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6 de novembro de 2015

A INFÂNCIA DE UM CHEFE...


Nicolau Saião, O grande mistério

    João Oliveira, um dos jovens turcos do partidão que foi de Cunhal e agora é de Jerónimo, ambos por obra e graça do Todo Poderoso comité central, disse num dos órgãos de comunicação em que se expande que “ A palavra de um comunista vale mais que um papel escrito”, cito de memória, querendo com isto dizer que nem é preciso assinar-se um qualquer papelucho com o projectado Acordo.

  Num blog de referência, um dos postadores pergunta-se como é que um sujeito maior e vacinado, ainda que novito, (como usa dizer-se um homem de barbas na cara) e que até “parece bom tipo”, pode ser um comunista ferrenho após conhecer-se, como hoje se conhece, a parafernália de crimes, opressões e misérias levados a cabo por essa ideologia em todos os lugares por onde passou.

  É fácil de descriptar: como todos os membros de formações totalitárias, o indivíduo em causa é um fraco (basta ouvi-lo falar na TV: atabalhoadamente, com um ar simultaneamente impositivo e primarizado), imbuído de conceitos “generosos” a que uma instrução curricular decerto confusa conferiu uma sedimentação “ingénua” mas autoritária.

   Oliveira terá sido um adolescente sonhador e romântico politicamente, com boas intenções para com o mundo e o seu semelhante. E, como habitualmente nestes casos, a ligação muito intensa a uma propaganda para quadros e a imersão num colectivo de topo – onde o ambiente deve ser muito exigente e o controle muito apertado por razões de estrutura – fez o resto.

   Eis pois como se transforma um “bom tipo” num autoritário crente e num fanático. Daí este seu posicionamento, de tipo “honradez à antiga”, de que a palavra dum comunista vale um acordo escrito e formal. Não vale. É apenas estratégia no sentido de caucionar a potencial ausência de acordo.

   Em suma: a velha hipocrisia lenino-stalinista em versão galo de Barcelos…

5 de novembro de 2015

Fernando Pessoa e a esquerda política


Almada Negreiros, Fernando Pessoa (caricatura)


É sabido.

Para o PCP, o BE não passa de um conjunto de betos desprezíveis, um grupelho de "radicais pequeno-burgueses de fachada socialista" (usando a expressão de Cunhal para aqueles que se reclamassem de maior pureza marxista-leninista do que a sua e do seu partido). São inimigos dos povos, e há que combatê-los.

Para o BE, o PCP é constituído por um grupo de múmias zombianas, algumas falecidas ainda na juventude, esquecidas do que é o marxismo-leninismo, que só estorvam (quando não matam) os que se  lhes atravessarem no caminho. São inimigos dos povos, e há que combatê-los  - mas com o maior civismo, é claro.

E dou por mim a lembrar-me daquela aflita perplexidade de Fernando Pessoa perante uma discussão entre dois amigos, pelo facto de, embora cada um deles fosse incapaz de o perceber, ambos terem razão.

31 de outubro de 2015

Bigornas e "neo-liberais"



« Pacheco Pereira, entre outros, conjecturam que o PSD e o CDS foram tomados por perigosos radicais de direita. Dada a gravidade do assunto, e por forma a conter potenciais epidemias, elaboramos um questionário para aferir se é um perigoso e radical, passe o pleonasmo, de direita. Se responder afirmativamente a todas estas questões, então podemos garantir ser um radical de direita.

  1. Sabe que, pelo menos no planeta Terra, se atirar uma bigorna ela cai; sabe que se a atirar para cima da sua cabeça a bigorna cairá na sua cabeça; e sabe-o de forma apriorística, sem ter de conduzir qualquer experiência; 
  2. Suspeita quando lhe vendem Nirvanas, fins de austeridade, e outros amanhãs que cantam efabulados por pessoas que não passariam o teste da bigorna;  »
  3. ...

29 de outubro de 2015

"A cor dos extremismos"



Destaco este excerto do artigo de opinião de André Abrantes Amaral, no Jornal i:

«(…) PCP e BE aceitam agora o euro, mas impõem medidas que minam a continuação na moeda única. Esta tem regras e o dinheiro para a despesa que se avizinha virá dos mercados. A esquerda tem destas incongruências: em nome da soberania, torna-nos mais dependentes. Será curioso ver a esquerda, à semelhança de Salazar, clamar contra o estrangeiro quando as coisas não correrem bem. É que, por muito que doa, os extremismos têm a mesma cor e não se justificam. Combatem-se.»

22 de outubro de 2015

A alternativa disciplinadora



    Respondendo, ontem, a um elemento do PSD que lhe lembrava a hipótese de o Orçamento de Estado da Coligação poder vir a ser aprovado mediante votos favoráveis de parte da bancada parlamentar do PS, a pessoa alternativa, jurista e deputada socialista Isabel Moreira lembrou, por sua vez: "Então e a disciplina partidária?".

    De onde se conclui o que já se sabia que ela sabe, aliás: que se todo o mundo fosse alternativo seria muito mais disciplinado; e que ser alternativo é ser um disciplinador de consciências  - a bem da Nação, é claro.

    A deputada Isabel Moreira promete. E cumpre.

19 de outubro de 2015

"A esquerda também aprende"




É só rir, é só rir! Não há como este homem para... ihihih! Ora leiam... ihihih... Ainda o veremos a receber o Prémio Nobel... ihihih...

«Tudo leva a crer que a esquerda portuguesa começou a entender que o ciclo político iniciado com o 25 de Abril está a terminar e que todos juntos talvez sejam suficientes para inverter o processo de decadência estrutural que a coligação de direita iniciou com a ajuda da troika. No sentido que lhe atribuo, decadência significa divergência progressiva, em vez de convergência progressiva com o rendimento médio europeu e os indicadores sociais que lhe estão associados. A prazo, se houvesse convergência, os jovens portugueses teriam tanta necessidade de emigrar como os jovens alemães ou finlandeses. Está em curso o processo oposto.

Não é ainda claro o que cada partido aprendeu. O PS começou a aprender que quanto mais se parecer com a direita menos a direita precisa dele e menos precisam dele os cidadãos e cidadãs que, inconformados com as suas políticas, começam a identificar alternativas à esquerda. Se aprender esta lição, terá igualmente que aprender que vai ser necessário organizar alguma rebeldia a nível europeu, com sabedoria e aliados europeus. Sem renegociação/restruturação da dívida e com o atual Tratado Orçamental, a decadência é fatal com ou sem fantasias macroeconómicas. Aprenderá? Não esqueçamos que a ignorância estrutural no PS é muito alta. Só isso explica que Francisco Assis esteja à espera que o partido lhe caia nas mãos. Se isso acontecer, terá o triste privilégio de ser o seu coveiro.

O BE e o PCP aprenderam que os portugueses lhes deram demasiados votos para poderem ser apenas votos de protesto. Durante a campanha ouviram muitas vezes o apelo dramático: "Tirem esta direita do poder". Deveriam entender-se entre si e não apenas cada um deles com o PS.

Com o Livre, a esquerda também aprendeu. O Livre foi uma presença talvez passageira mas salutar porque introduziu duas inovações, uma programática e outra organizativa. Foi a primeira força política, depois do 25 de Abril, a pôr a unidade de esquerda no centro da sua agenda política, uma unidade assente em bases programáticas credíveis. Foi a única força política que abraçou convictamente a democracia direta e participativa na eleição dos seus candidatos e se articulou de modo não proprietário com movimentos sociais autónomos, como foi o caso do Movimento de Cidadãos por Coimbra (CPC).

Em geral, e salvo situações de total descrédito das forças políticas dominantes (como recentemente em Espanha), as grandes inovações políticas não são bem acolhidas em processos eleitorais, dominados por rotinas, lealdades e aparelhos. Mas o facto de não beneficiarem quem as introduz não quer dizer que se percam. A inovação programática introduzida pelo Livre foi decisiva para a mudança estratégica (e não apenas tática, ao que parece) do BE no sentido de, já na campanha eleitoral, se abrir a uma aliança com o PS, que no passado parecia ser o seu inimigo principal.

O Livre conseguiu impor parte da sua agenda, mas poderá aprender com a sua vitória? Para isso, deveria equacionar dissolver-se em nome da unidade de esquerda por que lutou desde que se realizassem as seguintes condições: o BE mostra que a unidade de esquerda é, para os tempos que se aproximam, a melhor decisão estratégica; adota a inovação organizacional do Livre, a democracia direta no interior do partido, acabando de vez com vanguardismos, leninistas ou não; mostra-se disponível para acolher os ativistas do Livre, a grande maioria deles ex-militantes ou ex-simpatizantes do BE, se estes assim o entenderem; a direção do Livre põe à discussão nas suas bases, votantes e simpatizantes, a hipótese da dissolução nas condições referidas, e o voto é pela dissolução.

Qualquer que seja o resultado, será um momento alto de pedagogia política de esquerda. Se a decisão for a não dissolução, o Livre terá um mandato mais forte para continuar. Se o Livre se dissolver, os movimentos sociais que se articularam com ele nada têm a perder. O CPC, por exemplo, continuará a sua luta por resgatar Coimbra das oligarquias políticas medíocres e corruptas que a têm destruído. Em próximas eleições serão os partidos a necessitar do CPC, e não o contrário.»

11 de outubro de 2015

A peste a seu dono



A imoralidade não é uma ferramenta do marxismo. Falar-se em imoralidade no caso de marxistas é levar-se a moral para o campo do marxismo, uma espécie de contaminação da moral, por poder, eventualmente, morar na cabeça de marxistas.

Os marxistas não são imorais. São amorais.

10 de outubro de 2015

A panaceia dos tontos




"Mais europa", mais parvoíce.

"Mais europa" trouxe a insipiência à Europa, a irrelevância política, a estagnação da economia no reino komissarial.

A "europa" hoje, junta, vale menos que anteriormente a França sozinha, a Inglaterra sozinha, a Alemanha sozinha, a Itália sozinha, a Espanha sozinha.

Na "mais europa" o reino é dos tontos, e... "mais europa" continua a ser a panaceia.


9 de outubro de 2015

"A lógica da batata"


Escher, Drawing Hands

Estava eu a preparar-me a preparar-me para escrever algumas linhas sobre a nova novidade inovadora (e que, no entanto, seria tão velha como o mundo), consubstanciada na palavra de ordem que percorre o país com a habitual potência canora, propriedade privada dos amanhãs que cantam, a saber: que os partidos políticos são como o Pai Natal, não existem; que as pessoas não sabem, mas votam em tendências, não em partidos; e que, ao fim de 41 anos, atingiram por fim a maturidade em que a verdade lhes pode e deve ser revelada - eis senão quando vejo que Paulo Ferreira, no Observador, me tinha poupado o trabalho. Aqui fica o que ele disse sobre a coisa.


Enquanto António Costa se transforma no protagonista pós-eleitoral e prossegue a sua coreografia, como se estivesse a formar governo, alinham-se as propostas sobre a composição partidária que deve suportar o próximo executivo. O absurdo é tanto que às vezes é preciso regressar ao mais básico. É o que tento fazer hoje.

1 – Quando um partido ou coligação não recolhe a maioria dos votos expressos então uma maioria de eleitores preferia uma de outras candidaturas. Isto não tem nada a ver com ciência política, com leituras da Constituição ou com alinhamentos ideológicos ou partidários. Isto é a mais básica aritmética, entendível até por uma criança do primeiro ciclo. Não tem nada de novo e acontece sempre, mas sempre, que um partido ganha sem maioria absoluta. A aritmética nunca nos falha.

2 – Para não ir mais longe até aos primórdios da democracia, isto aconteceu com Cavaco Silva em 1985, com António Guterres em 1995 e 1999, com Durão Barroso em 2002, com José Sócrates em 2009 e com Pedro Passos Coelho em 2011 e 2015. Todos estes políticos têm uma coisa em comum: foram primeiro-ministro após eleições que venceram mas em que uma maioria de eleitores teria preferido outros candidatos a chefe de governo. Governaram quando uma maioria de eleitores queria aquilo que se pode chamar uma “mudança de política”. E não me lembro de alguma vez, nos seis casos passados, ter sido sequer colocada a hipótese se não ser qualquer deles a formar governo.

3 – Sem maioria absoluta, estes líderes partidários lidaram com essa circunstância de forma diversa. Cavaco e Sócrates governaram sem maioria no Parlamento e acabaram por cair, um derrubado por uma moção de censura aprovada pela maioria das oposições, outro demitindo-se na sequência de um chumbo do PEC pelas oposições na AR. António Guterres terminou a primeira legislatura e demitiu-se a meio da segunda. Durão Barroso e Passos Coelho fizeram coligações pós-eleitorais com o CDS. Barroso saiu depois para Bruxelas e o seu sucessor, Pedro Santana Lopes, acabou por ser demitido pelo presidente Jorge Sampaio. E Passos Coelho terminou a legislatura passada. 

4 – Já tivemos, portanto, de tudo um pouco: coligações pré e pós-eleitorais, governos minoritários que sobrevivem e outros que caem. Até tivemos um primeiro-ministro que não foi a votos mas que foi empossado pelo Presidente da República: Santana Lopes. Mas sempre houve uma regra: quem forma governo é o líder do partido mais votado, que se apresenta nas eleições como candidato a primeiro-ministro. O apoio parlamentar que os vitoriosos minoritários depois conseguem agregar é uma questão pós-eleitoral de negociações partidárias e parlamentares.

5 – O que nunca tivemos na sequência de um acto eleitoral foi a formação de um governo liderado por um partido que não tenha sido o mais votado. Colocar esse cenário configura uma deturpação de toda a prática política passada que nunca foi questionada em sete das dez eleições legislativas que tivemos nos últimos 30 anos.

6 – O argumento chega a ser infantil: uma maioria de eleitores querem uma política diferente da defendida pela coligação PSD/CDS. Claro. Como também em 1985, 1995, 1999, 2002, 2009 e 2011 queriam uma política diferente da que o vencedor propunha. É lógico: quando mais de 50% dos eleitores vota numa candidatura que não foi a mais votada é porque não a quer no governo, senão tinha votado nela.

7 – Regressemos então à aritmética para este caso concreto. O argumento é: deve ser formado um governo liderado pelo PS porque houve uma maioria de eleitores, no caso de 61,5%, que rejeitaram o PSD/CDS. Mas se essa é a lógica temos então 67,6% de eleitores que disseram que não queriam um governo liderado pelo PS. E 89,8% dos eleitores rejeitaram a política defendida pelo Bloco de Esquerda e 91,7% votaram em opções diferentes das da CDU. Quando se opta pela lógica da batata e se prefere olhar para os votos “contra” em vez dos votos “a favor” é aqui que chegamos: não podemos ter um governo que 61,5% não escolheram. Mas devemos ter um governo liderado por um partido que 67,6% não escolheram aliado a partidos que foram rejeitados por cerca de 90% dos votos expressos. E achamos isto legitimo. Mais: há até quem ache isto democrático.

8 – Fala-se de um “governo de esquerda”. Como se a esquerda – e o mesmo se pode dizer da direita – fosse una e indivisível, como se a esquerda fosse toda idêntica e programaticamente próxima. Como se o eleitorado socialista fosse política e sociologicamente semelhante ao eleitorado comunista e bloquista. O PS está muito mais próximo do PSD do que dos partidos à sua esquerda, como é evidente. Não é por acaso que se fala do “centrão” e do “bloco central”, que as maiores transferências de voto entre eleições são geralmente entre estes dois partidos e é aí que se ganham e perdem eleições. Os acordos institucionais estruturais que temos unem PSD e PS mas não o BE e o PCP: Europa, moeda única, NATO, economia de mercado, tecido empresarial essencialmente privado, democracia plural, objectivo de equilíbrio orçamental e respeito pela propriedade privada. Não é por acaso que comunistas e bloquistas dizem frequentemente que “eles são todos iguais” e “são farinha do mesmo saco”. Eles são o PS e o PSD.

9 – Se a “esquerda” quer governar e até se pode entender para formar um governo porque é que PS, PCP e BE não fizeram uma coligação pré-eleitoral e se apresentaram assim ao eleitorado? Uma pista: porque o que os separa é muito mais do que os une e nunca conseguiriam entender-se em torno de um programa eleitoral comum que pudesse merecer a preferência de uma maioria de eleitores.

10 – Formar, na saída destas eleições, um governo que não seja liderado pelo PSD/CDS é uma perversão dos resultados eleitorais em toda a linha. Primeiro porque é deixar o partido mais votado – ou o menos rejeitado, nesta lógica – fora da solução de governação. Depois, e mais importante, é um “golpe de Estado” em relação à matriz essencial que resulta do voto de domingo: continuação da consolidação orçamental, manutenção no euro, respeito pelas regras europeias e rejeição de soluções de ruptura como as que defendem o BE e a CDU. Se o PS não percebe isto estará a trair uma parte decisiva do seu eleitorado.

11 – Mas não pode haver diferentes arranjos de governo que saiam do mesmo Parlamento? Pode. Mas nunca sem antes permitir que o partido mais votado faça o seu governo com os apoios que vier a conseguir unir da forma que entender. É impensável que seja de outra maneira. A coligação PSD/CDS deve ser chamada a governar. E se o governo cair daqui a um ou dois anos? Aí, cada um deve assumir as suas responsabilidades sobre a queda do governo. Depois, em função da leitura que o Presidente da República e a generalidade dos partidos fizerem, o país vai de novo para eleições ou pode tentar-se uma nova solução de governo no mesmo Parlamento.

12 – Pode essa solução futura passar por um acordo parlamentar entre PS, BE e CDU que sejam o suporte de um governo? Pode. E aí boa sorte para a governação e para o julgamento que os eleitores farão disso nas eleições seguintes.

A SIC também é Serviço Público...


(imagem recolhida aqui)

... tal como pudemos constatar uma vez mais, há bocado, no telejornal, quando a locutora de serviço nos revelou que "António Costa dará uma nova oportunidade à coligação na próxima terça-feira".

De louvar a isenção da peça (jornalística) por não haver cedido à pressão de dizer "aos pafúncios", expressão de refinado e irresistível sentido de humor usada por Ferro Rodrigues durante os discursos e libações do almoço comicial, na Trindade.

Afirma-se, pois, a SIC, no que respeita ao entendimento e prática de um tão inestimável serviço, como em nada inferior ao que demonstra a RTP, hora após hora de emissão patriótica. Colhido ao acaso, recordo uma peça, transmitida pelo canal público na véspera do fim da campanha eleitoral, em que o locutor, referindo-se a Passos Coelho, dizia a certa altura, antecedendo as palavras do primeiro-ministro, que este iria, de seguida, "calçar os sapatos dos indecisos" para "tentar fazer-lhes a cabeça".

Citando Carlos do Carmo citando, por sua vez, Alfredo Marceneiro: "E, se não gostaram, vão para casa e ponham discos".

7 de outubro de 2015

Crocodilos voando baixinho ... Pois!



    Coimbra? Faz todo o sentido. Depois de terem atribuído o título de doutor honoris causa a Lula, o cérebro da maior burla da história da humanidade, qual o espanto com Varoufakis?


    Despache-se o estado islâmico, de imediato,  para Coimbra, como agente preservador dos valores culturais locais, que ele os projectará ao firmamento.


    E... quanto a estudantes? Que tal incluir nos respectivos canudos que "realizou os seus estudos" na instituição capaz de tão doutos e pertinentes feitos?

Dos intelectuais e dos que os acompanham



Ou "Da Revolução e dos 'idiotas úteis' (o termo é de Lenine)".

O que afecta a Europa e o Ocidente "progressistas"...



...será cegueira, cobardia ou, muito simplesmente, uma (incurável?) super-estupidez?

5 de outubro de 2015

O CAIR DA FOLHA



  Neste Outono menos nostálgico que acalentador política e socialmente falando – pelo menos para alguns, fracção razoável do povinho incluído – faz sentido debruçarmo-nos um pouco sobre o que ontem (pré 5 de Outubro…) sucedeu eleitoral e mediaticamente falando.

  Num vôo de pássaro (pardal, gavião, albatroz…) sobre o que nos foi dado ver pelas diversas estações televisivas, algumas coisas nos chamaram a atenção.

(imagem recolhida aqui)

   Aqui as deixamos, ponto a ponto:


  1. A “performance” do antigo primeiro-ministro, hoje submetido a vilegiatura obrigatória num entreposto duma rua da capital, aos repórteres que quase ansiosamente o aguardavam. Apesar da sua evidente atitude, supostamente dinâmica política e interventora, não conseguimos ver o afamado “animal feroz” mas um indivíduo de rosto marcado pelas rugas da actual magreza (e apoquentações?), encanecido, uma espécie de fantasma político que, ao que cremos, ainda não percebeu que já nada tem a fazer no imaginário público nacional, excepto ser acolhido por gente dos médias visando faits divers supranumerários ou vitoriado por ineficazes.


  2. A intervenção, digna de um “vaudeville” de segunda ordem, dum declarante oficial do PC, antigo candidato à presidência de República, que mostrou que as ilusões circulantes naquela formação se traduzem em algo que seria trágico se não fosse tristemente cómico: ganharem tendo perdido, utilizando uma retórica que nos mergulha numa comiseração indisfarçável. Foi a isto que chegou a sombra errante do “Pai dos Povos”, com toda a sua carga simbólica, e que corrobora a velha e astuta frase de que a História se repete, primeiro como tragédia e depois como farsa?


  3. A presença, bem entrosada, de membros da chamada “tralha socrática”, depois passados para a figuração costista, apostados ferreamente em demonstrar que o seu novel chefe (foi o que se pôde arranjar…), foi um valente guerreiro, mau grado os desconchavos, os paupérrimos conceitos e a sua capacidade indiscutível para não interessar nada a quem mais interessaria – que é como quem diz: os cidadãos portugueses.


 4.  Os gritos vibrantes, denunciadores de uma certa habilidade proto-circense, digamos, do acervo de partidários com, bem na frente, amoráveis “múmias” do staff socialista, vitoriando galhardamente o chefe que acabava de ser derrotado quando este, ainda mais galhardamente e numa frase que diz tudo sobre o mesmo, anunciou que não se demitiria…


  5. Os esforços quase hercúleos de certas estações televisivas que, servindo-se de comentadores/convidados competentíssimos nos seus malabarismos, se esmeraram à boa maneira das fábulas para demonstrar que o preto é branco e o branco é preto politicamente falando, pelo menos na praça lusa.


  6. A deliciosa arrogância, alfacinhista na essência mas muito grega no perfil clássico, da dirigente bloquista, que ilustrou na perfeição a velha máxima de que, no que respeita a formações governamentais em hipótese, a impossibilidade disso antes de o ser já o era


  7. A garantia, dos triunfadores da contenda, de que vão proceder a ajustes na máquina de governar – o que, sendo uma vontade não é, pelo que se presume e pelo que já se ouviu, algo para acreditarmos estupendamente. Não esqueçamos que ainda por cima nas hostes rosas se conservam ferros, galambas e lacões (e outros pelo estilo) o que não nos permite sonhar excessivamente.


  8. Por último, a retórica do chefe comunista (a que alguns, tecnicamente, atribuem resiliências que viriam do estalinismo – discordo, acho que aquilo é mesmo estrutural), na sua vontade - claro que a favor, sempre, do bom povo totalmente proletário – de ir para o cadeirão curial sem ter para isso expressão maioritária dos votantes…

3 de outubro de 2015

Notícias sobre a integração de refugiados islâmicos - 2



Recebido por e-mail:

CONTENDAS EM CASAS DE ACOLHIMENTO DE REFUGIADOS NA ALEMANHA

Polícia toca Alarme - Quem é Agressivo tem Vantagens

Só no mês de Setembro entraram na Alemanha mais de 270.000 refugiados. Mais de metade dos refugiados tem idade inferior a 25 anos. Devido à “política de bem-vindos” de Merkel, aumenta o burburinho na sociedade alemã; o grau de popularidade da chanceler Merkel já desceu 9 pontos passando para o 4° lugar quando antes mantinha sempre o 1° lugar (Conta agora, apenas com 54% de cidadãos que aprovam a sua política, Wolfgang Schäuble passou para 1° lugar). Reformados e grupos carentes vêem cada vez menos dinheiro no orçamento alemão e contam já no próximo ano com pioramento da sua situação. O interesse e o medo tendem a desequilibrar-se. Em vários centros de acolhimento de refugiados há pancadarias entre grupos de refugiados; há médicos que já só querem entrar em centros de refugiados se acompanhados pela polícia. O sofrimento cria sofrimento.

Custa à imprensa alemã informar sobre tais casos para não fomentar sentimentos de agressão contra os refugiados mas atendendo à frequência das acções violentas entre estes, vê-se obrigada a deixar passar alguma informação em primeiro plano.

Em muitos casos, refugiados já traumatizados trazem os conflitos consigo, acrescentados por situações que não correspondem ao que tinham sonhado quando se puseram a caminho da Europa. A potencialidade dos conflitos é grande, se atendermos aos traumas da guerra, à longa caminhada até cá e que nos mesmos alojamentos se encontram muçulmanos sunitas e xiitas em guerra entre si, etnias e nações com interesses e costumes diferentes, cristãos que tiveram de fugir dos países devido à perseguição muçulmana, sofrendo agora a continuação da violência nos alojamentos, além do mais também os refugiados do Leste Europeu sem direito a asilo que esperam da sua estadia uma mesada superior à que recebem no emprego nas suas terras. Por estas e por outras o governo já determinou medidas tendentes a apressar o processo de asilo e em determinados casos optou por distribuir géneros em vez de dinheiro.

Para ajudar os estados federados e os municípios, o governo federal reembolsa-os em 670 euros por mês e por cada refugiado, comparticipando assim nos elevados custos dos estados federados e dos municípios. O apoio é concedido até que termine o processo de asilo de cada um. Uma vez reconhecido o direito a asilo, os asilados entram no sistema geral alemão de apoio social Hartz IV, tal como qualquer alemão necessitado.

Nalgumas casas de acolhimento de refugiados as contendas têm escalado. No alojamento de Calden-Kassel que foi concebido para 1.000 refugiados, agora com 1.750 refugiados de 20 nações, deu-se agora, depois de outras querelas, uma pancadaria com paus e gás de pimenta em que participaram 370 refugiados (albaneses e paquistaneses) e a que acorreram 50 polícias; 14 refugiados e três polícias foram feridos (http://zu.hna.de/calden2909). Polícias queixam-se que para acorrerem aos alojamentos já lhes falta o tempo para observarem os meios da droga e outros sectores de observação.

Nas palavras de Rainer Wendt chefe do sindicato da polícia, no “Passauer Neue Presse”, revela-se muita experiência recalcada e frustração acumulada, partilhada pelos colegas polícias nas suas intervenções em casas de alojamento de refugiados: "Temos experimentado essa violência durante semanas e meses. Juntam-se em grupos de acordo com etnias, religião ou com estruturas de clã e vão uns contra os outros com facas e armas caseiras”. "Islamitas querem impor lá os seus valores e a sua ordem". A minoria dos cristãos deveria, ser colocada, nas casas de alojamento de refugiados "sob protecção especial" porque é, muitas vezes, perseguida de forma maciça.

Muitos não se comportam como hóspedes e muitos refugiados alemães que depois da segunda guerra mundial vieram para a Alemanha (11 milhões) e viveram durante anos em alojamentos muito precários para refugiados, custa-lhes a compreender o comportamento e exigências de muitos refugiados de hoje.

Com a miséria e despovoamento da Síria, a longo prazo ganham os que querem lá a guerra. A Alemanha com tanta imigração rejuvenesce-se e cria maior concorrência no mercado de trabalho e deste modo disciplina o próprio operariado na concorrência europeia e globalista que quer uma precaridade comum aos diversos Estados. Assim evita uma flutuação de carentes entre os vários sistemas de apoio social da União Europeia.

Porque não se dá o mesmo direito aos que solicitam asilo nas embaixadas como aos que são transportados por quadrilhas que rebocam fugitivos que tiveram de pagar entre 4.000 e 8.000 euros aos que organizaram o seu transporte?

Que se faz contra os bandos de candongueiros ou traficantes? A proposta de lei do governo contempla um mínimo de três meses de cadeia para tais delitos. Porque é que alguns partidos de esquerda se opõem a medidas concretas contra os traficantes?

A crise dos refugiados continuará enquanto as potências continuarem a lucrar e ganhar créditos com a desestabilização dos países através da guerrilha e da morte.

O problema dos refugiados sírios resolve-se quando os governos dos USA, Rússia, Arábia Saudita e Irão se juntarem a uma mesma mesa; para isso a elite europeia terá de deixar de jogar com eles o jogo sujo e disser à população o que verdadeiramente se passa e os motivos que a levam a actuar assim.Os responsáveis conduzem lá fora a guerra sangrenta de que os países e os refugiados são vítima e cá dentro na Europa conduz-se a guerra mediática de que somos nós as vítimas. Na realidade, a política internacional conflituosa e de rivalidade entre os USA e a Rússia, entre os xiitas e sunitas, são os responsáveis por uma situação de destruição de nações e por uma nova situação na sociedade europeia de consequências futuras imprevisíveis. O vice-presidente do Parlamento Federal, Singhammer solicita a limitação do direito dos refugiados ao reagrupamento familiar. Refere que os 200.000 refugiados da síria na Alemanha trariam consigo um "potencial de reagrupamento ” para a Alemanha de 600.000 familiares.

A Liga dos Direitos Humanos IGFM em Frankfurt expressou que a proteção do direito de asilo exige um não ao abuso. A maioria dos migrantes vem de países seguros onde não há perseguição política. Há dias em que entram na Alemanha 10 000 refugiados.

O político dos Verdes Jürgen Trittin acaba de afirmar: "A Alemanha está a desaparecer a cada dia que passa". Claudia Roth, do mesmo partido, comentou: "Alemães são Não Migrantes. Nada mais." A sociedade europeia, devido à irresponsabilidade política cada vez se radicalizará mais.

António da Cunha Duarte Justo
“Pegadas do Tempo” www.antonio-justo.eu

2 de outubro de 2015

Constituição e Alcorão, vamos ver quem vence




Recebido por e-mail:


CONSTITUIÇÃO ALEMÃ EM ÁRABE PARA REFUGIADOS
As mesmas regras de jogo para alemães e estrangeiros – Iniciativa para evitar a desculpa do “não sabia,,


Quem vem para a Alemanha deve saber que “os princípios da nossa sociedade democrática são válidos para todos”.

O vice-chanceler alemão Sigmar Gabriel (SPD) mandou traduzir os primeiros 20 artigos da constituição alemã e imprimir 10.000 exemplares em árabe para serem distribuídas nos centros de acolhimento de refugiados e aos deputados na Alemanha. Junto toda a Constituição em árabe (دستور جمهورية ألمانيا الاتحادية):http://www.fes.de/international/nahost/pdf/GGArabisch.pdf

Deste modo os refugiados poderão saber quais são os princípios que regulam a sociedade alemã. Ninguém poderá mais tarde argumentar que não sabia as regras do jogo (traduzo): “A Alemanha não é um país qualquer. Aqueles que vêm para cá precisam de saber como é a cultura da convivência entre nós”, declara agora Gabriel em entrevista ao Bild Zeitung (2.10.2015). Defende a cultura dominante argumentando: „Existe uma cultura de liberdade e responsabilidade, de direitos e deveres de que não queremos abdicar. As pessoas que vêm para cá devem não só aprender a língua alemã, mas também saber as regras de jogo da nossa coexistência”.

E concretiza: “Ninguém é forçado, quando vem para a Alemanha, a mudar de religião, ou a mudar a sua vida privada. Mas que, é importante para a nossa convivência, que os princípios da nossa sociedade democrática, se apliquem a todos. A todos aqueles que já se encontram cá e a todos os que vêm. Que, entre nós, Religião e Estado são separados, que homens e mulheres têm os mesmos direitos, que cá a homossexualidade não é nada anormal, que as parcerias de vida podem ser escolhidas livremente, que somos um país com liberdade de expressão, que também inclui a crítica à religião, também mostramos nenhuma tolerância perante anti-semitismo, todos estes são os princípios que temos de declarar/explicar - mas cuja aceitação esperamos daqueles que vêm até nós. Também na integração se aplica: exigir e promover.”

Na Alemanha, atendendo à grande afluência de imigrantes (este ano conta-se com um milhão de pretendentes a asilo) e aos muitos problemas de convivência não resolvidos, a política começa a falar texto claro.

António da Cunha Duarte Justo
Jornalista
www.antonio-justo.eu

29 de setembro de 2015

"O mistério de António Costa"



    Vale a pena ler este texto de Rui Ramos, no Observador:

    Porque é que António Costa perdeu as eleições? A resposta, como é óbvio, é que ainda não perdeu. Mas é essa a pergunta que já toda a Lisboa oligárquica faz, muito impressionada pelas sondagens e pelos azares da campanha. A Europa tem-nos dado este ano motivos suficientes para desconfiarmos de primeiras impressões em campanhas eleitorais. Mas para a nossa oligarquia política, a simples possibilidade de uma derrota de Costa já é algo de incompreensível. E isso não apenas à esquerda, como à direita, porque a oligarquia é oligarquia antes de ser de esquerda ou de direita.

    A primeira razão de perturbação é esta: um governo que corta rendas e muda hábitos tem de perder eleições. Este foi, durante décadas, um dos pilares da sabedoria oligárquica, e a explicação da abstinência reformista do regime. A imaginação dos nossos oligarcas deriva de leituras liceais dos anos 60 e 70: a si próprios, gostam de se imaginar a partir dos Maias  de Eça de Queiroz, sofisticados e espirituosos; ao “povo”, imaginam-no a partir dos Gaibéus de Alves Redol: uma massa terceiro-mundista e dependente, que cabe à oligarquia dirigir e alimentar. Com cuidado: é que quando falta comida e sossego, o povo morde — porque “as pessoas não percebem”. Daí que a “austeridade” só pudesse ser uma receita de derrota. E daí também que fosse possível conceber o regresso ao poder, como fez Costa, pelo expediente de repetir que a culpa das dificuldades é só dos mauzões “neo-liberais”. Costa devia neste momento circular de andor nas ruas do país. Alguma coisa aconteceu: é agora a oligarquia que “não percebe”.

    A segunda razão está implícita na primeira: a oligarquia política é dona do país, e a democracia é o regime através do qual o povo é convidado a reconhecer esse senhorio. Ora, é difícil imaginar oligarca mais fácil de identificar do que António Costa. Costa cresceu ao colo do regime. Não houve dirigente do PS nos últimos trinta anos que não o tivesse posto num qualquer altar. Costa dá-se com toda a gente, da direita à esquerda. Chama-se a isso, em linguagem oligárquica, ser “consensual”. Passos não é assim. Andou na JSD, mas veio da província. Tirando Marques Mendes, nenhum líder do PSD lhe deu a mão e houve mesmo quem o tivesse perseguido. Não consta que fale com muita gente. Para a oligarquia, é um intruso, um “desconhecido”, como insinuou Costa. A frieza com que se permitiu tratar Ricardo Salgado, o banqueiro do regime, é a prova. No momento em que Costa apareceu, o país, como o cão de Ulisses, tinha obrigação de reagir. Que se passa? Os portugueses já não veem televisão?

    No país da oligarquia, Ricardo Salgado ainda deveria ter um banco (com o dinheiro dos contribuintes), um ex-primeiro ministro nunca poderia ter sido preso, e um membro honorário da Quadratura do Círculo teria de estar à frente nas sondagens. A oligarquia está confusa. Querem ver que, afinal, a “austeridade” não foi tão má como os próprios oligarcas andaram a dizer? Terá sido a Grécia? O fantasma de Sócrates? As fatalidades do euro? Ou a culpa é toda do Costa, esse eterno hesitante? Tudo passa pela cabeça aos nossos oligarcas. Menos uma coisa: a hipótese de o povo os ter percebido, a começar pelo fracasso e fuga de 2011.

    No seu desespero, os oligarcas de esquerda e de direita que cercam António Costa já admitem tudo, por exemplo, um resultado que lhes permitisse, mesmo perdendo, governar com o apoio do PCP e do BE. Pouco lhes importa a crise político-constitucional. Para a oligarquia, o regime vale menos do que o seu poder e a sua influência.