4 de outubro de 2015

Da poesia fala o poeta - 1


Carlos Garcia de Castro

    Do poeta diz o poema:


Eléctrico chamado desejo

Um padre antigo de barrete em cruz,
denso de preto, vastidão de sarja,
sentou-se ao pé de mim austeramente
e às pregas pombalinas da batina.

Foi de manhã, o dia era de sol.

Impante, de amarelo, o carro eléctrico,
em liberdade, galaró pimpão,
sorvia nos carris relâmpagos domésticos
que só de isqueiro de trazer no bolso.
Havia humor até nos solavancos
das curvas mais brejeiras entre as casas
que tinham penduradas às janelas
roupas de cor e fraldas das crianças.
Ardinas nas paragens acenavam
e assobiavam para algumas moças,
os lábios das pessoas tinham carne,
as meias das mulheres o olhar dos homens.

Porém o quadro de faiança azul
que nas vidraças se quebrava todo
fremente diluía-se e ficavam
os bancos encantados cá por dentro.

Trazia o padre uma bengala fina
envernizada que parecia um esquife
onde lançava a mão de velha morta.

Tamanho o frio se expandia à volta,
tal a presença universal e fixa,
tão separada, tão silenciosa,
que era um fantasma a sugestão do padre.
Alucinada e ao mesmo tempo calma,
como se alguém nos arcos de uma abóbada
gritasse a dor do gozo ou dum punhal,
tu ressurgiste assim no abandono
do nosso amor de lágrimas e assombro.

O eléctrico parou.

E o padre antigo de barrete em cruz,
bengala fina em sua mão de espectro,

somos nós dois por dentro na minha alma
e tu, nessa manhã,
como se num prato de farinha branca
de súbito caísse à luz do sol

uma andorinha morta.
 in “ Terceiro verso do Tempo”

    E nós, aqui, no blog, desejamos ao poeta toda a saúde e vigor acrescentado que alguém como ele merece.

3 de outubro de 2015

Morreu José Vilhena (1927-2015)




"Há comunistas tão ateus que não acreditam em Marx nem em Lenine."


Notícias sobre a integração de refugiados islâmicos - 2



Recebido por e-mail:

CONTENDAS EM CASAS DE ACOLHIMENTO DE REFUGIADOS NA ALEMANHA

Polícia toca Alarme - Quem é Agressivo tem Vantagens

Só no mês de Setembro entraram na Alemanha mais de 270.000 refugiados. Mais de metade dos refugiados tem idade inferior a 25 anos. Devido à “política de bem-vindos” de Merkel, aumenta o burburinho na sociedade alemã; o grau de popularidade da chanceler Merkel já desceu 9 pontos passando para o 4° lugar quando antes mantinha sempre o 1° lugar (Conta agora, apenas com 54% de cidadãos que aprovam a sua política, Wolfgang Schäuble passou para 1° lugar). Reformados e grupos carentes vêem cada vez menos dinheiro no orçamento alemão e contam já no próximo ano com pioramento da sua situação. O interesse e o medo tendem a desequilibrar-se. Em vários centros de acolhimento de refugiados há pancadarias entre grupos de refugiados; há médicos que já só querem entrar em centros de refugiados se acompanhados pela polícia. O sofrimento cria sofrimento.

Custa à imprensa alemã informar sobre tais casos para não fomentar sentimentos de agressão contra os refugiados mas atendendo à frequência das acções violentas entre estes, vê-se obrigada a deixar passar alguma informação em primeiro plano.

Em muitos casos, refugiados já traumatizados trazem os conflitos consigo, acrescentados por situações que não correspondem ao que tinham sonhado quando se puseram a caminho da Europa. A potencialidade dos conflitos é grande, se atendermos aos traumas da guerra, à longa caminhada até cá e que nos mesmos alojamentos se encontram muçulmanos sunitas e xiitas em guerra entre si, etnias e nações com interesses e costumes diferentes, cristãos que tiveram de fugir dos países devido à perseguição muçulmana, sofrendo agora a continuação da violência nos alojamentos, além do mais também os refugiados do Leste Europeu sem direito a asilo que esperam da sua estadia uma mesada superior à que recebem no emprego nas suas terras. Por estas e por outras o governo já determinou medidas tendentes a apressar o processo de asilo e em determinados casos optou por distribuir géneros em vez de dinheiro.

Para ajudar os estados federados e os municípios, o governo federal reembolsa-os em 670 euros por mês e por cada refugiado, comparticipando assim nos elevados custos dos estados federados e dos municípios. O apoio é concedido até que termine o processo de asilo de cada um. Uma vez reconhecido o direito a asilo, os asilados entram no sistema geral alemão de apoio social Hartz IV, tal como qualquer alemão necessitado.

Nalgumas casas de acolhimento de refugiados as contendas têm escalado. No alojamento de Calden-Kassel que foi concebido para 1.000 refugiados, agora com 1.750 refugiados de 20 nações, deu-se agora, depois de outras querelas, uma pancadaria com paus e gás de pimenta em que participaram 370 refugiados (albaneses e paquistaneses) e a que acorreram 50 polícias; 14 refugiados e três polícias foram feridos (http://zu.hna.de/calden2909). Polícias queixam-se que para acorrerem aos alojamentos já lhes falta o tempo para observarem os meios da droga e outros sectores de observação.

Nas palavras de Rainer Wendt chefe do sindicato da polícia, no “Passauer Neue Presse”, revela-se muita experiência recalcada e frustração acumulada, partilhada pelos colegas polícias nas suas intervenções em casas de alojamento de refugiados: "Temos experimentado essa violência durante semanas e meses. Juntam-se em grupos de acordo com etnias, religião ou com estruturas de clã e vão uns contra os outros com facas e armas caseiras”. "Islamitas querem impor lá os seus valores e a sua ordem". A minoria dos cristãos deveria, ser colocada, nas casas de alojamento de refugiados "sob protecção especial" porque é, muitas vezes, perseguida de forma maciça.

Muitos não se comportam como hóspedes e muitos refugiados alemães que depois da segunda guerra mundial vieram para a Alemanha (11 milhões) e viveram durante anos em alojamentos muito precários para refugiados, custa-lhes a compreender o comportamento e exigências de muitos refugiados de hoje.

Com a miséria e despovoamento da Síria, a longo prazo ganham os que querem lá a guerra. A Alemanha com tanta imigração rejuvenesce-se e cria maior concorrência no mercado de trabalho e deste modo disciplina o próprio operariado na concorrência europeia e globalista que quer uma precaridade comum aos diversos Estados. Assim evita uma flutuação de carentes entre os vários sistemas de apoio social da União Europeia.

Porque não se dá o mesmo direito aos que solicitam asilo nas embaixadas como aos que são transportados por quadrilhas que rebocam fugitivos que tiveram de pagar entre 4.000 e 8.000 euros aos que organizaram o seu transporte?

Que se faz contra os bandos de candongueiros ou traficantes? A proposta de lei do governo contempla um mínimo de três meses de cadeia para tais delitos. Porque é que alguns partidos de esquerda se opõem a medidas concretas contra os traficantes?

A crise dos refugiados continuará enquanto as potências continuarem a lucrar e ganhar créditos com a desestabilização dos países através da guerrilha e da morte.

O problema dos refugiados sírios resolve-se quando os governos dos USA, Rússia, Arábia Saudita e Irão se juntarem a uma mesma mesa; para isso a elite europeia terá de deixar de jogar com eles o jogo sujo e disser à população o que verdadeiramente se passa e os motivos que a levam a actuar assim.Os responsáveis conduzem lá fora a guerra sangrenta de que os países e os refugiados são vítima e cá dentro na Europa conduz-se a guerra mediática de que somos nós as vítimas. Na realidade, a política internacional conflituosa e de rivalidade entre os USA e a Rússia, entre os xiitas e sunitas, são os responsáveis por uma situação de destruição de nações e por uma nova situação na sociedade europeia de consequências futuras imprevisíveis. O vice-presidente do Parlamento Federal, Singhammer solicita a limitação do direito dos refugiados ao reagrupamento familiar. Refere que os 200.000 refugiados da síria na Alemanha trariam consigo um "potencial de reagrupamento ” para a Alemanha de 600.000 familiares.

A Liga dos Direitos Humanos IGFM em Frankfurt expressou que a proteção do direito de asilo exige um não ao abuso. A maioria dos migrantes vem de países seguros onde não há perseguição política. Há dias em que entram na Alemanha 10 000 refugiados.

O político dos Verdes Jürgen Trittin acaba de afirmar: "A Alemanha está a desaparecer a cada dia que passa". Claudia Roth, do mesmo partido, comentou: "Alemães são Não Migrantes. Nada mais." A sociedade europeia, devido à irresponsabilidade política cada vez se radicalizará mais.

António da Cunha Duarte Justo
“Pegadas do Tempo” www.antonio-justo.eu

Notícias sobre a integração dos refugiados islâmicos - 1



Uma família muçulmana converteu-se ao cristianismo. Por esse motivo está a ser perseguida por muçulmanos. Nissar Hussain, Kubra e os seis filhos têm sofrido bastante nas mãos dos seus vizinhos. As agressões já duram há um ano, segundo contam ao britânico Daily Mail.

Sentem-se mesmo autênticos prisioneiros na própria casa, uma vez que sempre que saem à rua são atacados. O veículo da família já foi vandalizado mais de uma vez.

A polícia já foi chamada ao local por diversas vezes mas por ser um crime de ódio religioso foi-lhes pedida atenção redobrada na forma como tratam o caso. Até agora só uma acusação foi conseguida.

“As nossas vidas foram sabotadas e isso não deveria acontecer na Inglaterra”, indica o patriarca, acrescentando que “vivemos numa sociedade livre, democrática e o que nos estão a fazer é errado”.

2 de outubro de 2015

Que tal vai isso de amores?


Constituição e Alcorão, vamos ver quem vence




Recebido por e-mail:


CONSTITUIÇÃO ALEMÃ EM ÁRABE PARA REFUGIADOS
As mesmas regras de jogo para alemães e estrangeiros – Iniciativa para evitar a desculpa do “não sabia,,


Quem vem para a Alemanha deve saber que “os princípios da nossa sociedade democrática são válidos para todos”.

O vice-chanceler alemão Sigmar Gabriel (SPD) mandou traduzir os primeiros 20 artigos da constituição alemã e imprimir 10.000 exemplares em árabe para serem distribuídas nos centros de acolhimento de refugiados e aos deputados na Alemanha. Junto toda a Constituição em árabe (دستور جمهورية ألمانيا الاتحادية):http://www.fes.de/international/nahost/pdf/GGArabisch.pdf

Deste modo os refugiados poderão saber quais são os princípios que regulam a sociedade alemã. Ninguém poderá mais tarde argumentar que não sabia as regras do jogo (traduzo): “A Alemanha não é um país qualquer. Aqueles que vêm para cá precisam de saber como é a cultura da convivência entre nós”, declara agora Gabriel em entrevista ao Bild Zeitung (2.10.2015). Defende a cultura dominante argumentando: „Existe uma cultura de liberdade e responsabilidade, de direitos e deveres de que não queremos abdicar. As pessoas que vêm para cá devem não só aprender a língua alemã, mas também saber as regras de jogo da nossa coexistência”.

E concretiza: “Ninguém é forçado, quando vem para a Alemanha, a mudar de religião, ou a mudar a sua vida privada. Mas que, é importante para a nossa convivência, que os princípios da nossa sociedade democrática, se apliquem a todos. A todos aqueles que já se encontram cá e a todos os que vêm. Que, entre nós, Religião e Estado são separados, que homens e mulheres têm os mesmos direitos, que cá a homossexualidade não é nada anormal, que as parcerias de vida podem ser escolhidas livremente, que somos um país com liberdade de expressão, que também inclui a crítica à religião, também mostramos nenhuma tolerância perante anti-semitismo, todos estes são os princípios que temos de declarar/explicar - mas cuja aceitação esperamos daqueles que vêm até nós. Também na integração se aplica: exigir e promover.”

Na Alemanha, atendendo à grande afluência de imigrantes (este ano conta-se com um milhão de pretendentes a asilo) e aos muitos problemas de convivência não resolvidos, a política começa a falar texto claro.

António da Cunha Duarte Justo
Jornalista
www.antonio-justo.eu

A GOLPADA


Escher, Encontro 

 Um exemplo de caracter democrático, um exemplo de como António Costa respeita a vontade popular: prepara-se para, mesmo que perca, formar governo socorrendo-se dos préstimos do PC e do BE!

  Isto mesmo foi sabido ontem pelos "mentideros" dos órgãos de informação.

  A política no grau zero? Ou apenas um desrespeito completo pela cidadania que o 25 de Abril nos devolveu?!

  Absolutamente inquietante e lamentável!

1 de outubro de 2015

DA BAGUNÇA COMO UMA DAS “BELAS ARTES”…



Diz assim a Agência LUSA:

Declaração foi feita depois dos primeiros distúrbios em centros de acolhimento.

O ministro do Interior alemão, Thomas de Maiziere, exigiu esta quinta-feira aos refugiados que respeitem a cultura e as leis do país que os recebe, depois dos primeiros distúrbios em centros de acolhimento.

Aceitar as leis e os valores alemães significa "que digam o verdadeiro nome e país de origem aos funcionários, não lutar, ter paciência e respeitar os outros, independentemente da religião ou sexo", sublinhou numa intervenção no parlamento (Bundestag), em Berlim.(…)

Dados do Ministério do Interior do estado da Baviera (sul), principal porta de entrada dos refugiados na Alemanha, só no mês passado, a Alemanha recebeu entre 270 e 280 mil requerentes de asilo, mais do que em todo o ano passado.

De acordo com as previsões para este ano, o número total deverá situar-se entre os 800 mil e um milhão de refugiados.(…)

De Maiziere defendeu uma integração "em duas direcções" e a importância de abrir rapidamente as portas do mercado laboral a quem tiver possibilidades reais de conseguir ficar na Alemanha e fomentar a aprendizagem da língua.

O ministro advertiu os requerentes de asilo que devem respeitar as decisões das autoridades: "o asilo na Alemanha não significa a escolha livre do domicílio".(…)

"Todos fazem um esforço enorme e de momento é tudo o que se pode fazer", declarou.

O ministro fazia alusão aos problemas registados na quarta-feira, em Hamburgo (norte), onde meia centena de agentes da polícia foi chamada a intervir num centro de acolhimento, na sequência de distúrbios entre dois grupos de sírios e afegãos, num total de cerca de 200 pessoas.

Várias pessoas ficaram feridas, mas até ao momento desconhece-se um número exacto.

Aparentemente, os distúrbios foram causados por divergências sobre a utilização dos duches e, de acordo com o diário Hamburguer Morgenpost, que cita os bombeiros, os dois grupos agrediram-se com barras de ferro e pedras.

Na terça-feira, uma rixa entre sírios e paquistaneses causou dois feridos em Dresden (leste). No domingo, 14 pessoas, incluindo três polícias, ficaram feridas num centro perto de Cassel (centro), depois de confrontos entre 70 paquistaneses e 300 albaneses.

NOTA – Ou seja: começou a revelar-se a verdadeira face dos “refugiados”…

29 de setembro de 2015

"Os cenógrafos"



Mais uma excelente análise de Helena Matos!

PARABÉNS!



    Em nome da equipa deste blog, daqui envio à Triplov- Revista de Artes, Religiões e Ciências, e à sua incansável directora, Maria Estela Guedes, os parabéns pelo merecido prémio internacional que lhe foi conferido este ano!
    Com os votos de que a Triplov se mantenha, por muitos e bons anos, como aquilo que tem sido até hoje: um meio de difusão cultural em sentido lato, assente na observação rigorosa do princípio da liberdade de expressão de pensamento.
    Bem haja!

"O mistério de António Costa"



    Vale a pena ler este texto de Rui Ramos, no Observador:

    Porque é que António Costa perdeu as eleições? A resposta, como é óbvio, é que ainda não perdeu. Mas é essa a pergunta que já toda a Lisboa oligárquica faz, muito impressionada pelas sondagens e pelos azares da campanha. A Europa tem-nos dado este ano motivos suficientes para desconfiarmos de primeiras impressões em campanhas eleitorais. Mas para a nossa oligarquia política, a simples possibilidade de uma derrota de Costa já é algo de incompreensível. E isso não apenas à esquerda, como à direita, porque a oligarquia é oligarquia antes de ser de esquerda ou de direita.

    A primeira razão de perturbação é esta: um governo que corta rendas e muda hábitos tem de perder eleições. Este foi, durante décadas, um dos pilares da sabedoria oligárquica, e a explicação da abstinência reformista do regime. A imaginação dos nossos oligarcas deriva de leituras liceais dos anos 60 e 70: a si próprios, gostam de se imaginar a partir dos Maias  de Eça de Queiroz, sofisticados e espirituosos; ao “povo”, imaginam-no a partir dos Gaibéus de Alves Redol: uma massa terceiro-mundista e dependente, que cabe à oligarquia dirigir e alimentar. Com cuidado: é que quando falta comida e sossego, o povo morde — porque “as pessoas não percebem”. Daí que a “austeridade” só pudesse ser uma receita de derrota. E daí também que fosse possível conceber o regresso ao poder, como fez Costa, pelo expediente de repetir que a culpa das dificuldades é só dos mauzões “neo-liberais”. Costa devia neste momento circular de andor nas ruas do país. Alguma coisa aconteceu: é agora a oligarquia que “não percebe”.

    A segunda razão está implícita na primeira: a oligarquia política é dona do país, e a democracia é o regime através do qual o povo é convidado a reconhecer esse senhorio. Ora, é difícil imaginar oligarca mais fácil de identificar do que António Costa. Costa cresceu ao colo do regime. Não houve dirigente do PS nos últimos trinta anos que não o tivesse posto num qualquer altar. Costa dá-se com toda a gente, da direita à esquerda. Chama-se a isso, em linguagem oligárquica, ser “consensual”. Passos não é assim. Andou na JSD, mas veio da província. Tirando Marques Mendes, nenhum líder do PSD lhe deu a mão e houve mesmo quem o tivesse perseguido. Não consta que fale com muita gente. Para a oligarquia, é um intruso, um “desconhecido”, como insinuou Costa. A frieza com que se permitiu tratar Ricardo Salgado, o banqueiro do regime, é a prova. No momento em que Costa apareceu, o país, como o cão de Ulisses, tinha obrigação de reagir. Que se passa? Os portugueses já não veem televisão?

    No país da oligarquia, Ricardo Salgado ainda deveria ter um banco (com o dinheiro dos contribuintes), um ex-primeiro ministro nunca poderia ter sido preso, e um membro honorário da Quadratura do Círculo teria de estar à frente nas sondagens. A oligarquia está confusa. Querem ver que, afinal, a “austeridade” não foi tão má como os próprios oligarcas andaram a dizer? Terá sido a Grécia? O fantasma de Sócrates? As fatalidades do euro? Ou a culpa é toda do Costa, esse eterno hesitante? Tudo passa pela cabeça aos nossos oligarcas. Menos uma coisa: a hipótese de o povo os ter percebido, a começar pelo fracasso e fuga de 2011.

    No seu desespero, os oligarcas de esquerda e de direita que cercam António Costa já admitem tudo, por exemplo, um resultado que lhes permitisse, mesmo perdendo, governar com o apoio do PCP e do BE. Pouco lhes importa a crise político-constitucional. Para a oligarquia, o regime vale menos do que o seu poder e a sua influência.

28 de setembro de 2015

NÃO PODEMOS IGNORAR



  Num texto dado a lume no decorrer dum congresso realizado numa universidade americana do noroeste, descrevi o Islamismo como uma doutrina de combate e conquista, pois sendo uma "religião revelada" é, na verdade, uma ideologia - como todas as "religiões reveladas" o são efectivamente.


   ("Religiosidade" essa que não provém da íntima concepção mística inerente ao ser humano numa fase sintomática, mas sim de factos impressos, após contacto mal entendido pelos objectos dela, mas orientados e propostos expressamente pelas entidades propulsoras, com objectivos eventuais determinados).


  O islamismo não é compatível nem com a modernidade - que lhe é adversa - nem mesmo com a mais estrita democracia, por razões que entroncam na sua doutrina essencial.


  Como muito bem escreveu Salman Rushdie, "o problema não é o extremismo, mas o Islão em si". Ou seja, em termos conclusivos que a História corrobora: "Um islamita é sempre potencialmente um fanático;  um fanático, potencialmente um jihadista; e um jihadista potencialmente um criminoso".


  (Os que têm, em enorme parte, cometido atentados, são não pobres felahs em fúria mas gente dispondo de proventos e até maioritariamente com cursos superiores. Ou seja, a cultura superior de que dispõem não supera a doutrina impressa, antes ajuda e cumplicia para serem mais eficazes!


  Daí que constitua uma ilusão acatitada pelos do politicamente correcto a ideia peregrina de que é possível conviver em liberdade democrática com a doutrina e a prática islamitas.


  NUNCA O FOI.



  Os documentos e os relatos históricos específicos corroboram-no!

  É já uma evidência, comprovada após análise competente, que em dado tempo no futuro vai dar-se um choque absoluto entre o mundo moderno e o Islão.


  A única coisa que não se sabe ainda de ciência certa é se esse choque será mais ou menos sangrento. E se o Ocidente democrático e libertário, numa primeira fase, poderá levar de vencida as hordas islâmicas. As quais, neste momento, são sustentadas socialmente e servidas pelas hostes progressivamente mais fortes dos chamados “moderados”, que constituem efectivamente a primeira vaga de invasão e combate (aparentemente conciliatório, legítimo e “pacífico”).


  A finalizar, acentuemos este dado hoje já perceptível: a criação e a expansão do termo/conceito "islamofobia" é uma arma de guerra posta a correr por razões próprias pelos apaniguados, ainda que camuflados, do totalitarismo islamita actual e putativo futuro.

  Daí que seja importante esclarecer as comunidades sobre o que tem de legítima a capacidade de não querer a doutrina islâmica, que não tem na verdade qualquer direito de se constituir como uma inevitabilidade a aguentarmos.

26 de setembro de 2015

A anedota do carvão climático asiático




É assim que se enxofra e os idiotas ocidentais da luta contra o "aquecimento global" proclamam ter conseguido uma vitória na China enquanto... não se pode fazer o mesmo no Ocidente porque temos que gramar as ventoinhas de derreter dinheiro.

"The argument appears to be, the coal plants will be built anyway – so when Japan finances the construction of high efficiency supercritical coal generators, rather than the smoky low efficiency units which would have been constructed without their financial help, they should be allowed to count the difference in emissions between the high efficiency units which are built, and low efficiency units which could have been built (up to a 50% reduction per plant according to the IGCC) as a contribution to reducing CO2 emissions – even though as the new plants come online, it seems likely that overall global CO2 emissions will actually surge."

21 de setembro de 2015

A Europa gagueja, o Estado Islâmico não




Estado Islâmico ameaça enviar 500.000 imigrantes para a Europa
Os extremistas do Estado Islâmico (EI) ameaçaram ontem criar o "caos no Mediterrâneo", caso a União Europeia decida enviar tropas para a Líbia.
"Se enviarem forças armadas para a Líbia, enviaremos meio milhão de imigrantes", refere uma mensagem enviada ao governo italiano o ramo líbio do EI. 

A ameaça surgiu depois do ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, Angelino Alfano, ter declarado que a resolução líbia deveria ser uma "prioridade absoluta" para a comunidade internacional. Também o ministro da Defesa italiano diz ter prontos 5.000 militares para combater o EI. 

"Se as milícias do Califado avançam mais depressa que as decisões da comunidade internacional, arriscamo-nos a um êxodo sem precedentes", avisou Alfano. Embora nos últimos anos a União Europeia (UE) tenha realizado acordos com os países muçulmanos do Mediterrâneo para travar o fluxo de imigrantes africanos, a queda do regime do ditador líbio Muammar Khadafi em 2011 mostrou a fragilidade da fronteira a sul.

A divisão do país entre milícias rivais impediu qualquer controlo oficial à imigração a partir dos portos líbios, que se situam a apenas 350 km de Itália, e a partir dos quais milhares de imigrantes tentaram a sua sorte pelo Mediterrâneo para entrar na ‘Fortaleza Europa'. Durante os últimos dias do regime, derrubado com a ajuda militar do Ocidente, o próprio Khadafi havia alertado para esta possibilidade. "Sem mim, o Mediterrâneo vai tornar-se no mar do caos", disse o ex-ditador. Segundo a imprensa italiana, o EI tenciona usar os imigrantes como "arma psicológica" contra a Europa, em particular contra Itália, estando a reunir embarcações para enviar para o Velho Continente a maioria das 700 mil pessoas que se encontram actualmente nas costas líbias a tentar entrar ilegalmente na UE. "A partir do momento em que o nosso país avance com o cenário de intervenção militar, os jihadistas planeiam enviar à deriva na direcção das nossas costas centenas de barcos apinhados de imigrantes", avisa o jornal italiano Il Messagero, citando escutas telefónicas secretas a que teve acesso.