Mais do que de acordo. Mas... o que é um mau professor? E no que respeita aos maus alunos?
10 de outubro de 2015
9 de outubro de 2015
"A lógica da batata"
Escher, Drawing Hands
Estava eu a preparar-me a preparar-me para escrever algumas linhas sobre a nova novidade inovadora (e que, no entanto, seria tão velha como o mundo), consubstanciada na palavra de ordem que percorre o país com a habitual potência canora, propriedade privada dos amanhãs que cantam, a saber: que os partidos políticos são como o Pai Natal, não existem; que as pessoas não sabem, mas votam em tendências, não em partidos; e que, ao fim de 41 anos, atingiram por fim a maturidade em que a verdade lhes pode e deve ser revelada - eis senão quando vejo que Paulo Ferreira, no Observador, me tinha poupado o trabalho. Aqui fica o que ele disse sobre a coisa.
Enquanto António Costa se transforma no protagonista pós-eleitoral e prossegue a sua coreografia, como se estivesse a formar governo, alinham-se as propostas sobre a composição partidária que deve suportar o próximo executivo. O absurdo é tanto que às vezes é preciso regressar ao mais básico. É o que tento fazer hoje.
1 – Quando um partido ou coligação não recolhe a
maioria dos votos expressos então uma maioria de eleitores preferia uma de
outras candidaturas. Isto não tem nada a ver com ciência política, com leituras
da Constituição ou com alinhamentos ideológicos ou partidários. Isto é a mais
básica aritmética, entendível até por uma criança do primeiro ciclo. Não tem
nada de novo e acontece sempre, mas sempre, que um partido ganha sem maioria
absoluta. A aritmética nunca nos falha.
2 – Para não ir mais longe até aos primórdios da democracia, isto
aconteceu com Cavaco Silva em 1985, com António Guterres em 1995 e 1999, com
Durão Barroso em 2002, com José Sócrates em 2009 e com Pedro Passos Coelho em
2011 e 2015. Todos estes políticos têm uma coisa em comum: foram
primeiro-ministro após eleições que venceram mas em que uma maioria de
eleitores teria preferido outros candidatos a chefe de governo. Governaram
quando uma maioria de eleitores queria aquilo que se pode chamar uma “mudança
de política”. E não me lembro de alguma vez, nos seis casos passados, ter sido
sequer colocada a hipótese se não ser qualquer deles a formar governo.
3 – Sem maioria absoluta, estes líderes partidários lidaram com essa
circunstância de forma diversa. Cavaco e Sócrates governaram sem maioria no
Parlamento e acabaram por cair, um derrubado por uma moção de censura
aprovada pela maioria das oposições, outro demitindo-se na sequência de um
chumbo do PEC pelas oposições na AR. António Guterres terminou a primeira
legislatura e demitiu-se a meio da segunda. Durão Barroso e Passos Coelho
fizeram coligações pós-eleitorais com o CDS. Barroso saiu depois para Bruxelas
e o seu sucessor, Pedro Santana Lopes, acabou por ser demitido pelo presidente
Jorge Sampaio. E Passos Coelho terminou a legislatura passada.
4 – Já tivemos, portanto, de tudo um pouco: coligações pré e
pós-eleitorais, governos minoritários que sobrevivem e outros que caem. Até
tivemos um primeiro-ministro que não foi a votos mas que foi empossado pelo
Presidente da República: Santana Lopes. Mas sempre houve uma regra: quem forma
governo é o líder do partido mais votado, que se apresenta nas eleições como
candidato a primeiro-ministro. O apoio parlamentar que os vitoriosos
minoritários depois conseguem agregar é uma questão pós-eleitoral de
negociações partidárias e parlamentares.
5 – O que nunca tivemos na sequência de um acto eleitoral foi a
formação de um governo liderado por um partido que não tenha sido o mais
votado. Colocar esse cenário configura uma deturpação de toda a prática
política passada que nunca foi questionada em sete das dez eleições
legislativas que tivemos nos últimos 30 anos.
6 – O argumento chega a ser infantil: uma maioria de eleitores
querem uma política diferente da defendida pela coligação PSD/CDS. Claro. Como
também em 1985, 1995, 1999, 2002, 2009 e 2011 queriam uma política diferente da
que o vencedor propunha. É lógico: quando mais de 50% dos eleitores vota numa
candidatura que não foi a mais votada é porque não a quer no governo, senão
tinha votado nela.
7 – Regressemos então à aritmética para este caso concreto. O
argumento é: deve ser formado um governo liderado pelo PS porque houve uma
maioria de eleitores, no caso de 61,5%, que rejeitaram o PSD/CDS. Mas se essa é
a lógica temos então 67,6% de eleitores que disseram que não queriam um governo
liderado pelo PS. E 89,8% dos eleitores rejeitaram a política defendida pelo
Bloco de Esquerda e 91,7% votaram em opções diferentes das da CDU. Quando se
opta pela lógica da batata e se prefere olhar para os votos “contra” em vez dos
votos “a favor” é aqui que chegamos: não podemos ter um governo que 61,5% não
escolheram. Mas devemos ter um governo liderado por um partido que 67,6% não
escolheram aliado a partidos que foram rejeitados por cerca de 90% dos votos
expressos. E achamos isto legitimo. Mais: há até quem ache isto democrático.
8 – Fala-se de um “governo de esquerda”. Como se a esquerda – e o
mesmo se pode dizer da direita – fosse una e indivisível, como se a esquerda
fosse toda idêntica e programaticamente próxima. Como se o eleitorado
socialista fosse política e sociologicamente semelhante ao eleitorado comunista
e bloquista. O PS está muito mais próximo do PSD do que dos partidos à sua
esquerda, como é evidente. Não é por acaso que se fala do “centrão” e do “bloco
central”, que as maiores transferências de voto entre eleições são geralmente
entre estes dois partidos e é aí que se ganham e perdem eleições. Os acordos
institucionais estruturais que temos unem PSD e PS mas não o BE e o PCP:
Europa, moeda única, NATO, economia de mercado, tecido empresarial
essencialmente privado, democracia plural, objectivo de equilíbrio orçamental e
respeito pela propriedade privada. Não é por acaso que comunistas e bloquistas
dizem frequentemente que “eles são todos iguais” e “são farinha do mesmo saco”.
Eles são o PS e o PSD.
9 – Se a “esquerda” quer governar e até se pode entender para formar
um governo porque é que PS, PCP e BE não fizeram uma coligação pré-eleitoral e
se apresentaram assim ao eleitorado? Uma pista: porque o que os separa é muito
mais do que os une e nunca conseguiriam entender-se em torno de um programa
eleitoral comum que pudesse merecer a preferência de uma maioria de eleitores.
10 – Formar, na saída destas eleições, um governo que não seja
liderado pelo PSD/CDS é uma perversão dos resultados eleitorais em toda a
linha. Primeiro porque é deixar o partido mais votado – ou o menos rejeitado,
nesta lógica – fora da solução de governação. Depois, e mais importante, é um
“golpe de Estado” em relação à matriz essencial que resulta do voto de domingo:
continuação da consolidação orçamental, manutenção no euro, respeito pelas
regras europeias e rejeição de soluções de ruptura como as que defendem o BE e
a CDU. Se o PS não percebe isto estará a trair uma parte decisiva do seu
eleitorado.
11 – Mas não pode haver diferentes arranjos de governo que saiam do
mesmo Parlamento? Pode. Mas nunca sem antes permitir que o partido mais votado
faça o seu governo com os apoios que vier a conseguir unir da forma que
entender. É impensável que seja de outra maneira. A coligação PSD/CDS deve ser
chamada a governar. E se o governo cair daqui a um ou dois anos? Aí, cada um
deve assumir as suas responsabilidades sobre a queda do governo. Depois, em
função da leitura que o Presidente da República e a generalidade dos partidos
fizerem, o país vai de novo para eleições ou pode tentar-se uma nova solução de
governo no mesmo Parlamento.
12 – Pode essa solução futura passar por um acordo parlamentar entre
PS, BE e CDU que sejam o suporte de um governo? Pode. E aí boa sorte para a
governação e para o julgamento que os eleitores farão disso nas eleições
seguintes.
A SIC também é Serviço Público...
(imagem recolhida aqui)
... tal como pudemos constatar uma vez mais, há
bocado, no telejornal, quando a locutora de serviço nos revelou que "António
Costa dará uma nova oportunidade à coligação na próxima terça-feira".
De
louvar a isenção da peça (jornalística) por não haver cedido à pressão de
dizer "aos pafúncios", expressão de refinado e irresistível sentido
de humor usada por Ferro Rodrigues durante os discursos e libações do almoço comicial, na Trindade.
Afirma-se, pois, a SIC, no que respeita ao entendimento e prática de um tão
inestimável serviço, como em nada inferior ao que demonstra a RTP, hora após hora de emissão patriótica. Colhido ao
acaso, recordo uma peça, transmitida pelo canal público na véspera do fim da campanha eleitoral, em que o locutor, referindo-se a Passos Coelho, dizia a certa altura,
antecedendo as palavras do primeiro-ministro, que este iria, de seguida, "calçar os
sapatos dos indecisos" para "tentar fazer-lhes a cabeça".
Citando Carlos do Carmo
citando, por sua vez, Alfredo Marceneiro: "E, se não gostaram, vão para
casa e ponham discos".
A NOSSA MEMÓRIA NÃO PODE SER CURTA!
No dia 11 próximo vai ser levada a efeito, por militantes convocados por
um documento posto a circular numa hábil acção de "agit-prop", uma
manifestação a suceder no Largo Camões e visando começar a pressionar o
ambiente para ulteriores actividades "revolucionárias", bem no estilo
do que sucedeu no PREC.
Nos mentideros não se esconde o que se pretende: infirmar a
democracia consolidada, apresentada como ilegítima, visando criar uma
"frente popular" que lance no País as raízes de este poder ser,
mediante outras acções que decerto não cessarão de acontecer, uma nova
Venezuela.
Ou
seja, uma Grécia de pacotilha, controlada por estruturas em estilo
"bolivariano" (leia-se, tendencialmente totalitário), com posterior
formação de eventuais milícias partidárias que "ajudarão" as
"forças da ordem" deles a reprimir quem não aceite os seus ditames e
orientações uma vez chegados ao Poder.
Paralelamente a este projectado estado de coisas e aproveitando a
colocação a que têm procedido paulatinamente, com os seus apaniguados nos
diversos órgãos de informação, buscarão controlar rigidamente a liberdade
de expressão como sucedia nos estados pré-totalitários.
Usando as mais diversas técnicas de intoxicação, irão surgindo e cimentar-se
campanhas caluniosas, censura indiscriminada e a velha manobra tão cara aos
estalinistas e derivados de caracterizarem qualquer que se lhes oponha como
"inimigo do povo" ou "agente criminal".
Não
esqueçamos o que se passou em França durante a denominada Frente Popular, não
esqueçamos o que se viveu durante o PREC, não esqueçamos sobretudo a prática
proverbial que os chamados "comunistas", herdeiros dum Leste que ruiu
devido não aos erros (como dizem os que tentam branquear e mascarar a
realidade) mas aos crimes cometidos contra os povos que por mera propaganda
diziam apoiar, utilizam quando no poder.
Essas formações partidárias, enchendo a boca com slogans aparentemente
pró-populares, na sua prática histórica e real só criaram confusão, miséria e
desespero nas nações por onde passaram e pelos lugares onde ainda se encontram.
Os
cidadãos, norteados por uma feição democrática e libertária, não devem
embalar-se no vozear destas más sereias que, simulando estar interessadas na
beneficiação dos povos, apenas visam estabelecer a sua ideologia autoritária
nas sociedades que afinal visam dominar inteiramente.
8 de outubro de 2015
“A fraude pós-eleitoral”
Leia-se com atenção este texto de Rui Ramos, no Observador:
Ao princípio, pareceu um
devaneio de noite eleitoral, inspirado pelo desespero da derrota. Entretanto,
converteu-se numa política fria e cínica: António Costa, depois de sujeitar o
PS a um desaire nas urnas, parece agora inclinado a comprometer os socialistas
na aventura de um governo com comunistas e neo-comunistas. Dir-me-ão: é só uma
estratégia negocial. Ao admitir formar governo com apoio do BE e do PCP, Costa
pretende apenas aumentar a sua margem de manobra perante a coligação, ou então
obrigar o PCP e o BE a mostrarem que não estão verdadeiramente disponíveis.
Mesmo que seja isso, António Costa está a pôr em causa a democracia portuguesa
tal como saiu dos confrontos de 1974-1976 e se desenvolveu durante quarenta
anos.
Em primeiro lugar, Costa já
negou a tradição, sempre respeitada desde 1976, de que em Portugal quem fica à
frente vence as eleições e tem um mandato para governar. No dia 4 de Outubro,
os portugueses escolheram entre quatro principais soluções de governo: a da
coligação PSD-CDS, a do PS, a do BE e a do PCP. A maior parte escolheu a
coligação PSD-CDS. É bom lembrar: a coligação ganhou as eleições com mais de
seis pontos percentuais à frente do PS, e com quatro vezes a percentagem de
votos do BE e cinco vezes a do PCP. António Costa era candidato a
primeiro-ministro: foi assim que participou nos debates e apareceu nos
cartazes. Caso os portugueses quisessem um governo liderado por António Costa
teriam certamente posto o PS à frente. Não puseram, e, portanto, não queriam.
Ao negociar com PCP e BE, Costa está a admitir impor aos portugueses, através
de uma chapelada parlamentar, um governo que os portugueses rejeitaram nas
urnas. Talvez a Constituição não o impedisse, mas à luz da tradição política
nacional e das expectativas dos eleitores seria um autêntico golpe de Estado.
Outros regimes portugueses praticaram fraudes eleitorais: vai este inaugurar as
fraudes pós-eleitorais?
Costa argumenta que uma
“maioria de esquerda” é equivalente à “maioria da direita”. Não é. A aliança
entre o PSD e o CDS é junta dois partidos democráticos; a aliança entre o
PS, o PCP e o BE juntaria um partido democrático e dois partidos que rejeitam
tudo aquilo que define a democracia portuguesa. O PCP e as forças políticas que
constituem o BE têm como ideal as antigas ditaduras comunistas, e entre si
admitem a saída de Portugal do Euro e da Nato, o repúdio da dívida pública, a
reversão das privatizações e a nacionalização da banca.O PS foi o partido que
em 1974-1977 liderou a luta por uma democracia pluralista de tipo ocidental, ao
lado do PSD e do CDS e contra o PCP e a extrema-esquerda agora escondida no BE.
O PS não é apenas um partido de “esquerda”, mas um partido da “esquerda
democrática”, da mesma maneira que o PSD e o CDS não são apenas partidos de
“direita”, mas da “direita democrática”. A direita democrática não se define
apenas contra a esquerda, mas contra o salazarismo, da mesma maneira que
a esquerda democrática não se define apenas contra a direita, mas contra o
comunismo. O facto de o PS, o PSD e o CDS serem partidos democráticos,
incompatíveis com as correntes anti-democráticas de direita e de esquerda, tem
este efeito: conforme o governo é dirigido pelo PS ou pelo PSD, as políticas
públicas podem mudar, mas o regime não. A alternância entre esquerda e direita
democráticas faz-se assim sem dramas. A partir do momento em que o PS deixasse
de fazer fronteira com a esquerda que recusa a democracia pluralista e a
integração europeia, tudo seria diferente. Votar no PS significaria o quê?
Votar pela permanência no euro, ou pela saída do euro? Ninguém teria a certeza.
Não haja dúvidas: um governo
dos derrotados de 4 de Outubro, que incluísse partidos que negam os fundamentos
da actual democracia, provocaria uma imensa revolta no país. E tudo isto, para
quê? Para que António Costa, depois de uma derrota inesperada, possa manter o
lugar de secretário-geral do PS, do qual depende a sua sobrevivência como
político profissional. É essa a única razão. Para defender o lugar, Costa
precisa de chegar ao congresso do PS como primeiro ministro. Com esse fim, está
disposto a sacrificar tudo e todos. Assim acabam os partidos, e assim acabam
também os regimes.
7 de outubro de 2015
Crocodilos voando baixinho ... Pois!
Coimbra?
Faz todo o sentido. Depois de terem atribuído o título de doutor honoris causa a Lula,
o cérebro da maior burla da história da humanidade, qual o espanto com Varoufakis?
Despache-se
o estado islâmico, de imediato, para Coimbra, como agente preservador dos
valores culturais locais, que ele os projectará ao firmamento.
E... quanto a estudantes? Que tal incluir nos respectivos canudos que
"realizou os seus estudos" na instituição capaz de tão doutos e
pertinentes feitos?
5 de outubro de 2015
O CAIR DA FOLHA
Neste
Outono menos nostálgico que acalentador política e socialmente falando – pelo
menos para alguns, fracção razoável do povinho incluído – faz sentido
debruçarmo-nos um pouco sobre o que ontem (pré 5 de Outubro…) sucedeu eleitoral
e mediaticamente falando.
Num vôo de
pássaro (pardal, gavião, albatroz…) sobre o que nos foi dado ver pelas diversas
estações televisivas, algumas coisas nos chamaram a atenção.
(imagem recolhida aqui)
Aqui as
deixamos, ponto a ponto:
1. A “performance” do antigo primeiro-ministro, hoje submetido a
vilegiatura obrigatória num entreposto duma rua da capital, aos repórteres que
quase ansiosamente o aguardavam. Apesar da sua evidente atitude, supostamente
dinâmica política e interventora, não conseguimos ver o afamado “animal feroz” mas um indivíduo de rosto
marcado pelas rugas da actual magreza (e apoquentações?), encanecido, uma
espécie de fantasma político que, ao que cremos, ainda não percebeu que já nada
tem a fazer no imaginário público nacional, excepto ser acolhido por gente dos
médias visando faits divers
supranumerários ou vitoriado por ineficazes.
2. A intervenção, digna de
um “vaudeville” de segunda ordem, dum
declarante oficial do PC, antigo candidato à presidência de República, que
mostrou que as ilusões circulantes naquela formação se traduzem em algo que
seria trágico se não fosse tristemente cómico: ganharem tendo perdido,
utilizando uma retórica que nos mergulha numa comiseração indisfarçável. Foi a
isto que chegou a sombra errante do “Pai dos Povos”, com toda a sua carga
simbólica, e que corrobora a velha e astuta frase de que a História se repete,
primeiro como tragédia e depois como farsa?
3. A presença, bem
entrosada, de membros da chamada “tralha
socrática”, depois passados para a figuração costista, apostados ferreamente
em demonstrar que o seu novel chefe (foi o que se pôde arranjar…), foi um
valente guerreiro, mau grado os desconchavos, os paupérrimos conceitos e a sua capacidade
indiscutível para não interessar nada a quem mais interessaria – que é como quem
diz: os cidadãos portugueses.
4. Os gritos vibrantes,
denunciadores de uma certa habilidade proto-circense, digamos, do acervo de
partidários com, bem na frente, amoráveis “múmias” do staff socialista, vitoriando galhardamente o chefe que acabava de
ser derrotado quando este, ainda mais galhardamente e numa frase que diz tudo
sobre o mesmo, anunciou que não se demitiria…
5. Os esforços quase
hercúleos de certas estações televisivas que, servindo-se de
comentadores/convidados competentíssimos nos seus malabarismos, se esmeraram à
boa maneira das fábulas para demonstrar que o preto é branco e o branco é preto
politicamente falando, pelo menos na praça lusa.
6. A deliciosa arrogância,
alfacinhista na essência mas muito grega no perfil clássico, da dirigente
bloquista, que ilustrou na perfeição a velha máxima de que, no que respeita a
formações governamentais em hipótese, a impossibilidade disso antes de o ser já o era…
7. A garantia, dos
triunfadores da contenda, de que vão proceder a ajustes na máquina de governar
– o que, sendo uma vontade não é, pelo que se presume e pelo que já se ouviu,
algo para acreditarmos estupendamente. Não esqueçamos que ainda por cima nas hostes
rosas se conservam ferros, galambas e lacões (e outros pelo estilo) o que não
nos permite sonhar excessivamente.
8. Por último, a retórica
do chefe comunista (a que alguns, tecnicamente, atribuem resiliências que viriam
do estalinismo – discordo, acho que aquilo é mesmo estrutural), na sua vontade
- claro que a favor, sempre, do bom povo totalmente proletário – de ir para o
cadeirão curial sem ter para isso expressão maioritária dos votantes…
4 de outubro de 2015
Da poesia fala o poeta - 1
Carlos Garcia de Castro
Eléctrico chamado desejo
Um padre antigo de barrete em cruz,
denso de preto, vastidão de sarja,
sentou-se ao pé de mim austeramente
e às pregas pombalinas da batina.
Foi de manhã, o dia era de sol.
Impante, de amarelo, o carro eléctrico,
em liberdade, galaró pimpão,
sorvia nos carris relâmpagos domésticos
que só de isqueiro de trazer no bolso.
Havia humor até nos solavancos
das curvas mais brejeiras entre as
casas
que tinham penduradas às janelas
roupas de cor e fraldas das crianças.
Ardinas nas paragens acenavam
e assobiavam para algumas moças,
os lábios das pessoas tinham carne,
as meias das mulheres o olhar dos
homens.
Porém o quadro de faiança azul
que nas vidraças se quebrava todo
fremente diluía-se e ficavam
os bancos encantados cá por dentro.
Trazia o padre uma bengala fina
envernizada que parecia um esquife
onde lançava a mão de velha morta.
Tamanho o frio se expandia à volta,
tal a presença universal e fixa,
tão separada, tão silenciosa,
que era um fantasma a sugestão do
padre.
Alucinada e ao mesmo tempo calma,
como se alguém nos arcos de uma abóbada
gritasse a dor do gozo ou dum punhal,
tu ressurgiste assim no abandono
do nosso amor de lágrimas e assombro.
O eléctrico parou.
E o padre antigo de barrete em cruz,
bengala fina em sua mão de espectro,
somos nós dois por dentro na minha alma
e tu, nessa manhã,
como se num prato de farinha branca
de súbito caísse à luz do sol
uma andorinha morta.
in “ Terceiro
verso do Tempo”
E nós, aqui, no blog, desejamos ao poeta toda a saúde e vigor acrescentado que alguém como ele merece.
3 de outubro de 2015
Notícias sobre a integração de refugiados islâmicos - 2
Recebido por e-mail:
CONTENDAS EM CASAS DE ACOLHIMENTO DE REFUGIADOS
NA ALEMANHA
Polícia toca Alarme - Quem é Agressivo tem Vantagens
Só no mês de Setembro entraram na Alemanha mais de 270.000
refugiados. Mais de metade dos refugiados tem idade inferior a 25 anos. Devido
à “política de bem-vindos” de Merkel, aumenta o burburinho na sociedade alemã;
o grau de popularidade da chanceler Merkel já desceu 9 pontos passando para o
4° lugar quando antes mantinha sempre o 1° lugar (Conta agora, apenas com 54%
de cidadãos que aprovam a sua política, Wolfgang Schäuble passou para 1°
lugar). Reformados e grupos carentes vêem cada vez menos dinheiro no orçamento
alemão e contam já no próximo ano com pioramento da sua situação. O interesse e
o medo tendem a desequilibrar-se. Em vários centros de acolhimento de
refugiados há pancadarias entre grupos de refugiados; há médicos que já só
querem entrar em centros de refugiados se acompanhados pela polícia. O
sofrimento cria sofrimento.
Custa à imprensa alemã informar sobre tais casos para não
fomentar sentimentos de agressão contra os refugiados mas atendendo à
frequência das acções violentas entre estes, vê-se obrigada a deixar passar
alguma informação em primeiro plano.
Em muitos casos, refugiados já traumatizados trazem os conflitos
consigo, acrescentados por situações que não correspondem ao que tinham sonhado
quando se puseram a caminho da Europa. A potencialidade dos conflitos é grande,
se atendermos aos traumas da guerra, à longa caminhada até cá e que nos mesmos
alojamentos se encontram muçulmanos sunitas e xiitas em guerra entre si, etnias
e nações com interesses e costumes diferentes, cristãos que tiveram de fugir
dos países devido à perseguição muçulmana, sofrendo agora a continuação da
violência nos alojamentos, além do mais também os refugiados do Leste Europeu
sem direito a asilo que esperam da sua estadia uma mesada superior à que
recebem no emprego nas suas terras. Por estas e por outras o governo já
determinou medidas tendentes a apressar o processo de asilo e em determinados
casos optou por distribuir géneros em vez de dinheiro.
Para ajudar os estados federados e os municípios, o governo federal
reembolsa-os em 670 euros por mês e por cada refugiado, comparticipando assim
nos elevados custos dos estados federados e dos municípios. O apoio é concedido
até que termine o processo de asilo de cada um. Uma vez reconhecido o direito a
asilo, os asilados entram no sistema geral alemão de apoio social Hartz IV, tal
como qualquer alemão necessitado.
Nalgumas casas de acolhimento de refugiados as contendas têm
escalado. No alojamento de Calden-Kassel que foi concebido para 1.000
refugiados, agora com 1.750 refugiados de 20 nações, deu-se agora, depois de
outras querelas, uma pancadaria com paus e gás de pimenta em que participaram
370 refugiados (albaneses e paquistaneses) e a que acorreram 50 polícias; 14
refugiados e três polícias foram feridos (http://zu.hna.de/calden2909). Polícias queixam-se que para acorrerem aos alojamentos
já lhes falta o tempo para observarem os meios da droga e outros sectores de
observação.
Nas palavras de Rainer Wendt chefe do sindicato da polícia, no
“Passauer Neue Presse”, revela-se muita experiência recalcada e frustração
acumulada, partilhada pelos colegas polícias nas suas intervenções em casas de
alojamento de refugiados: "Temos
experimentado essa violência durante semanas e meses. Juntam-se em grupos de
acordo com etnias, religião ou com estruturas de clã e vão uns contra os outros
com facas e armas caseiras”. "Islamitas querem impor lá os seus valores e
a sua ordem". A minoria dos cristãos deveria, ser colocada, nas casas de
alojamento de refugiados "sob protecção especial" porque é, muitas
vezes, perseguida de forma maciça.
Muitos não se comportam como hóspedes e muitos refugiados
alemães que depois da segunda guerra mundial vieram para a Alemanha (11 milhões)
e viveram durante anos em alojamentos muito precários para refugiados,
custa-lhes a compreender o comportamento e exigências de muitos refugiados de
hoje.
Com a miséria e despovoamento da Síria, a longo prazo ganham os
que querem lá a guerra. A Alemanha com tanta
imigração rejuvenesce-se e cria maior concorrência no mercado de trabalho e
deste modo disciplina o próprio operariado na concorrência europeia e
globalista que quer uma precaridade comum aos diversos Estados. Assim evita uma
flutuação de carentes entre os vários sistemas de apoio social da União
Europeia.
Porque não se dá o mesmo direito aos que solicitam asilo nas
embaixadas como aos que são transportados por quadrilhas que rebocam fugitivos
que tiveram de pagar entre 4.000 e 8.000 euros aos que organizaram o seu
transporte?
Que se faz contra os bandos de candongueiros ou traficantes? A
proposta de lei do governo contempla um mínimo de três meses de cadeia para
tais delitos. Porque é que alguns partidos de esquerda se opõem a medidas concretas
contra os traficantes?
A crise dos refugiados continuará enquanto as potências
continuarem a lucrar e ganhar créditos com a desestabilização dos países
através da guerrilha e da morte.
O problema dos refugiados sírios resolve-se quando os governos
dos USA, Rússia, Arábia Saudita e Irão se juntarem a uma mesma mesa; para isso a elite europeia terá de deixar de jogar com eles o
jogo sujo e disser à população o que verdadeiramente se passa e os motivos que
a levam a actuar assim.Os responsáveis conduzem lá fora a guerra sangrenta
de que os países e os refugiados são vítima e cá dentro na Europa conduz-se a
guerra mediática de que somos nós as vítimas. Na realidade, a política
internacional conflituosa e de rivalidade entre os USA e a Rússia, entre os
xiitas e sunitas, são os responsáveis por uma situação de destruição de nações
e por uma nova situação na sociedade europeia de consequências futuras
imprevisíveis. O
vice-presidente do Parlamento Federal, Singhammer solicita a limitação do
direito dos refugiados ao reagrupamento familiar. Refere que os 200.000
refugiados da síria na Alemanha trariam consigo um "potencial de
reagrupamento ” para a Alemanha de 600.000 familiares.
A Liga dos Direitos Humanos IGFM em Frankfurt expressou que a
proteção do direito de asilo exige um não ao abuso. A maioria dos migrantes vem
de países seguros onde não há perseguição política. Há dias em que entram na
Alemanha 10 000 refugiados.
O político dos Verdes Jürgen Trittin acaba de afirmar: "A
Alemanha está a desaparecer a cada dia que passa". Claudia Roth, do mesmo
partido, comentou: "Alemães são Não Migrantes. Nada mais." A
sociedade europeia, devido à irresponsabilidade política cada vez se
radicalizará mais.
António da Cunha Duarte Justo
“Pegadas do Tempo” www.antonio-justo.eu
Notícias sobre a integração dos refugiados islâmicos - 1
Uma família muçulmana converteu-se ao cristianismo. Por esse motivo está a ser perseguida por
muçulmanos. Nissar Hussain, Kubra e os seis filhos têm sofrido bastante nas
mãos dos seus vizinhos. As agressões já duram há um ano, segundo contam ao
britânico Daily Mail.
Sentem-se mesmo autênticos prisioneiros na própria casa, uma vez
que sempre que saem à rua são atacados. O veículo da família já foi vandalizado
mais de uma vez.
A polícia já foi chamada ao local por diversas vezes mas por ser
um crime de ódio religioso foi-lhes pedida atenção redobrada na forma como
tratam o caso. Até agora só uma acusação foi conseguida.
“As nossas vidas foram sabotadas e isso não deveria acontecer na
Inglaterra”, indica o patriarca, acrescentando que “vivemos numa sociedade
livre, democrática e o que nos estão a fazer é errado”.
2 de outubro de 2015
Constituição e Alcorão, vamos ver quem vence
Recebido por e-mail:
CONSTITUIÇÃO ALEMÃ EM ÁRABE PARA
REFUGIADOS
As mesmas regras de jogo para alemães e
estrangeiros – Iniciativa para evitar a desculpa do “não sabia,,
Quem
vem para a Alemanha deve saber que “os princípios da nossa sociedade
democrática são válidos para todos”.
O
vice-chanceler alemão Sigmar Gabriel (SPD) mandou traduzir os primeiros 20
artigos da constituição alemã e imprimir 10.000 exemplares em árabe para serem
distribuídas nos centros de acolhimento de refugiados e aos deputados na
Alemanha. Junto toda a Constituição em árabe (دستور جمهورية ألمانيا الاتحادية):http://www.fes.de/international/nahost/pdf/GGArabisch.pdf
Deste
modo os refugiados poderão saber quais são os princípios que regulam a sociedade
alemã. Ninguém poderá mais tarde argumentar que não sabia as regras do jogo
(traduzo): “A Alemanha não é um país qualquer. Aqueles que vêm para cá precisam
de saber como é a cultura da convivência entre nós”, declara agora Gabriel em
entrevista ao Bild Zeitung (2.10.2015). Defende a cultura dominante
argumentando: „Existe uma cultura de liberdade e responsabilidade, de direitos
e deveres de que não queremos abdicar. As pessoas que vêm para cá devem não só
aprender a língua alemã, mas também saber as regras de jogo da nossa
coexistência”.
E
concretiza: “Ninguém é forçado, quando vem para a Alemanha, a mudar de
religião, ou a mudar a sua vida privada. Mas que, é importante para a nossa
convivência, que os princípios da nossa sociedade democrática, se apliquem a
todos. A todos aqueles que já se encontram cá e a todos os que vêm. Que, entre
nós, Religião e Estado são separados, que homens e mulheres têm os mesmos
direitos, que cá a homossexualidade não é nada anormal, que as parcerias de
vida podem ser escolhidas livremente, que somos um país com liberdade de
expressão, que também inclui a crítica à religião, também mostramos nenhuma
tolerância perante anti-semitismo, todos estes são os princípios que temos de
declarar/explicar - mas cuja aceitação esperamos daqueles que vêm até nós.
Também na integração se aplica: exigir e promover.”
Na
Alemanha, atendendo à grande afluência de imigrantes (este ano conta-se com um
milhão de pretendentes a asilo) e aos muitos problemas de convivência não
resolvidos, a política começa a falar texto claro.
António
da Cunha Duarte Justo
Jornalista
www.antonio-justo.eu
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