12 de dezembro de 2015
11 de dezembro de 2015
10 de dezembro de 2015
AVANTE, CAMARADAS!
(imagem recolhida aqui)
A CGTP fará valer a justa luta dos trabalhadores contra a miséria dos 530€ de salário mínimo, que lhes foram impostos pelos traidores. Pelos 535€! Até à vitória final!!!
Ashraf Fayad - PETIÇÃO URGENTE!!!
Caros
confrades
Convido-vos a assinar esta petição.
Será
pouco, mas façamo-lo. Ergamos assim a nossa voz e o nosso gesto contra a violência
infame, a brutalidade fanática e a cínica estupidez dum Estado abusador.
E
quem sabe se conseguiremos subtrair à morte este nosso confrade! O intuito será
esse.
Peço-vos ainda que suscitem para esse gesto, também, os vossos amigos e
conhecidos. À guisa de uma legítima bofetada na face da morte!
Obrigado.
Arabia Saudí ordena la ejecución del
poeta palestino Ashraf Fayad por renegar del Islam
Fayad ha sido condenado a
muerte por un tribunal de Arabia Saudí por apostasía —es decir, negación del
Islam—, cargo que el autor ha desmentido de manera categórica.
La
verdadera causa parece ser la crítica que encierra su libro Instrucciones
en el interior (2008), su influyente posición en la renovación del
arte saudí y, también, que grabó imágenes de torturas por parte de la policía
religiosa del régimen. Durante el proceso, se ignoró su derecho a disponer
de un abogado, y el juez ni siquiera habló con él. Las
discriminaciones y el maltrato procesal son habituales en Arabia Saudí con
los refugiados palestinos como Fayad.
Riad ha
aplicado la pena capital a más de 151 personas este año, la mayoría por
decapitación, convirtiéndose en uno de los mayores ejecutores a nivel mundial.
Esta cifra supera ya el total de ejecuciones registradas en un solo año en
el reino árabe en 1995.
Bajo la
ley saudí, los delitos como violación, asesinato, apostasía, robo a mano armada
y tráfico de drogas pueden ser castigados con pena de muerte, y varias personas
han sido ejecutadas también por acusaciones de brujería.
El Movimiento
Poetas del Mundo ha lanzado una campaña para salvar a nuestro poeta,
miembro honorífico de nuestra organización que cuenta en sus filas con 46
poetas palestinos y con más de nueve mil poetas a nivel mundial.
LLAMAMOS
A TODOS NUESTROS MIEMBROS A FIRMAR LAS PETICIONES QUE CIRCULAN PARA SALVAR LA
VIDA DE NUESTRO COMPAÑERO
Aschraf
Fayad - Palestina
Miembro
honorífico de Poetas del Mundo
Signez la
pétition :
Amnesty
international : Save the palestinian poet and artist Ashraf Fayadh
VER VÍDEO:
9 de dezembro de 2015
Da importância do exame do 4º Ano - ou Da aritmética doutrinária
Lemos e ouvimos várias vezes, desde há uns dois anos, na Comunicação Social (seja lá o que for que por isso se entenda) que cerca de 60% dos trabalhadores portugueses recebem o salário mínimo.
Ainda segundo a dita cuja, actualmente o número de reformados e aposentados, três milhões e tal, é pouco inferior ao número de trabalhadores no activo.
Ainda segundo a dita cuja, actualmente o número de reformados e aposentados, três milhões e tal, é pouco inferior ao número de trabalhadores no activo.
Assentemos então em que estes sejam quatro milhões. O que equivale a dizer que o número de trabalhadores no activo que recebe os 500 euritos é de dois milhões e quatrocentos mil.
Uma miséria. Proporcional à indigência da "esmagadora maioria" das empresas que constituem o tecido económico português.
Só isso explica, aliás, o El Dorado dos 600 euritos para daqui a 4 anos de risonha e cantante governança socialista.
Hoje, porém, a Comunicação Social (seja lá o que for que por isso se entenda), fazendo-se reflexo sonoro e visual de tanta folia popular, noticiava que a fartazana dos 30 euritos previstos para os próximos 366 dias irá para o meio milhão de neofelizardos que ganha presentemente o salário mínimo.
Ora meio milhão são quinhentos mil. E quinhentos mil não são 60% de quatro milhões: são 12,5%.
O que significa que, afinal, apenas 12,5% dos trabalhadores portugueses ganha o salário mínimo.
Eu sei, todos sabemos, aliás, que a "esmagadora maioria" dos cursos universitários da área de Humanidades (seja lá o que for que por isso se entenda) e afins é frequentada, na sua "esmagadora maioria" por gente que só está nesses cursos para "fugir à matemática", gente incapaz de efectuar correctamente uma operação básica de aritmética sem recorrer à calculadora.
Mas, em prol da honestidade profissional e do bem público, não se pode admitir tanta leveza e desleixo nos que nos dão conta do mundo em que vivemos.
Admitindo, é claro, que nada mais os motiva e esclarece também na tarefa missionária de informar os seus concidadãos...
7 de dezembro de 2015
Trump: Reagan II ?
Seria muito interessante se Trump ganhasse as eleições para Presidente dos EUA.
Seria muito interessante que um empresário, capitalista, milionário, bilionário, zilionário, ganhasse as eleições para tratar do país à moda do capitalismo: cada qual que trate de si. Para governar como qualquer governo deve governar: tratar do essencial da justiça, defesa e segurança e, relativamente à economia, sair pura e simplesmente do caminho.
Mas, e o estado não deve "zelar" pela economia? Deve. E a melhor forma de zelar por ela é sair do caminho fugindo dela a sete pés.
Mas, e um empresário a mandar na política? Bem, não quiseram fazer do estado o timoneiro da economia? Ninguém melhor que um empresário para o fazer porque ninguém melhor que ele sabe que, pela economia, basta que o estado fique longe dela.
Uma boa medida inicial seria acabar com a nefasta influência dos bancos centrais na determinação da taxa de juro.
2 de dezembro de 2015
Do matarruanismo politicamente correcto
Assino a newsletter do Observador. E julgo que aquela que me foi enviada há pouco, redigida por José Manuel Fernandes, tem importância mais do que suficiente para que a sua divulgação seja um dever moral de qualquer cidadão. Aqui a deixo.
Os novos censores
e os novos caceteiros, ou os limites da liberdade de expressão
O
pretexto próximo deste Macroscópio é um título que saiu há dias num cantinho da
primeira página do Correio da Manhã. Um título que rezava assim: Integração – Costa
chama cega e cigano para o Governo. De
imediato se desencadeou uma tempestade e, passados alguns dias (horas?), o
número de queixas apresentado na Entidade Reguladora da Comunicação Social
(ERC) aproximou-se das duas centenas. É sabido que o Correio da Manhã anda
muitas vezes no fio da navalha entre o que tolerável e o que é intolerável em
jornalismo (já depois deste episódio a CMTV passou, na minha opinião, bem para
lá dessa fronteira com a reprodução das gravações vídeo dos interrogatórios a
Miguel Macedo, mas essa é uma outra discussão que talvez um dia mereça atenção
nesta newsletter), mas é difícil ver a razão de tanta indignação com aquele
título.
Devo dizer que tudo me teria passado despercebido não fosse a última crónica de João Pereira Coutinho numa edição posterior do mesmo jornal, intitulada A cegueira das patrulhas. Depois de recordar que nesse mesmo Governo de António Costa também se podia chamar a atenção para a novidade de uma negra ou mesmo para a ascendência goesa do primeiro-ministro, o cronista atira-se ao pensamento politicamente correcto: “Na histeria de censurar palavras para defender a ‘sensibilidade’ dos outros, as patrulhas não reconhecem aos outros ‘autonomia’ ou ‘racionalidade’ para se sentirem, ou não, ofendidos. Para os 175 queixosos, os deficientes não são deficientes; são espécies em risco, que devem viver em ‘habitat’ protegido.”
Sem qualquer referência a este episódio, um outro cronista, Henrique Monteiro, escrevia ontem no Expresso sobre o mesmo tema: A deriva censória do ‘politicamente correto’ (link para assinantes). Partindo de um texto de Edward Luce no Financial Times (a que já iremos), o antigo director do Expresso nota como é virtualmente impossível levantar a menor das dúvidas sobre os objectivos da Cimeira de Paris dedicada às alterações climáticas, mesmo havendo quem as tenha e seja gente cientificamente qualificada. Cita a seguir vários exemplos de censura em universidades norte-americanas, exemplo que mostram bem o exagera a que se chegou: “A fúria contra o que no passado se fez vai mais longe. Livros como ‘Metamorfoses’, clássico latino de Ovídio, é desaconselhado por descrever violações; ‘O Mercador de Veneza’, de Shakespeare, por ser ‘anti-semita’ ou até os mais recentes ‘Grande Gatsby’, de Scott Fitzgerald, ou ‘Não Matem a Cotovia’, de Harper Lee, por serem misógino (o primeiro) ou paternalista (o segundo).”
Vamos então ver o que escreveu Edward Luce no Financial Times, em The rise of liberal intolerance in America (sublinhe-se que “liberal” é a forma como nos Estados Unidos se classifica a esquerda mais assumida). Vejamos o seu ponto: “I tought to be a triumphal moment for American liberalism. In the space of a few years gay marriage has been accepted, marijuana has been legalised, America has twice elected its first black president and may well be gearing up to elect its first woman. Yet the revival of political correctness on US campuses — and the increasingly shrill tone of much of the intellectual left — tells another story. Instead of championing free speech, the left is trying to shut it down. In the name of diversity, it demands conformity. At stake is the character of US democracy. If elite Ivy League schools cannot stand the heat, what kind of kitchen will it be?”
Os exemplos alinhados por Edward Luce são numerosos e, no fundo, são a tradução prático do que indica uma sondagem recente (Outubro) sobre o que pensam os estudantes do ensino superior nos Estados Unidos, e que é bastante perturbadora: 51% of students support speech codes, 33% unfamiliar with 1st Amendment. “Speech codes” são regras sobre o que se pode dizer ou não dizer; e a 1ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos é aquela onde se estabelece que o Congresso não poderá fazer qualquer lei que de alguma forma limite a liberdade de expressão. Ora “The report found that 51 percent of millennials on college campuses support their school having speech codes to regulate speech for students and faculty, and another 63 percent favor professors employing “trigger warnings” to alert students of material that could upset them. A shockingly high 33 percent could not identify the First Amendment as part of the Constitution that supported free speech. Similarly, 35 percent said that the “hate speech” was not protected. Nearly a third of self-identified liberal students said the First Amendment is outdated.”
A edição de Novembro da New Criterion, citada no Wall Street Journal, considerava que estes resultados reflectem uma situação que terá consequências para a liberdade: “With the assault on free speech and the First Amendment proceeding apace in institutions once dedicated to robust intellectual debate, it is no wonder that there are more and more calls to criminalize speech that dissents from the party line on any number of issues, from climate change to race relations, to feminism and sex.”
Como os leitores do Macroscópio já sabem, ou imaginarão, esta situação não é nova nos campus universitários norte-americanos, mesmo nos mais prestigiados. Inúmeros artigos têm manifestado, nos últimos anos, grande preocupação com esta situação. Alguns exemplos, uns recentíssimos, outros mais antigos:
Devo dizer que tudo me teria passado despercebido não fosse a última crónica de João Pereira Coutinho numa edição posterior do mesmo jornal, intitulada A cegueira das patrulhas. Depois de recordar que nesse mesmo Governo de António Costa também se podia chamar a atenção para a novidade de uma negra ou mesmo para a ascendência goesa do primeiro-ministro, o cronista atira-se ao pensamento politicamente correcto: “Na histeria de censurar palavras para defender a ‘sensibilidade’ dos outros, as patrulhas não reconhecem aos outros ‘autonomia’ ou ‘racionalidade’ para se sentirem, ou não, ofendidos. Para os 175 queixosos, os deficientes não são deficientes; são espécies em risco, que devem viver em ‘habitat’ protegido.”
Sem qualquer referência a este episódio, um outro cronista, Henrique Monteiro, escrevia ontem no Expresso sobre o mesmo tema: A deriva censória do ‘politicamente correto’ (link para assinantes). Partindo de um texto de Edward Luce no Financial Times (a que já iremos), o antigo director do Expresso nota como é virtualmente impossível levantar a menor das dúvidas sobre os objectivos da Cimeira de Paris dedicada às alterações climáticas, mesmo havendo quem as tenha e seja gente cientificamente qualificada. Cita a seguir vários exemplos de censura em universidades norte-americanas, exemplo que mostram bem o exagera a que se chegou: “A fúria contra o que no passado se fez vai mais longe. Livros como ‘Metamorfoses’, clássico latino de Ovídio, é desaconselhado por descrever violações; ‘O Mercador de Veneza’, de Shakespeare, por ser ‘anti-semita’ ou até os mais recentes ‘Grande Gatsby’, de Scott Fitzgerald, ou ‘Não Matem a Cotovia’, de Harper Lee, por serem misógino (o primeiro) ou paternalista (o segundo).”
Vamos então ver o que escreveu Edward Luce no Financial Times, em The rise of liberal intolerance in America (sublinhe-se que “liberal” é a forma como nos Estados Unidos se classifica a esquerda mais assumida). Vejamos o seu ponto: “I tought to be a triumphal moment for American liberalism. In the space of a few years gay marriage has been accepted, marijuana has been legalised, America has twice elected its first black president and may well be gearing up to elect its first woman. Yet the revival of political correctness on US campuses — and the increasingly shrill tone of much of the intellectual left — tells another story. Instead of championing free speech, the left is trying to shut it down. In the name of diversity, it demands conformity. At stake is the character of US democracy. If elite Ivy League schools cannot stand the heat, what kind of kitchen will it be?”
Os exemplos alinhados por Edward Luce são numerosos e, no fundo, são a tradução prático do que indica uma sondagem recente (Outubro) sobre o que pensam os estudantes do ensino superior nos Estados Unidos, e que é bastante perturbadora: 51% of students support speech codes, 33% unfamiliar with 1st Amendment. “Speech codes” são regras sobre o que se pode dizer ou não dizer; e a 1ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos é aquela onde se estabelece que o Congresso não poderá fazer qualquer lei que de alguma forma limite a liberdade de expressão. Ora “The report found that 51 percent of millennials on college campuses support their school having speech codes to regulate speech for students and faculty, and another 63 percent favor professors employing “trigger warnings” to alert students of material that could upset them. A shockingly high 33 percent could not identify the First Amendment as part of the Constitution that supported free speech. Similarly, 35 percent said that the “hate speech” was not protected. Nearly a third of self-identified liberal students said the First Amendment is outdated.”
A edição de Novembro da New Criterion, citada no Wall Street Journal, considerava que estes resultados reflectem uma situação que terá consequências para a liberdade: “With the assault on free speech and the First Amendment proceeding apace in institutions once dedicated to robust intellectual debate, it is no wonder that there are more and more calls to criminalize speech that dissents from the party line on any number of issues, from climate change to race relations, to feminism and sex.”
Como os leitores do Macroscópio já sabem, ou imaginarão, esta situação não é nova nos campus universitários norte-americanos, mesmo nos mais prestigiados. Inúmeros artigos têm manifestado, nos últimos anos, grande preocupação com esta situação. Alguns exemplos, uns recentíssimos, outros mais antigos:
- Unlearning
Liberty: Campus Censorship and the End of American Debate, onde
pode assistir a um debate realizado no Cato Institute em torno do livro de
Greg Lukianoff que tem precisamente o título acima referido. Mote: “If
we don’t teach our children the value of free and open intellectual debate
in our institutions of higher education, Lukianoff asks, then when will
they ever learn?”
- That’s Not Funny!
- Today’s college students can’t seem to take a joke, uma
reportagem da The Atlantic do passado mês de Setembro onde se conta como
até um certo tipo de humor começou a ser banido dos espaços universitários.
Ao relatar o comportamento de um humorista, a revista nota: “He would
not tell the jokes that kill at the clubs. He would not do the bit that
ends with him offering oral sex to the magician David Copperfield, or the
one about a seductive woman warning him that she might be an ax murderer,
or the one about why men don’t like to use condoms. Those jokes include
observations about power and sex and even rape—and each, in its
complicated way, addresses certain ugly and possibly immutable truths. But
they are jokes, not lessons from the gender-studies classroom. Their first
objective is to be funny, not to service any philosophical ideal.” Só
que “These young people have decided that some subjects—among them rape
and race—are so serious that they shouldn’t be fodder for comics.”
- Free speech is
flunking out on college campuses, um texto de Outubro de
Catherine Rampell no Washington Post onde, depois de recordar casos bem
conhecidos – como a retirada de convites para conferências a pessoas como
Christine Lagarde, Condoleezza Rice ou Ayaan Hirsi Ali por causa das
ideias que defendem ou defenderam – se conta como na Universidade de
Wesleyan, no Connecticut, o jornal do campus, velho de 150 anos, viu o seu
financiamento ser cortado apenas por ter publicado um artigo de opinião
considerado conservador.
- Trouble on campus:
the rise of ban-happy student leaders, uma peça do Telegraph
onde se conta como Germaine Greer, uma feminista, foi quase impedida de
participar numa conferência na Universidade de Cardiff apenas porque acha
que um homem que se submete a uma operação de mudança de sexo não
passa por isso a ser uma mulher. Nesse atigo dão-se muitos outros exemplos
de como o fenómeno já não é apenas “uma coisa de americanos”, antes se
propagou às mais prestigiosas universidade do Reino Unido.
- Why are
student-union officials censoring criticism of Islamic State?,
de Brendan O'Neill na Spectator é quase uma decorrência da referência
anterior e conta como acabou por ser proibida uma conferência de um
estudante que tinha lutado ao lado dos curdos contra o Estado Islâmico com
base no argumento de que a outra parte também deveria estar presente.
Poderia continuar a citar mais textos e mais exemplos, mas julgo que o ponto está demonstrado: a agressividade de um certo politicamente correcto está a tornar-se ou uma séria ameaça à liberdade, ou criando situações que parecem querer renegar a nossa cultura em nome de uma tolerância que acaba por ser, antes de tudo o mais, intolerante. Sendo que se tem espalhado pela Europa sob a mais diversas formas, e ainda agora estamos a assistir a um debate bem significativo em Itália, onde o director de uma escola decidiu proibir o habitual concerto de Natal para não ofender a pequena minoria de estudantes de origem muçulmana.
Em Portugal também já assistimos a situações em que, pela intimidação, se procuram calar vozes discordantes (Henrique Monteiro, no seu texto que já citámos, refere-se a quem vem à caixa de comentários dos seus textos sugerindo o seu despedimento, e todos sabem que Isabel Jonet, por exemplo, não pode abrir a boca sem que lhe caia meio mundo em cima…). Um dos melhores veículos para exercer essa intimidação é utilizando as redes sociais, como notou Isabel Stilwell no jornal I, em A nova censura das redes sociais. Aí conta como pensou escrever sobre três figuras públicas – Cavaco Silva, José Rodrigues dos Santos e Pe. Portocarrero de Almada – e acabou por não o fazer, a conselho dos filhos e de amigos, para não ser, mais uma vez, insultada nas redes sociais. E conclui: “Decididamente, este novo mundo virtual em que se difama e insulta, a coberto do anonimato e fora da lei, atenta contra a liberdade de expressão. E não fica assim tão longe do lápis azul.”
Julgo que todos os que frequentam as caixas de comentários dos jornais ou têm contas numa rede social compreenderão Isabel Stilwell. O que antes vos deixei parece indicar que a pressão censória não se limita a vozes anónimas ou desqualificadas, antes está a penetrar lugares que historicamente sempre se dedicaram ao debate de ideias e à descoberta do inesperado, do que é novo e diferente e, tantas vezes, do que é capaz de fazer cair certezas.(…)»
1 de dezembro de 2015
30 de novembro de 2015
"A nova ordem nacional"
(imagem recolhida aqui)
E eis que o meu fígado ficou eternamente grato a Alberto Gonçalves:
«Recapitulemos. A 4 de Outubro, a vitória da
coligação de "direita" e da "austeridade" provou que o povo
é masoquista e retardado. Horas depois, ou o tempo necessário para contar os
deputados, apurou-se que afinal a maioria do povo derrotou a
"austeridade" nas urnas e concluiu-se, com alívio, que o povo
masoquista e retardado é minoritário. O exercício, então, consistiu em parodiar
na internet e na nobre arte do comentário político a falta de competência
aritmética da "direita", já que 122 lugares na AR são mais do que 107
- "Qual é a parte que não percebem?", repetia-se por aí. Dada a
suprema importância dos parlamentares, exigia-se que o PR indigitasse a aliança
de esquerda sem ouvir nenhum. Enquanto isso, insultava-se "o Cavaco",
que por sua vez indigitou Passos Coelho. Derrubado Passos Coelho, reclamou-se a
nomeação imediata do Dr. Costa, ameaçou-se com baderna pública e decidiu-se que
"o Cavaco", entretanto ocupado a receber meio mundo, não respeita a
Constituição e o eleitorado, embora o homem agisse de acordo com a primeira e
tivesse sido eleito em duas ocasiões pelo segundo (a parcela masoquista e
retardada). Tudo, da sagrada "lei fundamental" à plebe, existe apenas
para ser torcido a benefício da vanguarda esclarecida.
Hoje, com a cedência do PR à piedosa mentira da
"inevitabilidade" do governo PS, enterrou-se (entre insultos) "o
Cavaco" e passou-se a biografar os membros da coisa como se os ditos
fossem para levar a sério. Não são. Desde logo, são, sem excepção ou dúvida,
cúmplices de uma golpadazita - inteiramente "conchcinal", dirá o Dr.
Costa -, o que por si define o respectivo carácter. À lupa, são no máximo
antigos serviçais da autarquia, zombies "socráticos",
favores, flores, emissários de interesses, em suma ninguém. Dissecar o
currículo formal de cada um, mesmo agrupando os diversos agregados familiares
que por lá andam, tem utilidade reduzida e não será grande contributo para prever
o futuro e a essência do novo tempo, do novo homem, enfim da nova ordem
emergente. A nova ordem está nos pormenores, e nem se esgota no rancho que
tomou posse há dias.
Está, por exemplo, num primeiro-ministro que troca o jargão
político por um jargão pessoal vagamente aparentado ao português (se ler
conforme fala, o "brilhante negociador" ainda irá a meio do clássico Anita Vai ao
Circo). A nova ordem está num ministro das Finanças que parece
saído dos flashbacks deFamily Guy e entrado no circo a que a Anita foi.
Está num candidato presidencial oficioso que promete "puxar por
Portugal" e, juro pela minha saudinha, ser "um saca-rolhas".
Está no ex-governante suspeito de múltiplos crimes que palmilha o território
nacional em missão evangélica. Está numa ex-ministra da Cultura, e vibrante
entusiasta da "situação", que avisa no Twitter: "Há [sic] direita
prefere-se que não se emitam opiniões." Apesar disso, é "há"
esquerda que as opiniões incomodam mais.
A nova ordem está na fresquíssima secretária de Estado da
Igualdade ou da Fraternidade, que em tempos explicou no Facebook: "Como
sabem eu [sic] não tenho por hábito fazer
sensura [sic], mas não tulero [sic] insultos
(...)". E está no sensor, perdão, censor que saltitou da ERC para a tropa,
com escala pedagógica a norte. E está na sugestão do Sr. Seixas da Costa,
personalidade conhecida por zelar pela educação parisiense do Eng. Sócrates e
por se indignar com a falta de "estrelas" Michelin em Portugal:
"A ideia não será popular, mas não seria a ocasião para se introduzir uma
transparência total nas redes sociais acabando com o anonimato?" E está no
assombroso Dr. Ferro. E no nobilíssimo Dr. César dos Açores. E em sujeitos que
passeiam títulos e pêlos nas orelhas em simultâneo. Quem é essa gente, Deus do
céu?
Não vou ao ponto de dizer que a nova ordem é a consagração dos
clientes da taberna: é a consagração dos indivíduos que, expulsos da taberna,
desataram a frequentar caves maçónicas compatíveis com o seu nível. Privados de
uma reles ideia, a não ser a da impunidade "natural", exibem
petulância directamente proporcional à rudeza que os define. Por cá, a espécie
é igualmente apelidada de "elite". E ninguém se ri, até porque dá
vontade de chorar.
Ao que tudo indica, a "direita" ficou sinceramente
escandalizada com a jovialidade com que o PS traiu os próprios
"princípios", aliou-se às beatas de Lenine e, após 40 anos de ténue
civilização, enxovalhou a data fundadora do regime. Ou a "direita"
perde a virgindade ou não volta a levantar-se. O único "princípio" do
PS é a convicção profunda e feroz de que nasceu para mandar nisto, custe o que
custar. E, se custa muito resignarmo-nos à arrogância de rústicos, a eles custa
pouco partilhar o poder com quem partilha a descrença na democracia e a crença
na superioridade inata. Só espanta que o arranjinho demorasse tanto. A nova
ordem, feita de brutalidade, retórica de 4.ª classe (sem exame), intolerância,
comparsas, falências, delírios, respeitinho e a terminal anexação do país pelo
Estado, é um projecto velho.»
29 de novembro de 2015
António Costa, candidato ao trono
Hoje, primeiro-ministro-à-força de Portugal, príncipe da calinada gramatical e da dicção trôpega. Mas também já candidato ao trono europeu do disparate trafulha.
27 de novembro de 2015
24 de novembro de 2015
"Como sobreviver à divina comédia de esquerda?"
Goya, Capricho nº 42
É o título deste artigo de opinião de Henrique Raposo, no Expresso, de mui deliciosa e terapêutica leitura.
23 de novembro de 2015
Da poesia fala o poeta - 4
João Garção (n. 1968)
Poeta, pintor, ensaísta e professor. Foi
futebolista profissional (guarda-redes) na Académica de Coimbra. Autor de “Sobre
Raul Proença”, “Pequenos ensaios” e “Os versos do Zé Povão”. No prelo, com chancela da “Apenas Livros”,
sairá em breve “O teatro surrealista em Portugal”, com prefácio de António
Cândido Franco.
Do poeta diz o poema.
AGUARELA
Na minha terra,
quando eu era pequeno
havia montanhas
altas com bosques e recantos
pelo menos um
Oceano com piratas e segredos
e muitas outras
coisas que se transfiguravam
Os heróis eram
altos, atléticos, usavam duas cores
e parece que
havia uns outros sobrados da Grande Guerra
A velhota gorda
que vendia castanhas no largo do Rossio
pertencia a uma
misteriosa quadrilha francesa
falava alto,
tratava os fregueses pelo nome
aparecia e
desaparecia consoante era Inverno ou Verão
No dia de Santos
o gajo das barbas (que tinha um tesouro escondido)
dava-nos nozes,
se lhe batíamos à porta
e havia alguns,
corajosos, que batiam
Havia um
espanhol que era barbeiro
mas as tesouras
cantavam em português
Os polícias
passavam, nas tardes de Primavera
muito suaves,
devagarinho, rua do Comércio abaixo
quando não era
pela Corredoura acima
Pareciam anjos
vestidos de azul claro
Só muito mais
tarde notei que usavam cassetete
Como eu gostava
da Escola! E ainda por cima
os professores
era tudo gente esperta
Não havia, que
eu soubesse, pessoas infelizes
e os bandidos só
faziam serviço no “Tintin”
ou nos filmes
(poucos) da televisão
Mas as coisas,
como nas fitas, parece que às vezes
andam demasiado
depressa.
Os heróis – os
mais velhos morreram –
tinham estado,
coitados, com o Milhões na França
e os que eram às
cores transformaram-se em futebolistas
com o remate
trocado
A mulher das
castanhas foi um ar que lhe deu:
finou-se com um
colapso e era avó de três netos
como ela
trabalhadores da fábrica da rolha
Os anjos que
eram polícias já só andam de carro
e um deles até
me ofendeu, um dia, junto a um Bar
Alguns dos
professores ficaram com orelhas de burro
E nesta coisa de
crescer, o que mais (juro-vos) me dana
é que agora
corto o cabelo num cabeleireiro de homens
que
competentemente me afeita (enquanto leio o jornal)
com um aparelho
que rosna como um rafeiro sem classe.
22 de novembro de 2015
Pode Obama evitar que este jovem seja decapitado?
(Ali Mohamed al-Nimr tinha 17 anos quando
foi preso. A pena de morte pode ser- lhe aplicada a qualquer momento) - recolhido no Observador
Ali Mohamed al-Nimr, um jovem de 21 anos da Arábia Saudita, foi
condenado a ser decapitado e crucificado em público. A sentença deveu-se
à sua participação numa manifestação que ocorreu na cidade de
Qatif. Os manifestantes defendiam a igualdade de direitos entre a
população xiita, a que al-Nimr pertence, e a população sunita, que
constitui a maioria no país.
Na primeira entrevista da sua mãe aos media estrangeiros, relatada pelo
jornal inglês The Guardian, Nusra al-Ahmed qualifica a pena imposta ao seu
filho como “selvagem” e vinda “da idade das trevas”. Nusra al-Ahmed acusou
ainda as autoridades sauditas de terem torturado o seu filho na prisão:
Quando visitei o meu filho pela primeira vez não o reconheci.
Não sabia se [a pessoa que visitei] era realmente o meu filho ou não. Via
claramente que tinha uma ferida na testa, outra no nariz. Desfiguraram-no.
Até o corpo, [que] estava excessivamente magro. [Quando] comecei a falar com
ele [disse-me que] durante o interrogatório [foi] pontapeado, deram-lhe
estaladas, os seus dentes caíram, claro… [e] urinou sangue durante um mês.
Agora, a mãe do condenado implora ao presidente norte-americano Barack
Obama que o salve, fazendo uso da sua popularidade e das estreitas relações
entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita. “[Obama] é o líder deste mundo (…)
pode interferir e salvar o meu filho (…) Eu e o meu filho não temos nenhuma
importância neste mundo mas apesar disso, se ele assumisse este ato (…)
estaria a salvar-nos de uma grande tragédia”.
Nusra al-Ahmed, que segundo relata o Guardian acredita que a pena foi
imposta ao filho para o punir pela sua fé xiita, mostrou-se ainda
indignada com a pena:
Nenhum ser humano são e normal daria esta sentença a uma criança de 17 anos
[Ali Mohamed al-Nimr tinha 17 anos quando foi preso pelas autoridades do país].
Não derramou qualquer sangue, não roubou propriedade nenhuma. Onde foram buscar
isto? À Idade das Trevas?
A decisão do Supremo Tribunal da Arábia Saudita tem motivado críticas, vindas
de vários pontos do globo. Entre os grupos de direitos humanos mais críticos da
situação encontram-se a Amnistia Internacional e a Reprieve, uma organização
britânica cuja missão diz ser “ajudar as pessoas que sofrem abusos extremos de
direitos humanos às mãos dos governos mais poderosos do mundo”.
No Reino Unido, o primeiro-ministro David Cameron apelou na passada semana
ao rei da Arábia Saudita para não aplicar a pena de decapitação e
crucificação a Ali Mohamed al-Nimr. E, esta terça-feira, anunciou ter
retirado uma proposta de quase 8 milhões de euros que havia feito à Arábia
Saudita para um programa de treino aos guardas prisionais do país. A
decisão também se deveu à retenção do pensionista britânico Karl Andree numa
prisão da Arábia Saudita por posse de álcool: um caso que tem preocupado o governo britânico.
A embaixada da Arábia Saudita no Reino Unido já reagiu ao que classifica
como “interferências em assuntos internos” do país, lançando um comunicado onde
repudia a interferência do Reino Unido no sistema judicial “independente e
imparcial” do “estado soberano” da Arábia Saudita.
E para este condenado, vejamos o
poema de Mário Cesariny:
O HERÓI
Herói é o
meu nome.
Meu olhar
frio, arguto
Não vê coisa que o dome.
Meu esforço rude e sano
Não desmaia um minuto.
Não vê coisa que o dome.
Meu esforço rude e sano
Não desmaia um minuto.
Sou herói
todo o ano.
Quando
passar por vós, naturalmente,
com este meu ar simples e no entanto diferente
e no entanto diferente do ar do resto da gente
não digais: é fulano.
Dizei: é o Herói.
com este meu ar simples e no entanto diferente
e no entanto diferente do ar do resto da gente
não digais: é fulano.
Dizei: é o Herói.
O herói,
simplesmente.
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