Hoje, primeiro-ministro-à-força de Portugal, príncipe da calinada gramatical e da dicção trôpega. Mas também já candidato ao trono europeu do disparate trafulha.
29 de novembro de 2015
27 de novembro de 2015
24 de novembro de 2015
"Como sobreviver à divina comédia de esquerda?"
Goya, Capricho nº 42
É o título deste artigo de opinião de Henrique Raposo, no Expresso, de mui deliciosa e terapêutica leitura.
23 de novembro de 2015
Da poesia fala o poeta - 4
João Garção (n. 1968)
Poeta, pintor, ensaísta e professor. Foi
futebolista profissional (guarda-redes) na Académica de Coimbra. Autor de “Sobre
Raul Proença”, “Pequenos ensaios” e “Os versos do Zé Povão”. No prelo, com chancela da “Apenas Livros”,
sairá em breve “O teatro surrealista em Portugal”, com prefácio de António
Cândido Franco.
Do poeta diz o poema.
AGUARELA
Na minha terra,
quando eu era pequeno
havia montanhas
altas com bosques e recantos
pelo menos um
Oceano com piratas e segredos
e muitas outras
coisas que se transfiguravam
Os heróis eram
altos, atléticos, usavam duas cores
e parece que
havia uns outros sobrados da Grande Guerra
A velhota gorda
que vendia castanhas no largo do Rossio
pertencia a uma
misteriosa quadrilha francesa
falava alto,
tratava os fregueses pelo nome
aparecia e
desaparecia consoante era Inverno ou Verão
No dia de Santos
o gajo das barbas (que tinha um tesouro escondido)
dava-nos nozes,
se lhe batíamos à porta
e havia alguns,
corajosos, que batiam
Havia um
espanhol que era barbeiro
mas as tesouras
cantavam em português
Os polícias
passavam, nas tardes de Primavera
muito suaves,
devagarinho, rua do Comércio abaixo
quando não era
pela Corredoura acima
Pareciam anjos
vestidos de azul claro
Só muito mais
tarde notei que usavam cassetete
Como eu gostava
da Escola! E ainda por cima
os professores
era tudo gente esperta
Não havia, que
eu soubesse, pessoas infelizes
e os bandidos só
faziam serviço no “Tintin”
ou nos filmes
(poucos) da televisão
Mas as coisas,
como nas fitas, parece que às vezes
andam demasiado
depressa.
Os heróis – os
mais velhos morreram –
tinham estado,
coitados, com o Milhões na França
e os que eram às
cores transformaram-se em futebolistas
com o remate
trocado
A mulher das
castanhas foi um ar que lhe deu:
finou-se com um
colapso e era avó de três netos
como ela
trabalhadores da fábrica da rolha
Os anjos que
eram polícias já só andam de carro
e um deles até
me ofendeu, um dia, junto a um Bar
Alguns dos
professores ficaram com orelhas de burro
E nesta coisa de
crescer, o que mais (juro-vos) me dana
é que agora
corto o cabelo num cabeleireiro de homens
que
competentemente me afeita (enquanto leio o jornal)
com um aparelho
que rosna como um rafeiro sem classe.
22 de novembro de 2015
Pode Obama evitar que este jovem seja decapitado?
(Ali Mohamed al-Nimr tinha 17 anos quando
foi preso. A pena de morte pode ser- lhe aplicada a qualquer momento) - recolhido no Observador
Ali Mohamed al-Nimr, um jovem de 21 anos da Arábia Saudita, foi
condenado a ser decapitado e crucificado em público. A sentença deveu-se
à sua participação numa manifestação que ocorreu na cidade de
Qatif. Os manifestantes defendiam a igualdade de direitos entre a
população xiita, a que al-Nimr pertence, e a população sunita, que
constitui a maioria no país.
Na primeira entrevista da sua mãe aos media estrangeiros, relatada pelo
jornal inglês The Guardian, Nusra al-Ahmed qualifica a pena imposta ao seu
filho como “selvagem” e vinda “da idade das trevas”. Nusra al-Ahmed acusou
ainda as autoridades sauditas de terem torturado o seu filho na prisão:
Quando visitei o meu filho pela primeira vez não o reconheci.
Não sabia se [a pessoa que visitei] era realmente o meu filho ou não. Via
claramente que tinha uma ferida na testa, outra no nariz. Desfiguraram-no.
Até o corpo, [que] estava excessivamente magro. [Quando] comecei a falar com
ele [disse-me que] durante o interrogatório [foi] pontapeado, deram-lhe
estaladas, os seus dentes caíram, claro… [e] urinou sangue durante um mês.
Agora, a mãe do condenado implora ao presidente norte-americano Barack
Obama que o salve, fazendo uso da sua popularidade e das estreitas relações
entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita. “[Obama] é o líder deste mundo (…)
pode interferir e salvar o meu filho (…) Eu e o meu filho não temos nenhuma
importância neste mundo mas apesar disso, se ele assumisse este ato (…)
estaria a salvar-nos de uma grande tragédia”.
Nusra al-Ahmed, que segundo relata o Guardian acredita que a pena foi
imposta ao filho para o punir pela sua fé xiita, mostrou-se ainda
indignada com a pena:
Nenhum ser humano são e normal daria esta sentença a uma criança de 17 anos
[Ali Mohamed al-Nimr tinha 17 anos quando foi preso pelas autoridades do país].
Não derramou qualquer sangue, não roubou propriedade nenhuma. Onde foram buscar
isto? À Idade das Trevas?
A decisão do Supremo Tribunal da Arábia Saudita tem motivado críticas, vindas
de vários pontos do globo. Entre os grupos de direitos humanos mais críticos da
situação encontram-se a Amnistia Internacional e a Reprieve, uma organização
britânica cuja missão diz ser “ajudar as pessoas que sofrem abusos extremos de
direitos humanos às mãos dos governos mais poderosos do mundo”.
No Reino Unido, o primeiro-ministro David Cameron apelou na passada semana
ao rei da Arábia Saudita para não aplicar a pena de decapitação e
crucificação a Ali Mohamed al-Nimr. E, esta terça-feira, anunciou ter
retirado uma proposta de quase 8 milhões de euros que havia feito à Arábia
Saudita para um programa de treino aos guardas prisionais do país. A
decisão também se deveu à retenção do pensionista britânico Karl Andree numa
prisão da Arábia Saudita por posse de álcool: um caso que tem preocupado o governo britânico.
A embaixada da Arábia Saudita no Reino Unido já reagiu ao que classifica
como “interferências em assuntos internos” do país, lançando um comunicado onde
repudia a interferência do Reino Unido no sistema judicial “independente e
imparcial” do “estado soberano” da Arábia Saudita.
E para este condenado, vejamos o
poema de Mário Cesariny:
O HERÓI
Herói é o
meu nome.
Meu olhar
frio, arguto
Não vê coisa que o dome.
Meu esforço rude e sano
Não desmaia um minuto.
Não vê coisa que o dome.
Meu esforço rude e sano
Não desmaia um minuto.
Sou herói
todo o ano.
Quando
passar por vós, naturalmente,
com este meu ar simples e no entanto diferente
e no entanto diferente do ar do resto da gente
não digais: é fulano.
Dizei: é o Herói.
com este meu ar simples e no entanto diferente
e no entanto diferente do ar do resto da gente
não digais: é fulano.
Dizei: é o Herói.
O herói,
simplesmente.
21 de novembro de 2015
Poeta saudita condenado à morte por renunciar ao Islão
(Ashraf Fayadh é um dos artistas mais conhecidos do Médio Oriente, já curou
exposições na semana artística saudita Jeddah Art Week e na Bienal de Veneza) - recolhido no Observador
ASHRAF FAYADh
Ashraf Fayadh foi condenado à morte por um tribunal da Arábia Saudita. O país rege-se pela Sharia, Lei Islâmica, que acusa o poeta de blasfémia a Alá, ao profeta Maomé e renúncia ao Islão.
O poeta saudita Ashraf Fayadh foi condenado à morte por um tribunal saudita
por ter alegadamente renunciado ao Islão, refere The Guardian.
A sentença que condena o poeta à pena de morte foi proferida a 17 de
novembro, a quem foram concedidos 30 dias para recorrer da sentença. Face à
decisão, Ashraf Fayadh alegou que não tem representante legal.
Segundo o Independent, o palestiniano foi
detido em agosto de 2013, em Abha, na província de Asir, sudoeste da Arábia
Saudita pela polícia religiosa do reino saudita. O país do Médio Oriente é
regido pela Sharia (Lei Islâmica) e segundo uma fonte da
associação Human Rights Watch que teve acesso ao processo, Ashraf
Fayadh é acusado de abjuração e renúncia à fé islâmica, noticia o mesmo jornal.
A detenção ocorreu depois de uma denúncia de que o poeta teria injuriado Alá e
o profeta Maomé e insultado a Arábia Saudita e distribuindo ainda um livro de poemas que alegadamente
promovem o ateísmo, clarifica o The Guardian.
O artista já havia sido condenado em maio de 2014 a quatro anos de prisão e
800 chicotadas pelo tribunal de Abha. Na sequência desta primeira decisão
judicial o poeta recorreu, mas o recurso foi rejeitado e voltou ao banco dos
réus o mês passado. O novo painel de juízes decidiu a sua execução, apesar de o
escritor ter manifestado arrependimento.
“Fiquei realmente chocado, mas era de se esperar, embora eu não tenha feito
nada que mereça a morte”, disse Fayadh ao The Guardian.
Ashraf Fayadh, de 35 anos, faz parte do coletivo artísticoEdge of Arabia e é um
refugiado palestiniano, apesar de ter nascido na Arábia Saudita. O poeta afirma
que o livro em causa foi mal-interpretado pelas autoridades sauditas. Segundo o
autor, a obra fala da sua experiência como refugiado palestiniano onde aborda
questões culturais e filosóficas.
Para lá das questões religiosas, os amigos de Ashraf Fayadh acreditam que a
condenação do poeta poderá ser uma retaliação: o artista publicou um
vídeo que mostra a polícia religiosa do reino a atacar um homem
em público.
Como homenagem a este poeta, que melhor que dar aqui este poema de Sophia
de Melo Breyner Andresen?
Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
20 de novembro de 2015
19 de novembro de 2015
1 minuto de ódio moderado...
... entoado em memória das vítimas dos atentados de Paris por adeptos turcos, no encontro particular entre a Turquia e a Grécia.
18 de novembro de 2015
15 de novembro de 2015
"O principado de Zouheir"
Um grande, grande texto de Maria Helena Matos, no Observador:
«Não, não me apetece pela quinquagésima vez o
“somos todos” qualquer coisa, mais o facebook às riscas e a Marianne a chorar.
Já sabemos como vai ser não é? Lembram-se do Charlie Hebdo? Éramos todos tão
livres, não éramos? Pois éramos. E claro que não se pode ter medo, que a França
é a pátria da Liberdade, que mesmo ferida se vai levantar… Pois, mas em Julho
deste ano, meio ano após os atentados, o editor do Charlie
Hebdo anunciou que
aquele jornal não voltaria a publicar desenhos satíricos de Maomé. Ficámos
um bocadinho menos “charlies” não foi? E o bom Charlie vai fazendo as suas caricaturas com os
bispos do costume e até entreviu no nosso governo de esquerda uma espécie de
vitória sobre o nosso passado colonial, não foi? Pois é, com um bocadinho de
esforço quase que se pode dizer que o Charlie continua na mesma. Afinal, cada
um acredita não no que quer mas sobretudo no que precisa. Há quem goste de
acreditar que continua novo apesar das rugas. Nós precisamos de acreditar que continuamos
livres.
Portanto, agora que a onda está aí de novo, mais as flores, as velas e o Imagine, prefiro fazer de conta que não engulo em seco diante das imagens daquela gente outra vez pendurada numa janela para não morrer (lembram-se do 11 de Setembro?) e daquele rapaz arrastando um corpo pelo meio da rua (uma rua de Paris!), para me poupar à irritação daquele momento que não tarda em que cairemos no processo da voz passiva que nos leva do óbvio – terroristas matam – ao grotesco das pessoas que “acabaram por falecer” na sequência de actos alegadamente praticados por terroristas. Actos esses pressurosamente transformados em respostas às políticas do Ocidente. Do Ocidente que quer o petróleo. Do Ocidente que intervém. Do Ocidente que não intervém. Do Ocidente que desenhou as fronteiras. Do Ocidente que fez as cruzadas… enfim uma espiral retroactiva em que as culpas nunca se expiam antes se exponenciam. (No nosso portuguesíssimo caso junta-se a tudo isto, segundo Ana Gomes, a demora de Cavaco Silva em indigitar António Costa. Mas não creio que, para já, a comunidade internacional se sinta capacitada para ponderar essa tese.)
Há algo de grotesco nesta forma de ver o mundo em que o outro – aquele que por uma qualquer razão nos odeia ou ataca – é sempre o elemento neutro. Ele por ele nada faz. Os seus actos são sempre o resultado de algo que nós, os nossos pais, os nossos avós e os nossos antepassados fizeram, pelo menos até àquele polémico momento em que o Neandertal se terá cruzado no planeta Terra com o Sapiens sapiens. Dir-se-á que isto é pateta. Pois é. Mas o problema das visões patetas é que o seu simplismo constitui-se como argumento eficaz na justificação do injustificável: com os terroristas reduzidos à condição de consequência dos nossos actos, a responsabilidade pelo terrorismo deixa de ser dos terroristas pois é transferida para aqueles que o sofrem.
Não é por acaso que após os atentados terroristas vivemos uma sensação de desconcerto, como se não fosse justo nem lógico fazerem-nos aquilo. Na verdade para nós não é. Mas só para nós. Do ponto de vista do terrorista não só tudo aquilo faz sentido como é lógico: são actos tácticos de uma estratégia com objectivos próprios.
O terrorista não é uma marionete puxada pelos fios dos actos presentes e passados dos outros. Muito menos é alguém que buscando os mesmos objectivos de justiça dos não terroristas apenas se enganou no caminho. O terrorista existe independentemente de nós.
Recordo como este exercício de ver o terrorista como um resultado e não como um sujeito dotado de vontade própria era particularmente penoso no caso dos atentados da ETA, em Espanha. Primeiro a ETA matava por causa de Franco. Depois veio a Transição a ETA passou a matar ainda mais (é exactamente durante a Transição que a ETA é mais mortífera: 84 mortos em 1979 e 93 em 1980) mas tal, dizia-se, explicava-se pelo combate à herança do franquismo presente no aparelho de Estado. A Espanha tornou-se democrática e a ETA continuava a matar militares, polícias, políticos e empresários, mas isso devia-se à ligação dos militares ao passado, dos polícias à repressão, daqueles políticos à direita e dos empresários ao dinheiro. A ETA continuava a matar. Politicamente as balas entravam em nucas de direita e de esquerda. Mas havia sempre uma culpa da sociedade espanhola para explicar mais uma bomba e mais uma bala: eram os presos da ETA que não podiam estar todos juntos na mesma prisão; era o tribunal que os condenava; era o artigo no jornal que os tinha ofendido; o empresário que não pagava o imposto revolucionário… E quando não se percebia que ligação haveria entre a vítima e os seus verdugos aventava-se que a vítima podia ser um informador. Ou um narcotraficante, porque a ETA queria o País Basco livre de drogas.
A par dos atentados, a ETA desdobrava-se em várias organizações legalíssimas e activíssimas no combate à violência (das autoridades policiais, claro) e de promoção dos direito humanos, (dos terroristas obviamente). Advogados, professores universitários e jornalistas desdobravam-se, em Espanha e fora dela, em concentrações e conferências de denúncia destes graves atentados à democracia. Ainda por aí andam folhetos em que ilustres participantes portugueses se propunham mediar entre a ETA e o intransigente Estado espanhol.
Até que a 10 de Julho de 1997 a ETA sequestrou Miguel Ángel Blanco, um vereador do PP em Ermua, e deu dois dias ao Governo, então presidido por Aznar, para reagrupar os presos da organização (independentista e não terrorista, segundo boa parte dos orgãos de comunicação). A 13 de Julho o cadáver de Miguel Ángel Blanco era descoberto e nasceu o chamado Espírito de Ermua em que para lá do PSOE e do PP terem estabelecido uma espécie de pacto de regime no combate ao terrorismo a sociedade espanhola deixou de procurar as culpas das vítimas em cada atentado.
Resultado: a ETA foi derrotada. Mas só a ETA, porque o discurso do terrorismo, enquanto resposta automática e não como estratégia de vontade própria, esse apenas mudou os protagonistas do seu enquadramento.
Agora que os mortos se contam na França de Hollande e não na América, para mais de Bush, resta-nos pelo menos a esperança de que esta diferença geo-política nos poupará ao destravamento delirante das teorias da conspiração, mas não será suficiente para nos livrar do momento em que os atentados deixam de ser atentados para se tornarem mediaticamente falando na resposta os que fizemos, fazemos ou pensamos vir a fazer.
Quer isto dizer que não acredito nas promessas de união para combater o terrorismo, promessas reiteradas dramaticamente nestes dias? Na verdade não acredito que este seja o momento Ermua da Europa. E não acredito por duas razões. Em primeiro lugar porque combater o terrorismo islâmico implica não apenas, como no caso da ETA, cooperação internacional – alguém ainda se lembra dos “santuários” da ETA em França e de como eles acabaram? – mas coordenação internacional. Mais difícil ainda de conseguir, e aqui chego à segunda razão, ou melhor dizendo ao segundo conjunto de razões: combater o terrorismo islâmico pressupõe intervenções militares e policiais que só se fazem com o tempo longo dos pactos e a resiliência que nasce das convicções.
Ora nós vivemos o esboroamento do centro e trocámos as convicções pelas indignações: às primeiras imagens de uma operação mal sucedida e aos primeiros homens caídos, político europeu algum fora do Reino Unido resiste às “manifestações pela paz”, até porque logo os seus rivais usarão esse apelo como argumento eleitoral.
Politica e mediaticamente falando (o que é quase a mesma coisa), a Europa e em parte os EUA alienaram o incómodo estatuto da soberania pelo simpático (mas mortífero) conceito de principado. Ou seja, os seus cidadãos sonham ser ricos, cultos e livres e acreditam e sobretudo querem acreditar que podem manter a sua segurança e a sua dignidade através da distribuição das suas sobras e estabelecendo alianças com outros para que estes primeiro combatam por si e depois para que não a ataquem (qualquer comparação com a Roma da decadência não é casual).
Por isso, se me pedirem um símbolo destes dias eu não escolho a Torre Eiffel, nem as flores, nem as velas mas sim um rosto que não vimos. O de Zouheir. Quem é Zouheir? O segurança que impediu a entrada de um dos terroristas no estádio onde decorria o França-Alemanha. Esperar-se-ia que o rosto deste homem que evitou a catástrofe implícita ao rebentamento das bombas dentro do estádio estivesse na capa dos jornais. Afinal foi um dos heróis dessa sexta-feira. Pois foi e por isso tem medo. Medo que se vinguem nele ou na sua família por te feito que devia fazer.
14 de novembro de 2015
LA DOUCE FRANCE ESTÁ SANGRANDO
Brueghel, O triunfo da morte
Mais
de 300 seres humanos, entre mortos e feridos, é o balanço resultante da
brutalidade islamita fanatizada, mas também do desleixo e do fechar de olhos e
ouvidos, “politicamente correcto”, dos próceres gauleses de facções bem
determinadas.
O
povo francês, que tem tido uma paciência quase bíblica para com certos
incompetentes políticos, merecia melhor sorte.
***
É
necessário de uma vez por todas, por outro lado, desmascarar certos seres
abjectos, cínicos e hipócritas que de cada vez que o fascismo verde perpetra um
ataque mortífero vêm dizer sem pudor "atenção, não incrementem leis
securitárias!".
O
que eles querem com isto é impedir-nos de destroçar esse tipo de fascismo. Tal
faz parte da estratégia de destruição da Democracia, que é comum aos
apaniguados do islamismo, aos viúvos do Muro e aos novos estrategas do fascismo
vermelho pós-estalinista.
A Segurança democrática não tira liberdade a ninguém a não ser aos
INIMIGOS DA LIBERDADE real! E estes não têm direito a usufruir da Democracia.
Esta existe para gente de bem e não para proteger assassinos.
Os
freitas do amaral que achavam que as críticas a maomé são ofensas não passam de carolas
compreensivos dos fascistas verdes. E os mários soares que propunham
"conversações" com terroristas anti-semitas não são mais que imbecis
intelectuais ou canalhas conceptuais sem retorno.
É
preciso afirmar alto e claro estes valores, que subjazem a conceitos legítimos,
sem nos deixarmos intimidar.
Dizia Goebbells, que foi quem no jornal das SS inspirou o acordo estabelecido
entre Hitler e o Grande Mufti Aj Amin al-Hosseini, que para se vencer
um adversário tem de se começar por paralisá-lo. Pois bem: não cedamos à
paralisação de obsceno signo "politicamente correcto”, despudorado e autêntico
aliado do totalitarismo islamita!
Os
assassinos e os fanáticos corânicos têm, natural e sensatamente, sem a má-consciência
insinuada que é fruto da propaganda matraqueante dos usuários da “agit-prop”
pró-jihadista, de ser controlados e infiltrados. É uma questão de defesa
própria, legítima nesta guerra – finalmente percebida pelos hollandes abúlicos
ou babujadores – que nos foi movida pelo fascismo verde. Na Síria e nos lugares
que ocuparam cavilosamente alguém tem de bombardear os oleodutos e as bases
barbaramente geridas pelos radicais, congelar-lhes as contas da venda do
petróleo, dos impostos a que obrigam as populações sob ameaça de morte
imediata, dos produtos dos raptos e vendas de escravos e impedi-los de
comprarem armas no mercado negro. E responsabilizar os estados árabes que os
ajudam e apoiam.
Em
Portugal, nunca facilitar que se sintam impunes e fora da lei, agredindo as
mulheres, lavando o cérebro às crianças como se fossem um Estado dentro da
Nação, fazendo exigências absurdas e abusivas e efectuando nas barbas dos
nossos governantes, que isso permitem com a alegação cobarde e
falaciosa de que do mal o menos, pois assim se mantêm
calmos (ou seja, a velha táctica que Ignazio Silone denunciou, como falsa e
absurda, de ”levarem socos para não apanharem pontapés”).
E
aos que propalam, sem rebuço, que o jihadismo é uma consequência de manejos de
dirigentes ocidentais, responder sem temor, desassombradamente, que em 711 não
havia nem iraques nem jogos de petróleos e no entanto fomos invadidos até aos
Urais.
E –
razão principal e ponderosa - que nós não somos dirigentes ocidentais, que
somos cidadãos vulgares, do quotidiano, que merecemos a paz democrática
que levou tantos séculos a conquistar, sem estarmos debaixo da férula de padres
ou de mulás ou de senhores da guerra criminosos.
Foi,
há cerca de duas semanas, emitida uma Declaração subscrita pelo pretenso
califado, referindo que em breve começariam os ataques em França, Espanha e
Portugal no sentido de estabelecer em dois anos o antigo Al-Andalus,
região submetida pela voracidade dos conquistadores totalitários daquele tempo.
Em
França aí está a realidade insofismável que a cegueira e a incompetência de
Hollande y sus muchachos não soube evitar em tempo útil (agora, casa
roubada, trancas na porta).
Temos o direito de exigir que os por vezes ingénuos ou desmazelados operadores
de topo lusos não permitam aqui o mesmo cenário sangrento.
Histórias que o meu avô contava - 2
Um dia, o meu avô voltou para casa, a rir, com algo que se passara no café que costumava frequentar.
Morava ele numa aldeia nos arredores de Lisboa, hoje uma vila populosa, onde, na
altura, começava a fixar-se muita gente vinda de vários pontos do país. A aldeia
era propriedade de duas ou três famílias de agricultores que iam agora
vendendo aos poucos os terrenos para a construção de habitações, de modo a
poderem dar uma herança que se visse a cada um dos seus descendentes. Famílias que,
embora com farroncas de riqueza, eram conhecidas nas povoações em redor sobretudo pela
sua falta de imaginação e interesse por tudo o que não fosse as quezílias
entre elas. Assim uma espécie de Aldeia da Roupa Branca, mas ainda mais tosca.
O pequeno
café de onde regressava tinha sido o primeiro a abrir portas num
ambiente exclusivo de tabernas. O proprietário era um homem vindo ali da zona
de Viseu, aportado a Lisboa após ter cumprido o serviço militar obrigatório
em Angola, fugido de um interior que não lhe daria grandes oportunidades. Um homem
enorme, franco, directo, sem abébias para abusos nas conversas ou nos actos dos
clientes. E que não costumava “mandar recados” – como acontecera naquela ocasião
em que o meu avô voltou, a rir.
É que se
juntara lá muita gente ao final da noite, no meio da qual havia bastantes
nativos desdenhosos dos “pobretanas” que lhes haviam “invadido” a terra. O calor
da discussão começara a subir, quando o arrefecimento se fez sentir de súbito,
tonitruante, vindo de detrás do balcão:
– Estai
maj é calados, que, xse não fôramos nój, bój ainda andábeis de carroxça!
E eu, que
era puto, também me ri muito e, como queria “mostrar serviço”, disse:
– Oh avô,
se fosse na Arábia ele teria dito “ainda andábeis de camelo”…
Oh prá nós, tão tontinhos
A generalidade do establishment político da "europa", incluindo a esquerdalha que agora se mostra alérgica ao euro mas sempre reclamou por mais euros, parece apostada em fazer toda a espécie de disparates para provocar o escaqueirar (já tarda) da "europa". Tanta palermice parece indicar que já todos perceberam que a única 'solução' para a coisa é estoirá-la mas, face à impossibilidade do assumir de responsabilidades próprias e continuar o namoro, precisam provocar um gigantesco sarilho para culpar um apropriado inimigo externo.
13 de novembro de 2015
António Costa, o PS, o PCP, o BE e a república democrática - 1
Dizem os
compêndios que a democracia é o regime que respeita a vontade popular expressa
pela maioria dos votos obtidos numa votação, no sentido da formação de uma
Assembleia e de um governo com origem nesta.
Nada
obsta, todavia, a acordos prévios ou posteriores a essa votação entre os que
lograram o direito a representação nessa Assembleia, se nenhum deles conseguiu
um número de votos que supere a soma de todos os outros.
Tendo sempre,
porém, como horizonte a concretização da democracia, isto é, que o poder político
e governativo seja representativo das perspectivas e vontades maioritárias dos votantes.
A maioria
que expressa, de facto, as diferentes perspectivas e vontades populares na
actual Assembleia da República é a que resulta da soma das votações na
coligação PSD/CDS (perspectiva e vontade de centro-direita: 38%) e no PS (perspectiva e vontade de esquerda: 32%) – representa 70% dos cidadãos que votaram. A soma das
que foram feitas na maioria das três tendências de esquerda (cerca de 50%) é, exactamente, apenas
isso: uma “maioria de esquerda”. Representa uma ideologia ligeiramente
dominante, não o consenso e a eventual harmonização de duas perspectivas e vontades distintas
maioritárias.
Daí que a
governação de tal “maioria de esquerda” não represente a democracia em acção nem
caiba num regime democrático, uma vez que não reflecte as perspectivas e
vontades populares, mas tão-somente a prepotência da perspectiva e da vontade de
uma minoria sobre uma maioria. A isso se chama uma ditadura.
A formação legal dessa maioria reflecte, afinal, a má-fé de quem a constituiu e
viabilizou. António Costa e os que o secundam no PS e nos restantes partidos são
deficitários, enquanto cidadãos, no que respeita a honradez – ao menos a
política. Não são gente a quem, os que desejem viver livremente, em democracia,
se possa confiar o poder.
Nos negócios,
não sei. Mas também é certo que não tenciono fazer nenhum com qualquer deles.
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