11 de setembro de 2015

O expert



     Disse o ministro Pires de Lima aos jornalistas: "o Novo Banco será vendido na altura certa e pelo preço certo".

     Não estará na altura de chamarem para as negociações a pessoa certa?

9 de setembro de 2015

Elementar, meu caro Comissário, elementar!




Lembrou o nosso ex-primeiro ministro e actual Comissário ou-lá-o-que-é da ONU para os Refugiados, respondendo com sagacidade complacente à possibilidade de haver agentes do EI infiltrados nesta estranha (o termo é da jornalista Cândida Pinto) súbita vaga dos que debandam do Médio-Oriente para a Europa Central (decuplicaram de um instante para o outro, sem aparente motivo extra que o justifique), que quem tem uma missão terrorista não se mete num barco em risco de naufragar, utiliza o avião.

Concordo. Mas só em parte. De facto, nenhuma organização terrorista com um mínimo de senso e eficácia enviaria sequazes na maioria das embarcações em que os emigrantes ilegais atravessam o Mediterrâneo.

Estivesse eu, contudo, à frente do Estado Islâmico e, em alternativa a infiltrar militantes a conta-gotas por via aérea, preferiria montar uma rede de tráfico humano concorrente, equipada com barcos ainda em boas condições (também os há, e muitos, como se sabe, que chegam inteiros às costas italiana e grega). Pagaria as despesas da operação com o dinheiro sacado aos renegados danados por chafurdar nas delícias do Ocidente infiel e, à mistura com eles, faria assim entrar na UE uns, pelo menos, trinta combatentes por cada percurso.

Benefícios em termos de custos e do número de militantes infiltrados?

Bem… é… é só fazer as contas.

E pensarmos nós que este homem decidiu sobre Portugal durante anos!

8 de setembro de 2015

Regresso às aulas



(Recebido por email, desconheço a autoria)

"PARA ACABAR DE VEZ COM AS MALEITAS…"



   Chegou ao nosso marco do correio um texto de um leitor que assina como Ptolomeu Papoila (!),  com pedido de publicação. O conselho redactorial aprovou-a, pelo que ele aqui fica de seguida:

  Tem sido dito: “Sócrates animal feroz da política”, “Sócrates menino de oiro do PS”, “Sócrates mestre manobrador”, etc.

 Lamento discordar.

  À sua saída do cárcere de Évora, o que vi e o que muitos viram foi um indivíduo emagrecido, emaciado, de olhar entre o espantado e o ligeiramente atordoado.

  Um homem acuado, a meu ver entre a surpresa e o temor.

  Sejamos pragmáticos. Sejamos claros.

 Usemos de perspicácia em face dos diversos anos em que o perfil do homem nos tem aparecido. E o que se percebe, sem ser necessário sermos especialistas em contra informação, mas apenas dotados do vulgar bom senso, é que bem no fundo em Sócrates lê-se o medo.

  Sim, o medo. Apesar, ou perante, as bravatas de um dos seus causídicos, parece notar-se que ele está a efectuar uma fuga para a frente.

  Extremamente esperto, embora muitos digam que não é inteligente pois nunca um sujeito realmente inteligente se deixaria colher nos assados em que está, ele sabe pela vulgata politiqueira que “a melhor defesa é o ataque”.

  Por isso se move em tiradas de efeito. Em desespero de causa, dizem alguns.

  A meu ver, são balões de fumo. Assim em jeito do clássico assobio do garoto num caminho em que receia o espreitem sabe-se lá que fantasmas.

  Se virmos bem, ele que julgava ir sair da prisão acolhido, em ombros, por multidões, apenas teve em recepção a continência tímida e talvez atrapalhada de um polícia…

  E as visitas? Um Soares já sem estatura de líder ou de estadista que jamais conseguiu ser.

 Um apaniguado, um tal Pereira, devotado subalterno sem grandeza. E meia-dúzia mais de colegas de claque partidária sectorial.

  E um bolo de anos entregue por dois rapazolas.

  E alguns comentários, ridículos na sua ferocidade, de fanáticos em caixas de artigos em espaços interactivos de informação.

  O Grande Condutor começa a decair. E pela sua inabilidade, se calhar vai fazer perder as eleições ao antigo colega do seu governo, quando a vitória desse aprendiz de líder será a sua última chance de ter pela frente magistrados eventualmente intimidados.

  Um Requiem, a meu ver, não andará muito longe.

Ptolomeu Papoila

6 de setembro de 2015

“Sentimentalismo caro”



     É o que pensa Alberto Gonçalves, porque, diz ele,

     Quando redobraram as notícias sobre multidões que fogem para a Grécia e para a Europa em geral, pensei tratar-se de uma falha - nas notícias ou no GPS das multidões. Afinal, estivemos meses a aprender que na Grécia, e na Europa em geral, se vivia uma tragédia humanitária nunca vista. Contra todas as expectativas, havia tragédias assaz maiores já ali ao lado. E os que lamentavam a devastadora austeridade que nos caiu em cima são os mesmos que agora exigem a partilha da nossa ofensiva abundância com os desafortunados do Médio Oriente e de onde calha. De súbito, a Europa tornou-se rica e repleta de empregos, alojamentos decentes, mesas fartas, privilégios sem fim. É o lado bom da crise dos refugiados.

     O lado mau é que os corpos dos refugiados, vivos ou mortos, continuam a dar à costa. Vale que a reacção dos europeus se revela de fulgurante utilidade: correr para o Facebook a partilhar a fotografia do cadáver de uma criança estendido na praia e a criticar a passividade da Europa. Ou a indiferença dos governos. Ou a desumanidade de um destinatário genérico que naturalmente exclui o próprio - e heróico - indignado em causa. Parece um concurso para apurar qual é o cidadão mais piedoso.

     Por falta de candidatos, não é de certeza um concurso para apurar qual o cidadão que abriria as portas de casa ao maior número de refugiados. Descontadas as "dezenas" de voluntários de que falam as notícias, não vi muitas almas sensíveis passarem da sensibilidade à prática e afirmarem-se disponíveis para albergar, por um período transitório, dois sírios ou quatro curdos no quarto das traseiras. Possivelmente os refugiados perturbariam o sossego do lar, essencial para se alinhavar no Facebook manifestos de extrema preocupação com o destino dos refugiados. Esta atitude traduz a típica bravura moral de quem subscreve petições pelos pobres e não se digna olhar o mendigo que o interpela na rua. Ou de quem chora os "cortes" no SNS e não visita o amigo doente. Ou de quem protesta as touradas e não abriga um cão vadio. O sentimentalismo sem compromisso preza a higiene. E é, desculpem lá, uma treta.

     Mas houve pelo menos um português que saltou por cima das tretas e foi directamente ao assunto: o combate ao Estado Islâmico. A Sábado desta semana entrevista Mário Nunes, o militar de 21 anos que desertou da Força Aérea para, ao longo de quatro meses, lutar contra os jihadistas na Síria. Porquê? Porque prefere "morrer a não fazer nada". É maluco? Deve ser. Sensatos são os que ficam pelas ditas "redes sociais", a repousar as consciências e a responsabilizar uma vaga Europa pelos refugiados que a Europa real acolhe, sabe Deus a que preço. Talvez não fazer nada, hoje, seja um dia meio caminho andado para uma morte precoce. Ou pior, dadas as carências do islão imoderado em matéria de compaixão.

Do Islão, da jihad... e para que a História não esqueça

5 de setembro de 2015

Nebulosidades


(Recebido por e-mail - desconheço o autor)

A calúnia


O Chefe Natural dos Socialistas Saiu da Cadeia



É o assunto do fim-de-semana, claro que da semana que vai entrar, obviamente do mês. Muito naturalmente. Muito compreensivelmente. Para todos os socialistas (“O PS está todo com Sócrates”, disse apropriadamente o idoso mas activo e experientíssimo Mário Soares, muito regozijadamente e com razão). Do dito Soares a partidários relevantes como Lello ou Almeida Santos, ou secundários como J. Galamba ou Miranda Calha, percebe-se que a satisfação, senão mesmo a euforia pela saída de Évora deste socialista nuclear percorra os militantes de topo e de base, dos que estão com Sócrates e sempre confiaram nele.


Personagem fortemente carismática, político de choque e com grande ascendente nas hostes rosadas, seja como “menino de oiro” seja como “animal feroz da política”, o antigo primeiro-ministro e agora ex-recluso 44 é uma figura central e incontornável, de enorme recorte, como anteriormente o foram Salazar, Álvaro Cunhal ou o ainda felizmente bem conservado antigo e famoso Presidente da República.


E há razões para isso. Distinguindo-se, pela sua personalidade vincada e intrépida, dum titubeante, ainda que simpático ao público, António José Seguro, ou dum quase caricatural António Costa – de ideias inconsistentes e discurso confuso – o combativo socialista beirão ganhou notoriedade nacional e mesmo internacional não só junto de correligionários como Chávez, Maduro ou Lula da Silva mas no querer e na estima militante dos socialistas de base, especialmente lusitanos, que o vêem natural e compreensivelmente como o líder firme e dinâmico que os outros dois (Seguro e Costa) não conseguiram/conseguem de facto ser (foram, como usa dizer-se, o que se pôde arranjar…).


Pode estranhar-se que todos eles, esses militantes salientes ou anónimos que sonham com o regresso ao Poder dum PS que sob Sócrates venceu e dominou os adversários e governou com vigor uma Nação e um destino coletivo, esperem a sua volta – com naturalidade ou com vaga de fundo – para de novo poderem realmente estar no topo?


O futuro, afinal, não é dos melífluos escrevedores de “cartas aos indecisos” e sim dos que, ainda que também mediante cartas, sabem enfrentar e atacar firmemente os magistrados e até os pouco determinados, em vista a impor os seus pontos de vista e a razão que varonilmente têm por ser a sua!  

4 de setembro de 2015

Refugiados?




Por que continuam os dirigentes "europeus" a mentir olimpicamente (como comunistas) relativamente aos "refugiados"?

Yes, Sir!




   “Que terríveis são as maldições que o islamismo coloca sobre os seus devotos!

   Além do frenesim fanático, que é tão perigoso num homem como a raiva num cão, cria-se uma apatia fatalista pelo medo. Os efeitos são evidentes em muitos países: hábitos imprevisíveis e desleixados, inexistência de sistemas fiáveis na agricultura, métodos de comércio lentos e aparece a insegurança da propriedade sempre que os seguidores do Profeta são instalados ou ali vivem.

   O sensualismo degradado priva as suas vidas de graça e de requinte, na distância da sua dignidade e santidade.


   O facto de, em direito maometano, cada mulher dever pertencer a um homem como sua propriedade absoluta seja como criança, esposa ou concubina, atrasa o desaparecimento da escravidão de fé do Islão, deixando este de constituir um grande poder no relacionamento humano.

   Os islamitas, individualmente, podem mostrar qualidades pessoais excelentes, mas a influência massiva da religião paralisa o desenvolvimento social dos seus seguidores.



   Não existe no mundo nenhuma força retrógrada mais poderosa.

   Longe de estar em retrocesso, o islamismo é uma fé militante e proselitista. Já se espalhou por toda a África Central, criando combatentes temerários e determinados e se o cristianismo não tiver cuidado, pensando que está protegido pelo avanço que possui mediante a ciência e a tecnologia - ciência contra a qual eles lutaram sem que a tenham afastado - a civilização da Europa moderna pode tombar, tal como tombou a civilização da antiga Roma.”


Churchill, Winston (Sir), in The river war, vol. II, pgs. 248-250, 1ª ed., Londres, 1899

2 de setembro de 2015

Coisas… do catano!




No vasto pequeno mundo das coisas & loisas portucalenses mediáticas, duas delas me puxaram a atenção.



Uma foi o aranzel despertado pelas declarações do eurodeputado Rangel, que rezou ou deixou escapar a reflexão de que em socialismo nunca um premier seria investigado, numa alusão segundo os entendidos ao suspeito eborense (estacionado, para sermos exactos, na linda povoação alentejana).

Um cavalheiro escrevente, num jornal, deixou mesmo escapar o raciocínio de que, em troca, os adversários poderiam colocar em cima da mesa que também um tal Loureiro e um tal Lima estão a contas com o sector judiciário…

O que escaqueira a reflexão do dito tipo – pois precisamente os dois citados estão sim senhor sob o foco dos lúzios da judicial aparelhagem. O argumento colhia se não estivessem!



Não será assim, carago?

A outra que me suscitou foi a notícia de que o senhor magistrado que vai decidir da sorte malina ou benigna do renomado 44 é um cidadão de alto coturno que, curiosamente, já foi por duas vezes condenado por, parece – se a comunicação social conta bem o caso – ter tido a pecha de não pagar umas importanciazitas devidas a uns senhores.



A meu ver e com o devido respeito, eu creio que um cominado com condenações nunca deveria desempenhar funções magisteriais! Um fulano qualquer, tendo recebido condenação do seriíssimo mundo judicial, nunca devia permanecer no mundo judicial. Não será isto uma posição sensata?



Hoje, lá fora, brilha um lindo sol de Setembro. Numa árvore próxima passarinhos cantam. Os automóveis passam, num zumbido leve e por vezes pesado. Almocei umas ovas grelhadas com batatinhas. Em redor soa uma cantata de Schubert. Sinto-me pois feliz? Contentinho da silva? Não o afirmaria.

Com efeito, um halo de tristeza envolve estes meus minutos. Por sentir Portugal no seu melhor habitual?

Ah catano!



1 de setembro de 2015

"A Europa é de fugir"





Pelo que diz Alberto Gonçalves, no DN de anteontem,

Quando um branco mata um negro, como às vezes acontece com alguns polícias excessivamente nervosos nos EUA, a sentença popular é imediata: trata-se, obviamente, de racismo. Quando, como aconteceu na quarta-feira, um negro mata dois brancos, filma os homicídios e despeja tudo no Twitter para efeitos de consagração, a coisa complica-se: o homem, para cúmulo, gay, era capaz de ser vítima de discriminação, o que legitima parcialmente o crime. O resto legitima-se com o direito de posse de armas, pelo que há que julgar a Constituição e prender o revólver.

Em matéria de malabarismo mental, não faltam casos parecidos. O terrorista do comboio francês, por exemplo, apenas queria roubar para comer. Pelo menos é o que jura a advogada dele, que descreve um homem miserável e subnutrido. Esqueceu-se de descrever de que maneira é que tamanha penúria económica e física permite adquirir e transportar uma Kalashnikov de 600 euros e três quilos. Mas o principal é que a culpa é da exclusão social, ou seja, da sociedade, ou seja, sua e minha. Por mim, estou disposto a confessar tudo e a acatar o merecido castigo.

Entretanto, lembro a curiosa retórica com que se recebe os refugiados que dia após dia chegam pelo Mediterrâneo e por onde calha. Segundo a voz corrente nos media, a responsabilidade pela tragédia (humanitária, é de bom-tom acrescentar) cabe inteirinha à Europa, a Europa que não recebe devidamente, a Europa que não integra adequadamente, a Europa que, em suma, não corresponde impecavelmente aos sonhos daqueles desgraçados, disponibilizando-lhes em cinco minutos casa decente, emprego digno, subsídio de assimilação e banda filarmónica. Os telejornais fervilham de repórteres a apontar o dedo indignado.

Quase ninguém explica que as dificuldades de resposta da Europa são inevitáveis perante a brutal, e desde há décadas incomparável, migração de centenas de milhares de pessoas (350 mil em 2015). Quase ninguém recorda que as dúvidas europeias são as próprias de gente civilizada, que tende a ponderar as consequências dos seus actos. Quase ninguém nota que a Alemanha, logo a Alemanha, tem liderado com a generosidade possível o processo de acolhimento. Quase ninguém refere a veneração que inúmeros sírios passaram a dedicar à senhora Merkel, logo à senhora Merkel. Sobretudo quase ninguém informa que os refugiados, na imensa maioria muçulmanos, escapam precisamente da selvajaria hoje recorrente nos países de origem e na religião que professam. Apesar do folclore jornalístico em contrário, que atribui ao bombeiro o fogo posto pelo pirómano, a verdade é que o drama dos refugiados começa no Islão, não na Europa.

A benefício da subtileza, também poderíamos falar dos refugiados que são de facto "infiltrados" do ISIS e agremiações similares. E dos refugiados que matam refugiados sob acusações de cristianismo. E dos perigos de abordar estas matérias com mais lirismo adolescente do que sensatez. Porém, dado que andamos ocupadíssimos a odiarmo-nos, não há tempo para detalhes. O importante é estabelecer que a culpa é nossa. Culpa de quê? Vê-se depois, ou nem isso. Certo é que a Europa é de fugir, embora os outros misteriosamente fujam para a Europa.

27 de agosto de 2015

Apelo ao voto esclarecido



A nosso ver impõe-se a mais mimosa das reflexões: ou seja, vote em António Costa...!

Ao fazê-lo estará a ajudar o nosso varonil Senhor Engenheiro, vingando-o de tantos sofrimentos passados na sua vilegiatura alentejana. Pois é o mesmo que votar nele - o chefe natural dos socialistas, agora que o doutor Soares já passou ao estado de ligeira recauchutagem.

Mas ao fazê-lo, dando-lhe uma  perfumada vitória, estará a permitir que voltem à cena outras figuras singulares: o másculo Silva Pereira, o suave mas firme Santos Silva, o dinâmico Lacão, o interessante Lello que junta a galhardia à serenidade, um tal Galamba que nos desperta de imediato a comoção, os Campos filho e pai, talvez o próprio Coelho com quem ninguém se mete senão leva, enfim... A trupe, se nos é permitida a familiaridade, que ajudou o nosso Homem a pôr o País em termos. Ou seja, uma alegria de viver, de conviver, de... Mas vocês já entenderam!


Votar no magnificente Costa é com efeito votar no Nóvoa, outro que nos põe a fremir. É, se assim o digo, dar um sinal de que um dia poderemos ter aí um Siryza ou, mesmo, um Varoufakis (ou o Costa vestido como o sexy ex-ministro, o que já não era nada mau). 

         O digno, como se costuma dizer, mártir -  agradece de certezinha (isto digo eu)!