem do Estado e dentro do Estado. Os
seja, as corporações que, aconteça o que acontecer, desde avanços tecnológicos
a reestruturações de serviços, estão sempre blindadas e preservadas de qualquer
mudança. Cada uma delas arranjará sempre a figura do factor para justificar o
injustificável.
Terminado o PREC, houve que
mandar os militares para os quartéis. Terminado este governo de António Costa
não sei se haverá capacidade e líderes para enfrentarem as corporações que
claramente estão a ganhar (ainda) mais terreno dentro do aparelho de Estado e
na direcção dos partidos. A única certeza que tenho é que o factor continuará
sempre a existir nos acordos do Metro de Lisboa.»
12 de dezembro de 2015
11 de dezembro de 2015
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